
Todos vocês já leram o ótimo texto do AyPyCy sobre pirataria publicado esta semana, certo? Muitos, além de ler, fizeram questão de comentar, e nisso saíram altos comentários super pertinentes e exemplares. Por isso hoje eu acho apropriado trazer duas novas discussões baseadas naquela. Ainda sobre pirataria, porém mais específicas.
São dois pontos sensíveis, portanto estou ansioso para conhecer a opinião de vocês.

Em mais um dos prováveis últimos suspiros do mercado de revistas de games como o conhecemos hoje, a Official Xbox Magazine teve a brilhante idéia de vender a capa inteira para publicidade. Sim, as páginas de publicidade em uma revista são geralmente as mais importantes para quem faz a revista, mas e o leitores? Ninguém pensa neles?
Quem vê a revista na banca não enxerga as chamadas de capa, não sabe o conteúdo, não sabe nem qual é o jogo em destaque da edição. Tudo que vê é o que você acima: o logo da revista e uma mega-propaganda do Rainbow Six: Vegas 2.
Sim, depois de comprar a revista você pode arrancar o anúncio e jogá-lo no seu devido lugar (o lixo), e então verá que existe, sim, uma capa real por baixo, mostrando o muito mais interessante Fallout 3. Mas aí já virou notícia na internet.
Opiniões?
[via Kotaku]

Desde a primeira vez que eu ouvi falar da EGM americana e reparei quem era o editor, este cara tem sido o japinha Dan “Shoe” Hsu. Mas isso só vai durar até sexta-feira, dia 25 deste mês, dia em que ele vai trabalhar pela última vez na editora Ziff Davis. E antes que alguém fale alguma coisa, ele garantiu que o motivo é puramente pessoal e não tem nada a ver com demissão, dinheiro de publicidade da Eidos ou a recente terminação da revista Games For Windows, que era da Ziff:
Esta decisão é minha; Eu não estou sendo forçado ou dispensado ou nada do tipo. E isto não tem nenhuma relação com o recente anúncio sobre a Games for Windows: The Official Magazine (e eu espero não estar roubando a atenção dos caras — não é a minha intenção). É só que chegou a hora de dar um passo à frente. Eu estive aqui, principalmente com a EGM, desde Abril de 1996. São 11 anos (tirando aquele ano em que eu fiquei brevemente no Gamers.com)… um bom tempo!
Não vou dizer que eu sou fã do cara, porque não chego a ser. Simplesmente não li coisas dele o suficiente para sentir qualquer coisa além de admiração profissional. Mas isso eu sinto. Afinal, se o cara durou onze anos como editor de uma das maiores revistas de games do mundo, um bom profissional é certeza que ele é.
Enquanto eu escrevia este post, o camarada Luck falou comigo pelo Google Talk: “nossa cara, que notícia absurda”, e emendou um smiley triste. Pode ser uma notícia chata, mas absurda não é. Quem ainda duvida que as revistas estão definhando aos poucos? Quem é esperto e conseguir oportunidade, tem mais é que se mandar mesmo. Foi isso que Jeff Gerstmann fez depois de ter sido chutado do GameSpot (com a diferença que o GameSpot não é uma revista): foi lá e criou o seu próprio site, que por enquanto ainda é apenas um blog, o Giant Bomb. Se o Hsu não arranjou um emprego na indústria de games, seria capaz de apostar o meu Forza 2 que ele vai começar um site ou se juntar a algum já existente.
Aliás, não seria nada mau se ele juntasse forças com o Gerstmann no Giant Bomb, hein?
Outra observação aleatória: engraçado pensar como nesse tempo em que o Hsu comandou a EGM americana, nada menos do que sete editores(as) passaram pela edição brasileira. E isso que a nossa EGM só teve a sua primeira edição em 2001 (aliás, Abril é mês de aniversário da EGMBR), ou seja, temos “só” sete anos. Claro que definitivamente não tem nada a ver com o profissionalismo destas sete pessoas. É sinal da instabilidade e infância do mercado editorial games no nosso país. Mas não deixa de ser interessante mencionar.
[via Kotaku]
Atualização » O pessoal nos comentários está dizendo que a EGM Brasil começou em 2002, e não em 2001, e que teve apenas cinco editores em vez de sete, como foi escrito. Eu acho que está certo, mas alguém aí confirma?

Neste primeiro de abril, como você já sabe, o blog americano Destructoid pregou uma peça mais digna de Halloween, aquele esquema bem gostosuras ou travessuras. No caso, só travessuras. Os caras trocaram de nome e de URL, passaram a ser o Foxtoid News, em uma clara tiração de sarro desmedida e sem medo de ser feliz ao canal/site de notícias mais anti-gamer dos EUA. Boa parte das vezes que Jack Thompson, o advogado mais querido dos games, apareceu falando groselha na televisão livremente, como se entendesse grande porcaria, foi no Fox News.
Como quem nem sabe da possibilidade de uma ação judicial, o pessoal do site postou um dia inteiro de notícias falsas, absurdas, muitas vezes sem sentido, fazendo-se passar (ainda que claramente de brincadeira) pelo preconceituoso site. As notícias falsas e preconceituosas do Foxtoid News eram de brincadeira, mas também uma carta aberta de repúdio ao modo real com que a Fox News trata os games e a cultura gamer em si, por consequência.
Conversando com o Prandoni, meu grande amigo e valioso colega, companheiro de madrugadas insones de trabalho e discussões filosóficas — e de partidas emocionantes de Brawl online –, descobri que ele achou que aquilo claramente passava dos limites. Ele havia acabado de falar brevemente sobre o fato no Hadouken. “Dá pra evoluir numa questão mais profunda sobre ética jornalística e o dever da informação e outras coisas chatas de aula de faculdade”, disse o graduado rapaz.
Se ele talvez quiser enveredar o assunto por esse lado, ele que fique à vontade. Eu não vou.
O que eu quero é perguntar a você, meu absurdamente estimado leitor, qual a sua opinião sobre a coisa toda. Eles passaram dos limites? Se algo parecido com isso tivesse acontecido aqui no Continue (ou, sei lá, no Finalboss ou no Outer Space), você teria achado interessante ou não iria gostar? Um blog que assume um teor jornalístico, de compromisso com os fatos e a informação, precisa necessariamente adotar uma postura séria e rígida, nunca se permitindo uma “molecagem” como essa?
No Jornalismo de Games, você dá mais importância à palavra jornalismo ou à palavra games?
Hoje é de dia de tomar cuidado com o que se vê e o que se lê na internet. Enquanto a maioria dos sites tenta fazer aquela clássica pegadinha que realmente engana as pessoas, o sempre genial Destructoid resoveu avacalhar de vez: mudou de nove para Foxtoid News e mudou toda a home page, imitando a da Fox News, o site/canal de TV que protagonizou os piores ataques à cultura gamer da história recente (lembram do caso Mass Effect e das discussões provocadas por ele?).
Todas as notícias hoje são histórias sensacionalistas e preconceitusas sobre games, ridicularizando a linha editorial da Fox News. Mas é tudo engraçado! Alguns títulos dos posts de hoje: BREAKING REPORT: All horse-based videogames tied to Scientology, Barack Opedophile? Shocking videogame child porn presidential race scandal black, SCANDAL! Photographic evidence of Joseph Leray’s filthy videogame addiction e Man confesses to sexing picnic table, God of War videogame is clearly to blame.
Não sei vocês, mas eu achei muito foda. Pago muito pau pro Destructoid. Se um dia o Continue for meio DToid, eu serei um cara feliz e realizado. Ano que vem eu apronto alguma coisa de 1º de abril.
Aproveito a deixa: o que vocês viram de legal hoje, em termos de mentira e games?
Eu nem sei porquê assinei aquela newsletter Thinking Out Loud, do 1UP. Sempre que ela chega, eu clico, passo o olho metodicamente e, em menos de três segundos, estou de volta à caixa de entrada no Gmail. Mas ontem ela me troxe um link bastante interessante: este. Que, por sua vez, me levou a este. Ambos são leituras extremamente interessantes para o gamer mais hardcore, que acompanha não só os lançamentos, mas também a indústria como um todo, e principalmente o mercado editorial.
Mas não clique nos links ainda. Clique no continue e descubra que papo estranho é esse de crianças escrevendo reviews.

Na última edição da publicação, a EGM norte-americana se negou a analisar o jog… err… lançamento para Wii Endless Ocean. A revista até estreou uma nova sub-seção, chamada “Electronic Non-gaming Monthly” dedicada inteiramente a “jogos” que não sejam realmente jogos, dando indicação de que casos como o do simulador de mergulho devem se repetir. Na nota publicada pela revista, constava o seguinte:
Endless Ocean não te oferece perigo, conflito, inimigos, uma história, obstáculos, uma barra de energia, chefes… você sabe, coisas de games. Não é preciso nem se preocupar com o seu suprimento de ar. Já tentou mergulhar sem um limite de oxigênio?
O curioso é que vários “não-jogos” sem vários desses elementos já foram muito bem avaliados pela EGM em tempos passados. Animal Crossing, Ico, Pokémon Snap e Electroplankton são apenas alguns exemplos. O que será que levou a revista a mudar de posição de uns tempos pra cá?
Parece que não é só no Brasil que temos jornalistas tendenciosos e muita ignorância sobre os videogames. A diferença é que os gringos estão um pouco mais atualizados. Foi ao ar alguns dias atrás uma reportagem no canal americano FOX NEWS em que vários “especialistas” discutiam sobre as cenas de sexo que aparecem em Mass Effect. Primeiro, eles chamam Geoff Keighley, da SpikeTV, para defender o lado dos gamers, ao mesmo tempo em que uma psicóloga “super entendida” mete o pau no jogo. Depois, para eliminar amenizar a discussão, a apresentadora decide simplesmente encerrar o debate e falar com os demais “super entendidos” que estão no estúdio.
O pior é que a tal psicóloga e apresentadora disparam absurdos do naipe de “as mulheres são simplesmente cultuadas pelos seus corpos, vistas como objetos de desejo” e “infelizmente, você ainda precisa estar envolvido com o que seus filhos estão olhando… o trabalho dos pais está cada vez mais difícil!”. Pois é… tudo culpa dos videogames. Eu até teceria alguns comentários irônicos agora, mas prefiro deixá-los para os comentários.
E a EA (mais nova dona da BioWare) se pronunciou a respeito, mandando uma carta para o canal pedindo por uma correção e explicando que muita coisa foi deturpada na reportagem. Depois de negar que o jogo possua nudez frontal ou esteja sendo vendido para crianças ou adolescentes, a EA faz uma comparação assaz interessante.
Vocês assistem o canal Fox? Vocês assistem Family Guy? Vocês já viram The OC? Vocês acham que as situações de sexo em Mass Effect são mais explícitas do que as cenas freqüentemente exibidas nesses programas? Vocês honestamente acreditam que jovens são mais expostos em Mass Effect do que nesses programas de horário nobre?
Isto não é uma ameaça legal; é um apelo para o seu senso se justiça. Pedimos ao FNC para corrigir a reportagem sobre Mass Effect.
O canal, é claro, respondeu dizendo que já convidou representantes da EA para aparecem no programa, mas até agora não recebeu resposta. Independente disso, seria interessante ter uma instituição mais presente e potente aqui no Brasil para tomar atitudes como esta naquele caso do banimento, não? É possível que tudo tivesse se desenrolado de forma diferente…
[via Kotaku]

Não foi bem ontem que rolou toda a treta Jeff Gerstmann vs. GameSpot/CNET. Já faz um tempinho. A poeira já estava começando a baixar, o mundo já estava começando a esquecer… mas aí um cara chamado Sam Kennedy, que trabalha no 1UP, reacendeu todo o papo com o maior e melhor texto sobre o caso até agora.
Ele dissecou o episódio por completo, e o que era para ser apenas um post no blog dele acabou se tornando digno de ser exibido como matéria de capa no site (o que não aconteceu). Portanto, se você ainda tem alguma dúvida sobre o que exatamente aconteceu e o que tudo aquilo significou para o mundo dos games, especialmente para a imprensa, não deixe de ler GameSpot’s Sad State of Affairs.
É um texto longo, mas eu definitivamente recomendo.
Nada como uma grande marca estadunidense e um editor que não tem papas na língua. Dan Hsu, editor-chefe da Electronic Gaming Monthly lá de fora, fez um editorial bastante interessante na última edição da publicação. Eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas de acordo com o site VGM Watch, Shoe lista os nomes de três empresas que baniram a EGM de fazer qualquer tipo de cobertura de seus futuros jogos, graças à reviews muito rigorosos. São elas a Ubisoft, a divisão de esportes da Sony, e o time de desenvolvimento de Mortal Kombat da Midway.
O assunto já virou recorrente na indústria. Depois do caso do Kotaku contra a Sony e da demissão do Jeff Gerstmann da Gamespot, cada vez mais se especula sobre a credibilidade dos veículos da mídia especializada de grande e (principalmente) médio porte. E o problema não é nem sobre os casos que vêm a público - afinal, se em cada um desses veículos alguém se manifestou, é porque há integridade em pelo menos uma das partes. O perigo mora nas situações onde tudo se mantém por baixo dos panos, geralmente por medo do site/revista em perder o material exclusivo de algum grande jogo ou produtora importante.
Com bem disse o sábio (?!) Bracht, o principal patrimônio de um veículo de informação é a confiança dos seus leitores. E é claro que nos enchemos de repulsa toda vez que vem à tona algum caso de falta de integridade- geralmente não por parte da imprensa, mas da própria indústria, que ainda precisa amadurecer bastante para chegar no patamar esperado pelos jogadores.
Enquanto isso, fico me perguntando com que freqüência coisas assim acontecem no mundinho da imprensa especializada brasileira, sem nunca chegar ao conhecimento do público. Não que faltem colhões, mas são poucos que têm a moral de um Dan Hsu e ainda uma marca de tamanho porte por trás para apoiar. Em contrapartida, há o argumento de que os nossos reviews não são assim tão relevantes quanto os de um Gamespot da vida. Ou são?