Você vê alguma coisa funcionando nesse país? Você vê alguma coisa dando certo? Hoje em dia nem mesmo as “nossas especialidades” estão salvas: o carnaval está com problemas e o futebol, que eu saiba, já foi muito melhor. Eu posso ter apenas 22 anos, mas já me sinto calejado com esse país.
Sou extremamente otimista com relação a quase tudo, inclusive com relação às pessoas — eu sempre espero o melhor delas, correndo o risco de me desapontar –, mas esse Brasilzão não me inspira a menor das confianças. Por isso eu disse que não acreditava que qualquer tipo de reação fosse nos ajudar no caso da ridícula proibição do Counter Strike e do EverQuest. E mantenho a opinião.
Mas GUS e o Douglas Pereira (ambos do recém-criado blog Liberdade Gamer) não pensam assim e estão organizando um protesto em plena Avenida Paulista, no coração de São Paulo.
Se você gosta de jogos, mesmo que não desses dois em especial, venha participar desse movimento para evitar ações arbitrárias como essa, que visam tirar a sua liberdade de escolha. Se o Ministério da Justiça já classifica os jogos, por que, então, proibir a venda de um produto que já é regulamentado pelo Estado? Não é suficiente a Classificação Indicativa? Onde fica a democracia? A liberdade de escolha?
Alegam que esses jogos são nefastos e podem causar danos a crianças e adolescentes, mas atroz mesmo é tirar dos pais o poder de decidir o que é melhor para os seus filhos e quando. Alegam que os jogos fazem mal e, portanto, devem ser retirados do mercado.
E quanto ao cigarro? E quanto à bebida? E quanto à venda de armas de fogo, não pudemos votar em plebiscito se teríamos ou não esse direito? Armas matam pessoas, no entanto, uma pessoa tem o direito de comprá-las. E querem proibir a venda de jogos.
Mesmo cético em relação aos resultados que isso pode alcançar, eu pretendo dar um pulo lá, me fazer presente. Como eu disse: eu não boto fé no Brasil, mas boto fé nas pessoas.
O protesto está marcado para sábado, dia 2 de fevereiro, às 11 horas, sob o vão do MASP. Sim, em pleno feriadão de carnaval. Eu conversei com o GUS sobre isso ontem, e ele me afirmou que fazer uma semana antes (amanhã, no caso) seria “muito em cima”, e uma semana depois o caso já teria esfriado.
De qualquer modo, a data ainda pode mudar. Qualquer coisa a gente te avisa.
Enquanto não chega o esperado Everybody’s Nintendo Channel, que vai permitir o download de demos para o DS via Wii, as produtoras estão dando os seus jeitinhos para deixar os jogadores experimentarem os seus produtos.
A demo de Apollo Justice: Ace Attorney (o quarto jogo da série Ace Attorney, que começou com a trilogia Phoenix Wright e é, na minha opinião — e no do Prandoni –, uma das melhores coisas que já apareceram no DS) contém os primeiros minutos do primeiro caso do jogo, fielmente reproduzidos. É o jogo mesmo, sem tirar nem pôr.
Já o Exit DS eu não conheço, então não sei dizer se o jogo é exatamente daquele jeito. Mas parece que sim. Não gostei tanto quanto achei que fosse gostar, mas também joguei só um minutinho. Experimente você.
E que a moda pegue!
Atualização: como eu não entendo absolutamente nada de como funciona a lei e os trâmites dela (vivo bem mais feliz assim), o post do Daniel Trezub veio bem a calhar ao apontar os erros factuais deste e de vários outros posts sobre o assunto. Aconselho a leitura.
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Agora é oficial, minha gente. Vivemos em um país de merda. Peguem os pandeiros, os tamborins, façam umas fantasias de burro e escrevam “Ignorância e Regresso” na bandeira do Brasil. Depois peguem tudo isso, montem um bloco de carnaval e vamos cair na folia! Porque este ano não há tema melhor para samba-enredo do que este:
Em cumprimento de decisão judicial proferida pelo Juízo da 17a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, válida em todo o território nacional, nos autos da Ação Civil Pública n° 2002.38.00.046529-6, o PROCON/GO está apreendendo no Estado de Goiás os jogos virtuais de vídeo-games e computadores: “Counter-Strike” e “Everquest”, que foram considerados impróprios para o consumo, na medida em que são nocivos à saúde dos consumidores, em ofensa ao disposto nos artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV, todos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. (Site do PROCON de Goiás)
Não deve ser difícil trocar umas palavrinhas aqui e ali e fazer isso rimar. Vai ser 10 na avenida, com certeza. Pra quem está se perguntando qual o motivo de se proibir dois jogos já tão antigos quando se tem carne nova para atacar (Manhunt 2, alguém? Pelo menos ninguém ia sentir falta), eis motivo oficial, publicado no site:
O jogo “Counter Strike” (reféns, bomba, fuga, assassinato, armas, técnicas de guerra, táticas de guerrilha) reproduz a guerra entre bandidos e policiais e impressiona pelo realismo. O jogo foi criado nos Estados Unidos e adaptado para o Brasil. No vídeo-game, traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas. A polícia invade o local e é recebida a tiros.
O participante pode escolher o lado do crime: virar bandido para defender a favela sob seu domínio. Quanto mais PM´s matar, mais pontos. A trilha sonora é um funk proibido. Nessa escala de violência, cada um escolhe suas armas: pistolas, fuzis e granadas. Na visão de especialistas, o jogo ensina técnicas de guerra, haja vista o jogador deve ter conhecimento sobre táticas de esconderijo, como se estivesse numa guerrilha.
O jogo “Everquest” leva o jogador ao total desvirtuamento e conflitos psicológicos “pesados”; pois as tarefas que este recebe, podem ser boas ou más. As más vão de mentiras, subornos e até assassinatos, que muitas vezes depois de executados, o jogador fica sabendo (ou não) que era apenas uma armadilha para ser testado para entrar em um clã (grupo).
Os jogos violentos ou que tragam a tônica da violência são capazes de formar indivíduos agressivos, sobressaindo evidente que é forte o seu poder de influência sobre o psiquismo, reforçando atitudes agressivas em certos indivíduos e grupos sociais.
Aviso de amigo, Procon: com quase dez anos de estrada, não há um jovem que ainda não tenha jogado CS e recebido “treinamento de guerrilha”. Vocês estão mais atrasados que relógio de camelô com bateria xingling. Outro aviso: joguem Portal. Tem uma cena terrível onde o jogador deve atirar no incinerador o seu melhor amigo, assassinando-o de maneira repulsiva e fria. Vocês vão querer proibir este também.
Conforme o texto no site, os cidadãos de Goiás já estão sendo instruídos a reportar qualquer ocorrência de comercialização destes jogos às autoridades responsáveis. Mas esta é uma medida que afeta o país inteiro.
Agora é a hora que você espera que eu brade palavras de ordem para que todos divulguem, reclamem publicamente, façam suas vozes serem ouvidas, mandem emails para os resposáveis etc. Ok, façam isso se quiserem. Mas eu pessoalmente não acredito que resultará em qualquer efeito positivo. O povo, como vocês bem sabem, só serve para duas coisas: votar e pagar imposto. A única maneira dessa situação ser revertida é com a intervenção de gente que tem grana, porque grana é igual a voz. A Electronic Arts, que é quem publica os jogos da Valve no Brasil, seria a mais indicada, já que isso diz respeito diretamente a um dos produtos dela. A Microsoft também. Apesar de não ter à primeira vista nada a ver com a história, esta decisão do Procon é prejudicial ao mercado de games no Brasil, onde a Microsoft é a big player, está investindo pesado e quer ver retorno e prosperidade. Um retrocesso não vai ser nada bom para ela também.
Sem contar que a qualquer momento um funcionário do Procon pode chegar em casa e ver o filho serrando alguém ao meio em Gears of War, aí já viu.
É, amigos. No país do carnaval, quem dança somos nós.
[Valeu ao Gil, ao GUS e aos leitores que enviaram pelo formulário de contato antes que eu visse essa notícia em algum outro lugar. E valeu ao Lef também, que já tinha começado a escrever este post quando eu tiranamente disse que eu queria escrevê-lo.]
Tem três coisas nessa vida que eu pago pau, e uma delas é o Pablo Miyazawa. Além de ter um texto incrível, ele é sem sombra de dúvida uma das pessoas mais bacanas que eu conheci na vida. Eu não sou grande coisa, mas se não fosse por ele eu seria menos ainda. Bem menos, se isso for possível. Dito isso, eu afirmo que se o Pablo quer publicar a lista de Melhores do Ano dele mais de 36 horas depois do ano ter acabado, ele pode!
Como você não está fazendo nada de útil mesmo, clique aqui e dê uma olhada no que a imprensa de games nacional decidiu ser a lista não apenas dos jogos mais bacanas lançados em 2007, como também dos melhores e piores acontecimentos. O Continue votou também!
Apenas por curiosidade, meus votos para melhor jogo foram, nesta ordem: BioShock, Super Mario Galaxy e Portal (The Orange Box).
É, não fizemos uma lista de melhores do ano. Mas vamos fazer, juntos — o Continue e você –, uma lista dos melhores de 2008. Uma lista daquilo que a gente espera que seja bom neste ano que está chegando daqui a pouco mais de 48 horas. O que te deixaria feliz no fim de 2008? O que você simplesmente acha que vai acontecer, por nenhum motivo em especial? Ou o que precisa acontecer para o ano que vem ser melhor do que 2007?
Olha que é um páreo duro, hein? Sem entrar nos méritos da indústria, ficando apenas na parte que mais nos interessa — os lançamentos de games –, este ano tivemos Halo 3, The Orange Box, Super Mario Galaxy, Mass Effect, God of War 2, Rock Band, Sam & Max Season 1 (ei, eu colocaria ele numa lista dos melhores ano, fácil), Zelda: Phantom Hourglass… e olha que eu tenho certeza que essa listinha seria duas ou cinco vezes maior do que isso se eu lembrasse de todos os jogos que foram lançados.
E em 2008, se tudo der certo e entre outras coisa, teremos Smash Bros Brawl, Mario Kart Wii, Metal Gear Solid 4, Final Fantasy XIII e Gran Turismo 5. Talvez um novo projeto do Team Ico (este sim, mais do que qualquer outra coisa, um motivo real para se comprar um PS3).
Mas não fiquemos só nisso. Na lista que faremos juntos após o continue, eu quero ver todo tipo de expectativa. Quero saber o que vocês esperam da indústria de games como um todo, e talvez até mundo exterior que não tem nada a ver com os games mas que pode influenciá-los de alguma forma. Então, sem mais encheção de Mestre Linguiça, comecemos!
Daqui a 366 dias (2008 é ano bissexto, galera) a gente volta aqui pra dizer “eu já sabia!”. Ou pra ficar com cara de owned.
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Responda rápido: mais ou menos quantas listas de Melhores do Ano você já leu nos últimos dias? Parece que todo site ou blog tem que fazer a sua, ou uma espécie de anjo do apocalipse virá fritar o servidor. Bem, aqui no Continue nós estamos preparados para esse anjinho de merda, porque aqui não vai ter lista, não. *cospe no chão e coça o saco* Sem clichê, amigos.
Ao invés disso, vamos te dar o link para uma lista mais bacana, feito pelos caras do… é, de lá mesmo. São “Os ícones dos games de 2007″. A lista tem desde Companion Cube até Jade Raymond, passando por UR MR GAY. Se não sabe do que eu estou falando com “UR MR GAY”, é mais um motivo para ler a lista.
Aí, ó. Te diverte. Em 2008 a gente faz a nossa, quem sabe.
E fica ligado que a parte três tá pra chegar e o Continue não vai avisar, porque a gente não tem filho desse tamanho. ![]()

Parece que Crysis, aquele jogo de PC com a física dos sonhos, não está sendo exatamente um sucesso de vendas, como o hype fazia parecer. De acordo com o Destructoid, em duas semanas Crysis não chegou a vender 100 mil cópias. Procurando saber o que, mais exatamente, são 100 mil cópias em duas semanas, pesquisei no VG Chartz sobre alguns dos lançamentos das outras plataformas.
Pra vocês terem uma idéia, Halo 3, o FPS da Bungie pra Xbox 360, vendeu 2.844.837 unidades nos EUA só na primeira semana. Isso, se as estatísticas e minhas contas estiverem corretas, é 28 vezes mais do que Crysis vendeu no dobro do tempo. Em duas semanas, Halo 3 vendeu quase 3,5 milhões de cópias!
Já Mario Galaxy, que não teve tanto sucesso comercial no Japão nos seus primeiros dias, somou 654.807 unidades vendidas nos EUA na semana do lançamento. Quanto aos lançamentos de PS3… o PS3… ah meu, o PS3 é um cara legal, simpático, não faz mal a ninguém. Peguemos Ratchet & Clank Future: Tools of Destruction, que vendeu 105.128 cópias nas duas primeiras semanas. Mesmo Ratchet & Clank, que Shigeru Miyamoto nem conhece, vendeu mais que Crysis, o tão aguardado jogo da Crytek onde você pode empilhar 3000 barris e derrubá-los realisticamente!
Se fosse um RPG hype japonês ou algo assim dava pra entender, mas não, é um FPS com física estupenda e explosões. Que americano não gosta disso? Espera, acho que saquei! A questão não é “que americano não gosta disso?”, e sim “quantos têm computador pra jogar isso?”. Pois é, Crytek, talvez da próxima vez vocês fazem um negócio um pouco mais humilde, pra que o pessoal não tenha que gastar algumas centenas de dinheiros com hardware antes de conseguir rodar o jogo…
O consolo é que, ainda de acordo com o Destructoid, Unreal Tournament 3 vendeu menos de 35 mil cópias para PC, no mesmo intervalo de tempo. EPIC FAIL!
Ah, nesse post está inserido o aposto mais inútil da história do Continue. Desafio vocês a encontrá-lo.

Não sei se é impressão minha, mas parece que No More Heroes não está sendo muito feliz lá no Japão. Os produtores chegaram ao ponto de oferecer rolos de papel higiênico do jogo (e autógrafos!) para quem comprá-lo, mas nem isso deu resultado.
O criador de No More Heroes, Suda 51, e seu produtor executivo, Yasuhiro Wada, que não tem números no nome mas é legal porque criou Harvest Moon, ficaram vinte minutos na frente da loja Sofmap, no bairro-dos-sonhos Akibahara, esperando compradores para que eles pudessem assinar cópias do jogo. Mas não rolou. Ao que parece o pessoal tava ocupado demais jogando Wii Fit em casa, sem muito motivo pra sair às ruas.
O engraçado da história é que a imprensa de jogos japonesa estava lá pra cobrir o evento, mas não tinha compradores para fotografar. No fim das contas, de acordo com o Akiba Blog, que está em japonês mas o Kotaku traduziu pra mim, um funcionário da Enterbrain (empresa que publica a Famitsu) acabou comprando uma cópia do jogo para que Suda e Wada assinassem :’-(
É interessante lembrar que a cada cinco segundos, um Nintendo DS é vendido no Japão, e os caras não conseguiram vender uma cópia de No More Heroes em 20 minutos. Pelas contas, enquanto eles ficavam lá, gritando “ooolha o papel higiênico!”, 240 DSs saíram. Eu não sei exatamente por que estou fazendo essa comparação, mas se eu fosse o Suda cairia no choro lá mesmo, no chão da loja.
Ah é, tinha também uma japonesa de mini-saia pra ajudar nas vendas. Wii Fit deve ser bom mesmo!

Você sabe, uma imagem vale mais que mil palavras. Como é perceptível, o Wii continua vendendo pra cacete. E a piada da vez é que a Nintendo se viu obrigada a cancelar qualquer campanha publicitária relacionada ao console neste feriado para tentar frear a demanda, que continua crescendo e crescenDO e cresCENDO e CRESCENDO.
Chega a ser engraçado, mas fato é que o Wii é um console que deu certo. Certo até demais. Há quem suspeite de que tudo não passa de uma forma satânica e conspiratória de promover o sucesso do produto anunciando-o antecipadamente. Sei lá, pra mim não faz muito sentido. Por que alguém teria mais vontade de comprar um Wii tendo que fazer reserva meses antes ou encarar filas quilométricas?

Depois da Spike TV, foi a vez da Time eleger os 10 melhores jogos de 2007. A lista seria perfeitamente compreensível não fosse aquele Halo no topo. Já tive chance de jogar os dois anteriores e não achei nenhuma maravilha, e, segundo me consta, o terceiro não traz muitas inovações. Logo, não vejo nenhum motivo para ele estar na frente do fantástico Rock Band, do reflexivo Bioshock ou do revolucionário Super Mario Galaxy. Mas como reclamar de listas é quase tão errado quanto achar que uma revista como a Time é imparcial, vamos às colocações:
1. Halo 3
2. The Orange Box
3. Rock Band
4. Super Mario Galaxy
5. BioShock
6. Call of Duty 4
7. Legend of Zelda: Phantom Hourglass
8. Mass Effect
9. Ace Combat 6: Fires of Liberation
10. God of War 2