Manual Continue Faça-Você-Mesmo seu próprio trailer de jogo para o Wii:
1. Contrate atores das categorias “Moleque com cara de piá-de-prédio”, “Menina que vai ser patricinha daqui há alguns anos”, “Homem de meia idade com problemas de intestino” e “Mulher com cara de mãe feliz mas que nunca teve filhos”. 2. Intercale imagens da tela do jogo com imagens dos atores fazendo cara de retardados enquanto jogam. 3. Se for propaganda de um acessório, tenha certeza de mostrar vários closes do produto. 4. Adicione efeitos especiais. Certifique-se que eles são direcionados para crianças de 2 anos. 5. Pensando bem, certifique-se que toda a propaganda é direcionada para crianças de 2 anos.
Com vocês, um novo trailer de Let’s Tap. Mas já aviso: é assustador.
[via Ars Technica]
Aulinha de história: Yuji Naka é um japa. Ele trampava na SEGA. A Nintendo era sua concorrente. A Nintendo lançou o Mario. O Mario papou toda a grana. A SEGA queria papar grana também. A SEGA mandou que os seus empregados criassem algo melhor que o Mario. Yuji Naka criou o Sonic. O Sonic até que se saiu bem. De tão bem, o Yuji Naka foi promovido. Mas ele não gostou. Queria voltar a criar jogos, em vez de supervisionar. Saiu da SEGA. Fundou a Prope. Não fez nada por um tempão. Lançou Let’s Tap no Japão esses dias.
E agora anda por aí dizendo que quer fazer um jogo parecido com Sonic, só que fazer bem feito (isso ele não disse, mas subentende-se).
O que você acha? Pra mim é o seguinte: não vai dar certo. O Dori, do MeioBit Games, disse: “na atual situação, eu já nem ligo mais se o personagem for o Sonic ou não. Passar bem, ouriço azul”. Eu não acho. Eu fico imaginando um jogo do Sonic bem feitinho, divertidão, sem falhas de câmera, com uma jogabilidade bem amarradinha, sem personagens ou historinhas irrelevantes… mas sem o Sonic. Não perde a graça?
É legal torcer para o Sonic. O Sonic atualmente é igual ao Corinthians quando caiu para a segundona. Ninguém parou de torcer pelo Corinthians. A graça era torcer para que ele se reerguesse, voltasse a ser da série A. A diferença é que o Sonic tá demorando é demais pra voltar pra série A. Mas a gente continua torcendo por ele, não por outro personagem qualquer. Por mais que seja criado pelo Yuji Naka.

E o impossível aconteceu, pessoal: Let’s Tap, o bizarro jogo que usa sua caixa como acessório, vendeu bem mal no Japão. Os japoneses, famosos por gostar de coisas estranhas — e depois ignorar coisas tão estranhas quanto as que gostam –, compraram meras 5400 cópias em três dias. Esse período não parece exatamente grande, mas, vocês sabem, Dissidia: Final Fantasy, o jogo de luta da série de “RPG” mais overhyped da história, que reúne personagens de quase todos os jogos, vendeu 500,000 cópias nos mesmos três dias.
Sério, qual é a dos japoneses? Eu, pessoalmente, não compraria Let’s Tap, mas o jogo é a cara deles. Por causa disso que as boas idéias não continuam. Só espero que o jogo venda bem no Ocidente, porque o conceito é genial e poderia ser aplicado em muitos jogos “hardcore”.
A propósito, nada a ver com a notícia: queria aproveitar os últimos dias antes do Ano do Analfabetismo para escrever “a alcatéia passou por uma colméia tranqüilamente, enquanto a garota de mini-saia agüentava algumas ferroadas” e dar tchau para o trema.
[O título é uma referência a O Guia do Mochileiro das Galáxias, o livro obrigatório-master para todo nerd que se preze]
É foda falar de Let’s Tap. O jogo é muito maluco. Tipo, o periférico usado no jogo é a sua própria caixa! Você joga sem tocar no Wii Remote, só batucando na caixa pra fazer ele vibrar. E aí são vários e vários minigames, alguns dos quais você confere no trailer (japonês) acima.
Eu achei do caralho, mas ainda acho que deveria ser um título de WiiWare (a não ser que eles enfiem bem mais minigames além desses cinco no disco).
Let’s Tap. Vamos dar umas batidinhas. “O jogo que até um pinguim joga”, como é uma das suas descrições oficiais. É um jogo de Wii que você joga sem o controle. Sem o Wii Remote, sem o Nunchuck, sem nenhum acessório extra. Você coloca o Wii Remote em uma caixa, ou alguma superfície não muito rígida (uma pia de mármore provavelmente não funcionaria, mas eu também não consigo imaginar alguém pensando em jogar Let’s Tap usando uma pia de mármore — até porque pias normalmente são molhadas e o controle correria riscos de pegar umidade), e bate. Na superfície, não no controle. Assista ao trailer para entender.
Alguns podem dizer que isso não é nada que os bongôs de Donkey Konga não consigam fazer. Claro que é. Os bongôs nada mais eram do que dois botões e um microfone que captava palmas. Isso aqui trabalha com vibrações sensíveis.
Também é de se notar que Let’s Tap é o primeiro jogo da Prope anunciado desde a sua abertura, em 2006. “Quem é a Prope?”, pergunta o leitor que não clicou no link. É o estúdio do Yuji Naka, simplesmente o cara creditado por dar vida ao Sonic. Lembre-se: houve uma época em que o Sonic era realmente bom.
Eu só tenho minhas dúvidas quanto ao fato dele ser vendido em disco. Pela simplicidade, deveria ser WiiWare… Ou então ele é mais complexo do que parece.
PS.: Aproveitando o ensejo, a Prope também anunciou Let’s Catch (este sim para o WiiWare), um simpático joguinho de… bem, eu não entendi muito bem sobre o que ele é, mas o site é esse.