
Uma discussão recorrente entre os nomes do jornalismo de games no Brasil é a clássica ladainha de “como os americanos estão melhores do que a gente em todos os sentidos”. Lá é tudo mais fácil: as produtoras estão à distância de a uma viagem de táxi ou uma ponte aérea rápida, as assessorias de imprensa das várias empresas que não têm representantes no Brasil são mais acessíveis, a indústria e o mercado (inclusive o editorial) como um todo são mais maduros.
Nessa vontade de achar que o Brasil é horrível em comparação com o “centro do mundo” (não deixa de ser, mas, enfim), é fácil esquecer que, quanto mais alto se está, mais dói a queda. Digo isso porque o caso a seguir já aconteceu diante dos meus olhos no meu pouco tempo de carreira, aqui no Brasil, só que ninguém ficou sabendo, e, mesmo se ficasse, o estrago teria sido muito menor. De que caso eu estou falando? Este: Jeff Gerstmann, membro antigo da equipe de reviewers do GameSpot (o mesmo que deu o polêmico 8.8 para Zelda: Twilight Princess) foi demitido por ter dado uma nota 6 para o jogo Kane & Lynch: Dead Man.
Repito, sem links, para sua comodidade: foi demitido por ter dado uma nota 6 para o jogo Kane & Lynch: Dead Man.
Quem acessa o site com um pouco de frequência já deve ter reparado que o jogo tem sido um dos maiores anunciantes, exibindo banners gigantescos e outras ações promocionais. É óbvio que o pessoal que colocou toda essa grana de publicidade dentro do GameSpot não gostou nem um pouco de ter o seu jogo tão mal avaliado, e começou a pressão que culminou na demissão do Sr. Gerstmann, presumivelmente o sujeito de melhor índole dentre todos os envolvidos. O elo mais fraco, óbvio.
Mesmo se o jornalista tivesse sido chamado para “uma conversinha” no escritório do chefe, sem ninguém ficar sabendo, isso já seria um absurdo. Um cérebro não precisa ter nada mais do que capacidade de raciocínio lógico de nível baixo para saber que o principal patrimônio de um veículo de informação é a confiança dos seus leitores. Nenhum dinheiro de publicidade compra isso. Nenhum prejuízo por causa de um review negativo será maior do que o prejuízo de perder esta confiança.
Eu não acompanhava notícias, podcasts ou qualquer outro conteúdo do GameSpot, nem do seu principal concorrente, o IGN (prefiro minhas notícias de fontes independentes). Mas, entre os dois, eu sempre preferi o GameSpot, porque odeio o layout baseado em poluição visual do IGN. A partir de agora, quando eu precisar daquela screenshot que não encontro em outro lugar, vou direto pro IGN. Credibilidade ganha de design com uma mão nas costas.

Então… não há modo fácil de dizer isso: o Douglas Pereira não é mais parte deste blog/site/pardieiro. Por mais que ele não tenha postado nem duas vezes, ele estava comigo desde quando o Continue era apenas um pequeno pensamento perdido num cérebro enorme. Aliás, a iniciativa toda de “vamos fazer um site!” partiu dele.
Agora que a coisa finalmente deu o primeiro passo significativo (de muitos, espero), ele resolveu que não saiu tudo de acordo com a visão dele e que a melhor coisa a fazer é deixar o Continue nas minhas mãos e continuar apenas com o Blogeek.
Sendo assim, eu desejo ao cara a melhor das sortes no que quer que ele decida fazer. Se bem que nem é necessário desejar sorte — escrevendo do jeito que ele escreve, não tem como as coisas darem errado pro lado dele.
É isso aí! E vê se comenta aqui de vez em quando, hein, seu Douglas?
Outro dia chegou um envelope para mim. O tapado aqui acreditou por um segundo que pudesse ser a milagrosa chegada do Super Mario Galaxy que foi comprado e ficou parado na alfândega tempo suficiente para uma equipe de lesmas mancas completar a São Silvestre, mas era “só” o meu exemplar da primeira edição da PS3W, a nova revista da equipe de games da Digerati. Como se receber de graça, a caráter de imprensa, a edição de lançamento de uma revista fosse pouca coisa pra um metido-a-jornalista em início de carreira como eu. Enfim.
Acompanhando a revista veio uma pequena carta assinada pelo editor Allan André, onde lia-se mais detalhes sobre a PS3W, além da seguinte frase:
“Sinta-se à vontade para uma resenha ou crítica sobre a publicação!”
Sorte deles é que uma vez eu li em algum site que eles tinham a política de sempre resenhar qualquer material enviado pela mídia, senão fica parecendo que a gente ganha brinde (quando isso é só uma fantasia que todos nós, jornalistas culturais, temos). Então vamos à tal resenha, após o continue.