Não sou maníaco por listas — esse cargo é do Lef — mas esta eu resolvi postar porque é sempre bom aumentarmos o nosso horizonte de visão. Lutarmos contra a tentação comodista de jogar só aquilo que é “obrigatório” e que tem potencial para ser o jogo do ano, ou então a nova versão da nossa série favorita.
A maioria dos posts sobre Freewares e Indie Games bate a na tecla do “vamos ajudar os pobres desenvolvedores que não fazem parte das megacorporações”, e eu não acho isso errado. Eles são caras legais que quase sempre merecem o nosso reconhecimento. Mas no fundo o melhor motivo é egoísta: aumentar a nossa própria cultura gamer, permanecermos abertos a novas idéias. Quem era ligado em Indie Games há dois ou três anos atrás jogou Narbacular Drop, por exemplo, e pôde curtir em primeira mão a fórmula genial do que um dia viria a ser Portal. Viu? Vale a pena.
Então clique aqui e jogue alguns dos 101 Freewares para 2008.
O Independent Games Festival é um festival que ocorre todos os anos durante a Game Developers Conference e tem como objetivo incentivar e premiar a inovação nos jogos independentes. Em 2008 o festival completa 10 anos de existência e vai distribuir $50.000 em prêmios.
Quando criado o festival tinha como objetivo ser para a cena independentes de jogos o que o Festival Sundance de Cinema é para os filmes indie. Acredito que o objetivo tenha sido alcançado já que muitos jogos passaram pelo IGF e depois atingiram relativo sucesso. É muito provável que você já tenha ouvido falar ou até mesmo jogado games como Darwinia (para PC através do Steam), Alien Hominid (para PS2, GameCube, Xbox, Xbox Live Arcade e PC), Dofus (RPG online em Flash), Castle Crashers (a ser lançado para Xbox Live Arcade) e Aquaria, o vencedor de 2007.
Um evento desses acontecendo no maior festival de desenvolvimento é de extrema importância porque aproxima os desenvolvedores indepenentes das grandes empresas do mercado e ajuda na conclusão de vários projetos. O prêmio de $20.000 para o vencedor da categoria principal é um belo incentivo e sem dúvidas ajuda os pequenos estúdios a sobreviverem até o lançamento dos jogos.
As categorias premiadas atualmente são Web Browser Game, Design Innovation, Excellence in Visual Art, Excellence in Audio, Technical Excellence e o principal: Seumas McNally Grand Prize, que tem esse nome em homenagem a um desenvolvedor premiado no festival que veio a falecer pouco tempo depois. Nessa décima edição o IGF também terá uma versão mobile com categorias exclusivas afim de premiar jogos para portáteis.
Entre os concorrentes os meus preferidos são Crayon Physics Deluxe, Fez, World of Goo e Fret Nice. Destaque para o último que é um jogo de plataforma feito para ser jogado com os controles-guitarra de jogos como Guitar Hero e Rock Band. No site oficial você pode conferir a lista completa de finalistas com descrição, screenshot e link para o sites de cada jogo.


Cave Days é um jogo de plataforma criado pela empresa brasileira Insolita Studios. Encontrei esse jogo navegando ao acaso pela internet e considero uma surpresa agradável, ainda mais sabendo que é um produto nacional.
A história se passa na época dos dinossauros e o jogador controla dois homens das cavernas que gostam de passar o tempo caçando e assando dinos. O estilo do jogo é bem próximo ao dos jogos de plataforma que reinaram nos gloriosos tempos de SNES. A jogabilidade é boa, a música também agrada e os grunidos usados como vozes para os personagens principais combinam bem com o estilo engraçadinho do jogo. Esse estilo é o que dá mais personalidade a Cave Days, o jogo inteiro e principalmente as cut-scenes são cheias de piadinhas que até me arrancaram algumas risadas.

Hoje não é quarta, mas apareceu no Kotaku bateu vontade de falar sobre um projeto independente. Project Valkyrie é um mod de Half-Life 2 baseado em Metroid Prime. Aparentemente, é uma tentativa de fazer Metroid funcionar em multiplayer. E, se é possível julgar pelos vídeos e imagens liberados até agora, parece funcionar.
Ah, mas tem um detalhe: o mod não é exatamente baseado em Metroid. Ou pelo menos é isso que a equipe de desenvolvimento quer que os advogados da Nintendo pensem. Sendo assim, só resta encarar as personagens femininas com armaduras deformadas, os canhões nos braços e as bolas que soltam bombinhas como uma grande “homenagem”.
O projeto tem lançamento previsto para março do ano que vem. Confira mais informações no link abaixo.
[Project Valkyrie, via Kotaku]
Cara, é tão legal ter um blog só seu. É legal e eu vou te dizer por quê: porque o único motivo que eu preciso ter pra postar alguma coisa aqui é eu ter vontade. E é por isso, só por isso, que eu apresento a vocês o trailer de N+ para a Live Arcade. Tosco, simplório, completamente não-empolgante, mas dane-se. Esse jogo é lindo, maravilhoso e quanto mais pessoas me dizem que não conhecem, mais eu gosto dele. Não que uma coisa tenha a ver com a outra.
Como não custa repetir, N+ é a versão para consoles de um jogo freeware que você pode baixar aqui. Está saindo agora para Xbox Live Arcade e chega em breve para Nintendo DS e PSP. E quem comprar e me apresentar prova do fato tem direito a escolher o tema de um post aqui no Continue e se divertir às minhas custas. Qualquer tema. Se quiserem que eu escreva sobre a diferença de velocidade de secamento de cuecas em varais expostos e não expostos ao vento, eu escrevo. Se quiserem que eu escreva sobre animais que não produzem som, eu escrevo. Se quiserem que eu escreva um post-jabá sobre o seu blog/site ainda desconhecido, eu vou achar meio sem criatividade, mas escrevo também. Basta me provar que você comprou o game, de preferência as versões com caixinha.

Passage é um jogo criado por Jason Rohrer e apresentado ao mundo no festival independente Gamma 256. Esse festival impõe algumas limitações técnicas aos desenvolvedores com objetivo de estimular a criação de novos conceitos e designs. Umas das limitações é que os jogos devem ter apenas 256 pixels de resolução e serem curtos, no máximo cinco minutos. Jason respeitou todas as regras e criou um jogo de exploração, limitado tecnicamente mas muito rico em conteúdo.
Em Passage o jogador deve explorar o seu mundo, apenas explorar. Sem muitas regras. Inicialmente pode até parecer sem graça explorar um mundo feito em resolução de 100×12 mas com o passar dos minutos o jogador entende a mensagem.
Eu vou explicar a mensagem após o continue, mas este — confie em mim — é um spoiler que você não quer ter antes de jogar o jogo. Portanto eu peço a você que baixe esta pérola de 90KB e gaste míseros cinco minutos da sua vida em um experiência que você provavelmente vai lembrar por muito tempo. Depois volte aqui pra gente conversar.
Saiu a boxart do jogo N+, para Nintendo DS. É essa aí à direita. Mas por que eu estou dando esta notícia, sendo que provavelmente nenhum dos senhores está esperando ansiosamente pelo jogo? Por dois motivos:
Porque eu estou esperando ansiosamente pelo jogo, e porque você também deveria estar.
N+ é um jogo indepentente que deu certo. É a versão “plus” do jogo N, da Metanet Software, que você pode (e deve) baixar clicando aqui. É freeware. E a palavra freeware começa com free porque é de graça. Então não tem desculpa.
Além de “independente” e “freeware”, outro adjetivo extremamente apropriado para o N é “desumanamente difícil”. É um jogo de plataforma que consiste unicamente em sair do ponto A, tocar em alguns sensores que abrem a porta B e correr pra lá, opcionalmente coletando uns quadradinhos dourados pelo caminho. Ele começa numa boa, tranquilo, mas logo o design de fases e a inteligente programação dos inimigos/obstáculos mostra que o seu real objetivo é te deixar sem cabelo e sem sanidade. Você precisa ser mestre nos pulos calculados para passar das fases mais avançadas. Algo que os jogos do Mario não fazem por você desde Lost Levels. Eu recomendo fortemente.

[Nota do editor: Além de ser dono do Oitobits, entusiasta de programação, apaixonado por desenvolvimento de games AND carpinteiro digital do Continue (quem você acha que mexeu no CSS do blog? Eu? Hahaha!), o Vinicius Silva agora vai escrever a coluna Quarta Indie aqui para nós. Toda quarta-feira um preview, review ou discussão sobre o mesmo tema: jogos independentes, saídos das garagens de pessoas criativas e sem grana do mundo inteiro. E começa agora. Foi!]
Aquaria é o mais novo título indie no mercado. O projeto, vencedor do Independent Games Festival de 2007, era aguardado por bastante gente no cenário independente.
O jogo se passa em um universo aquático, e o jogador controla Naija, uma espécia de sereia que tem a capacidade de soltar magias e usar canções que melhoram suas habilidades. Segundo os desenvolvedores, o jogador pode usar o mouse, o controle de Xbox 360 ou o teclado para movimentar Naija. Eles destacam o sistema intuitivo que fizeram para o uso do mouse, permitindo total controle do jogo.
O que mais me impressionou nos vídeos e screenshots foi a qualidade da arte. Os sons e imagens são fantáticos! A ausência de uma HUD aliada com a qualidade da arte faz com que o jogo pareça um quadro em movimento.
É fantástico pensar que um jogo tão refinado é trabalho de apenas duas pessoas. A Bit Blot é composta somente por Derek Yu e Alec Holowka, figuras conhecidas no cenário independente. Segundo o site da produtora o jogo começou a ser desenvolvido em 2005 e foi lançado (somente na internet) recentemente ao preço de U$30, o que eu acho justo pelo nível do trabalho. Afinal, tem gente por aí que já gastou duas ou três vezes esse valor em jogos do Virtual Console ou da Live Arcade.
Dê um pulo no site oficial do jogo, baixe o demo para Windows e confira você mesmo o que dois apaixonados pelo desenvolvimento de jogos podem fazer. Se não ficou com vontade de fazer isso até agora, o vídeo e as telas abaixo provavelmente vão te fazer ficar.
E se gostar, considere seriamente incentivar comprando o jogo. Acredite, esses caras fazem coisas fantásticas e precisam muito mais da ajuda dos jogadores do que esse povo que lança jogos com nomes de algum esporte qualquer seguido pelo ano de lançamento.