
Não foi bem ontem que rolou toda a treta Jeff Gerstmann vs. GameSpot/CNET. Já faz um tempinho. A poeira já estava começando a baixar, o mundo já estava começando a esquecer… mas aí um cara chamado Sam Kennedy, que trabalha no 1UP, reacendeu todo o papo com o maior e melhor texto sobre o caso até agora.
Ele dissecou o episódio por completo, e o que era para ser apenas um post no blog dele acabou se tornando digno de ser exibido como matéria de capa no site (o que não aconteceu). Portanto, se você ainda tem alguma dúvida sobre o que exatamente aconteceu e o que tudo aquilo significou para o mundo dos games, especialmente para a imprensa, não deixe de ler GameSpot’s Sad State of Affairs.
É um texto longo, mas eu definitivamente recomendo.
Atualização: como eu não entendo absolutamente nada de como funciona a lei e os trâmites dela (vivo bem mais feliz assim), o post do Daniel Trezub veio bem a calhar ao apontar os erros factuais deste e de vários outros posts sobre o assunto. Aconselho a leitura.
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Agora é oficial, minha gente. Vivemos em um país de merda. Peguem os pandeiros, os tamborins, façam umas fantasias de burro e escrevam “Ignorância e Regresso” na bandeira do Brasil. Depois peguem tudo isso, montem um bloco de carnaval e vamos cair na folia! Porque este ano não há tema melhor para samba-enredo do que este:
Em cumprimento de decisão judicial proferida pelo Juízo da 17a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, válida em todo o território nacional, nos autos da Ação Civil Pública n° 2002.38.00.046529-6, o PROCON/GO está apreendendo no Estado de Goiás os jogos virtuais de vídeo-games e computadores: “Counter-Strike” e “Everquest”, que foram considerados impróprios para o consumo, na medida em que são nocivos à saúde dos consumidores, em ofensa ao disposto nos artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV, todos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. (Site do PROCON de Goiás)
Não deve ser difícil trocar umas palavrinhas aqui e ali e fazer isso rimar. Vai ser 10 na avenida, com certeza. Pra quem está se perguntando qual o motivo de se proibir dois jogos já tão antigos quando se tem carne nova para atacar (Manhunt 2, alguém? Pelo menos ninguém ia sentir falta), eis motivo oficial, publicado no site:
O jogo “Counter Strike” (reféns, bomba, fuga, assassinato, armas, técnicas de guerra, táticas de guerrilha) reproduz a guerra entre bandidos e policiais e impressiona pelo realismo. O jogo foi criado nos Estados Unidos e adaptado para o Brasil. No vídeo-game, traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas. A polícia invade o local e é recebida a tiros.
O participante pode escolher o lado do crime: virar bandido para defender a favela sob seu domínio. Quanto mais PM´s matar, mais pontos. A trilha sonora é um funk proibido. Nessa escala de violência, cada um escolhe suas armas: pistolas, fuzis e granadas. Na visão de especialistas, o jogo ensina técnicas de guerra, haja vista o jogador deve ter conhecimento sobre táticas de esconderijo, como se estivesse numa guerrilha.
O jogo “Everquest” leva o jogador ao total desvirtuamento e conflitos psicológicos “pesados”; pois as tarefas que este recebe, podem ser boas ou más. As más vão de mentiras, subornos e até assassinatos, que muitas vezes depois de executados, o jogador fica sabendo (ou não) que era apenas uma armadilha para ser testado para entrar em um clã (grupo).
Os jogos violentos ou que tragam a tônica da violência são capazes de formar indivíduos agressivos, sobressaindo evidente que é forte o seu poder de influência sobre o psiquismo, reforçando atitudes agressivas em certos indivíduos e grupos sociais.
Aviso de amigo, Procon: com quase dez anos de estrada, não há um jovem que ainda não tenha jogado CS e recebido “treinamento de guerrilha”. Vocês estão mais atrasados que relógio de camelô com bateria xingling. Outro aviso: joguem Portal. Tem uma cena terrível onde o jogador deve atirar no incinerador o seu melhor amigo, assassinando-o de maneira repulsiva e fria. Vocês vão querer proibir este também.
Conforme o texto no site, os cidadãos de Goiás já estão sendo instruídos a reportar qualquer ocorrência de comercialização destes jogos às autoridades responsáveis. Mas esta é uma medida que afeta o país inteiro.
Agora é a hora que você espera que eu brade palavras de ordem para que todos divulguem, reclamem publicamente, façam suas vozes serem ouvidas, mandem emails para os resposáveis etc. Ok, façam isso se quiserem. Mas eu pessoalmente não acredito que resultará em qualquer efeito positivo. O povo, como vocês bem sabem, só serve para duas coisas: votar e pagar imposto. A única maneira dessa situação ser revertida é com a intervenção de gente que tem grana, porque grana é igual a voz. A Electronic Arts, que é quem publica os jogos da Valve no Brasil, seria a mais indicada, já que isso diz respeito diretamente a um dos produtos dela. A Microsoft também. Apesar de não ter à primeira vista nada a ver com a história, esta decisão do Procon é prejudicial ao mercado de games no Brasil, onde a Microsoft é a big player, está investindo pesado e quer ver retorno e prosperidade. Um retrocesso não vai ser nada bom para ela também.
Sem contar que a qualquer momento um funcionário do Procon pode chegar em casa e ver o filho serrando alguém ao meio em Gears of War, aí já viu.
É, amigos. No país do carnaval, quem dança somos nós.
[Valeu ao Gil, ao GUS e aos leitores que enviaram pelo formulário de contato antes que eu visse essa notícia em algum outro lugar. E valeu ao Lef também, que já tinha começado a escrever este post quando eu tiranamente disse que eu queria escrevê-lo.]
[ATUALIZAÇÃO 17/01: Já era. Depois de ameaçado juridicamente pelo Lucas do GoLuck (eu preferi só dar risada da situação), o guri apagou os posts e fez que ia começar a "se comportar". Mas aí lembrou que o nome e a marca que ele tava usando como sendo dele também são registrados, então apagou o blog. Tomara que comece logo outro!
]
Hoje a internet ganhou mais um blog bacaníssimo de games. Estou falando do maravilhoso Supergamepower. Não sei nem por onde começar a comentar tamanha genialidade em forma de blog.
Sei sim, pensando bem. Pelo nome! Onde vocês já viram um nome tão original e criativo? Ele me soa familiar, por algum motivo, mas estou certo que é um daqueles casos de um nome tão estupendamente incrível que a gente meio que se recusa a acreditar que nunca foi usado antes.
E o que falar da tagline? “Os super games se encontran” Tão sutil, tão ácido, tão crítico… e em Comic Sans!! Quem dera ter sido eu o criador…
Mas nada disso supera a supremacia incontestável do conteúdo. O blog já tem três posts! Um é o obrigatório “Hello world!” (o quê? Vocês apagam o de vocês quando criam um blog? Heresia!), e os outros dois são uma importante denúncia e uma pertinente discussão sobre hype. Ih, errei os links… Quem são esses dois aí, o Continue e o GoLuck? Devem ter copiados os posts do SGP, bando de sanguessugas de conteúdo! Um dia no ar e o SGP já teve dois posts copiados, deve ser um recorde!
Pra terminar: reparem que o link para o meu nome no post sobre o hype foi pertinentemente alterado para apontar para o post de hoje deste blog sobre um cara que tem 46% do cérebro ocupado por memórias relativas à Nintendo, como quem me acusa de ser nintendista (o que eu não nego ser, apenas nego que influencie na minha capacidade de ser imparcial). É claro que o anônimo dono de tão sensacional blog tem todo o direito de linkar o meu nome para onde ele quiser, mas eu tenho quase certeza de que, na fictícia hipótese daquele post já ter sido publicado em outro lugar, o link apontaria para o meu perfil no Facebook.
Está dada a dica. Entrem no blog e comentem. Comentem MUITO, porque esse aí merece. Vocês sabem que tipo de comentários, não sabem?
E ficam meus parabéns a quem sabe criar em vez de copiar.
Nada como uma grande marca estadunidense e um editor que não tem papas na língua. Dan Hsu, editor-chefe da Electronic Gaming Monthly lá de fora, fez um editorial bastante interessante na última edição da publicação. Eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas de acordo com o site VGM Watch, Shoe lista os nomes de três empresas que baniram a EGM de fazer qualquer tipo de cobertura de seus futuros jogos, graças à reviews muito rigorosos. São elas a Ubisoft, a divisão de esportes da Sony, e o time de desenvolvimento de Mortal Kombat da Midway.
O assunto já virou recorrente na indústria. Depois do caso do Kotaku contra a Sony e da demissão do Jeff Gerstmann da Gamespot, cada vez mais se especula sobre a credibilidade dos veículos da mídia especializada de grande e (principalmente) médio porte. E o problema não é nem sobre os casos que vêm a público - afinal, se em cada um desses veículos alguém se manifestou, é porque há integridade em pelo menos uma das partes. O perigo mora nas situações onde tudo se mantém por baixo dos panos, geralmente por medo do site/revista em perder o material exclusivo de algum grande jogo ou produtora importante.
Com bem disse o sábio (?!) Bracht, o principal patrimônio de um veículo de informação é a confiança dos seus leitores. E é claro que nos enchemos de repulsa toda vez que vem à tona algum caso de falta de integridade- geralmente não por parte da imprensa, mas da própria indústria, que ainda precisa amadurecer bastante para chegar no patamar esperado pelos jogadores.
Enquanto isso, fico me perguntando com que freqüência coisas assim acontecem no mundinho da imprensa especializada brasileira, sem nunca chegar ao conhecimento do público. Não que faltem colhões, mas são poucos que têm a moral de um Dan Hsu e ainda uma marca de tamanho porte por trás para apoiar. Em contrapartida, há o argumento de que os nossos reviews não são assim tão relevantes quanto os de um Gamespot da vida. Ou são?
Esta “notícia” já saiu aqui e ali e talvez em Internet Time já seja considerada OLD, mas é tão bizarra, boba e divertida que eu não resisti e tive que postar aqui também. Aparentemente uma massa de usuários “bem intencionados” resolveu digitar “Nintendo Wii” no Google Translate e depois “sugerir uma tradução melhor”. O resultado você confere se fizer o teste em Inglês para Italiano/Português/Espanhol ou Espanhol para Inglês. “Nintendo Wii” vira “PlayStation”.
E não é só isso: dependendo da frase (ou não, não fiquei tanto tempo assim testando), também pode virar “PC”.
Agora me responda: como a gente se divertia há alguns anos atrás, sem internet?

O mercado japonês de games é bem estranho. Muitos jogos excelentes acabam com vendas ridículas por lá, e eles conseguem idolatrar várias coisas que são simplesmente passáveis para mim - sendo Final Fantasy uma delas. Mas como excentricidade é algo que muitas vezes cai bem, a Famitsu teve a idéia peculiar de convocar Jade Raymond, a famigerada produtora de Assassin’s Creed, para fazer uma entrevista com Hideo Kojima, o gênio por trás da série Metal Gear.
Jade começou perguntando sobre as diferenças na cultura e na jogabilidade e como ele cria jogos que fazem sucesso tanto no oriente quanto no ocidente. Kojima discorreu sobre vários fundamentos do game design e, como bom criador, citou algum dos recursos que pretende implementar em Guns of Patriots.
Os fundamentos do design e como o jogo é controlado vêm do meu instinto, então estes aspectos são estabelecidos primeiro. O resto nós ajustamos dependendo da região. Por exemplo, o novo sistema onde você pode ler livros para restaurar o seu espírito está em todas as versões do jogo, mas coisas como a velocidade da recuperação são alteradas de região para região.
Bacana. Mas, com caras chatos como Jack Thompson tanta polêmica e discussões sobre como jogos violentos afetam o mundo contemporâneo, como Kojima lida com tudo isso? O pai de Snake quer mesmo que os jogadores entendam o verdadeiro significado da violência.
Eu não acho que haja muitos jogos que combatam a violência. Quando você atinge alguém ou infringe dor, os rostos ficam desfigurados, por exemplo. Quero criar jogos que mostrem este tipo de coisa. Se você não percebe a dor, você não é capaz de entender o que você fez, e vai simplesmente passar pelas batalhas sem tomar responsabilidade pelas suas ações. Eu não quero que isso seja ignorado, mas sim que os jogadores pensem, mesmo que só um pouco, sobre o que é a violência e o que é a guerra.
E isso não é da boca pra fora. Quem jogou Metal Gear Solid 3 até o final sabe que Kojima é mestre em manipular o sentimento dos jogadores e nos fazer sentir responsáveis pelos “nossos” atos.
Por fim, houve aquela rasgação de seda clichê. Depois de Raymond ter admitido que MGS influenciou bastante Assassin’s Creed, Kojima decidiu elogiar o polêmico jogo da Ubisoft.
Preciso escolher minhas palavras com cuidado para que não me entendam mal, mas eu penso que atualmente há menos desenvolvedores que pensam em fazer um bom jogo. Como criador, isso me entristece, mas quando vejo equipes como a de Assassin’s Creed fico mais confiante. Eu quero que Assassin’s Creed venda bastante.
[via GameDaily]

Tudo começou três dias atrás, quando o Destructoid anunciou que a Harmonix iria lançar um patch de atualização para Rock Band que tornaria o jogo compatível com as guitarras do concorrente Guitar Hero III no PS3. (No Xbox 360 o problema não rola.) Como um vilão de desenho animado que aparece para estragar o dia, a Activision parece ter sabotado os planos da fantástica fábrica de games musicais. Passou um dia, dois, e nada da atualização chegar.
Aparentemente com dor de cotovelo pela guitarra concorrente ser bem mais estilosa, a RedOctane (produtora de Guitar Hero em parceria com a Activision e responsável por manufaturar as guitarras) manifestou seu desinteresse em criar uma compatibilidade entre os dois games. “Eu não acho que nós estamos muito interessados em ter a guitarra deles funcionando no nosso jogo, porque eles têm vários problemas com aquelas periféricos”, disse Charles Huang, da RedOctane, para o 1UP. “Do nosso ponto de vista, sendo bem sincero, se você sabe que o produto do seu competidor tem problemas, não há muita motivação em fazer esses controles problemáticas funcionarem no seu jogo. Por que você iria causar a você mesmo uma dor de cabeça?”
Essa é nova pra mim. Alguém tinha ouvido falar nos problemas com as guitarras de RB? O máximo que já escutei foram problemas na bateria, justamente por ser o acessório mais inovador e tudo mais. E, mesmo que seja verdade, não seria mais justo deixar essa decisão nas mãos do consumidor? Por sinal, pára tudo. Depois do Continue, um momento de reflexão.

Uma discussão recorrente entre os nomes do jornalismo de games no Brasil é a clássica ladainha de “como os americanos estão melhores do que a gente em todos os sentidos”. Lá é tudo mais fácil: as produtoras estão à distância de a uma viagem de táxi ou uma ponte aérea rápida, as assessorias de imprensa das várias empresas que não têm representantes no Brasil são mais acessíveis, a indústria e o mercado (inclusive o editorial) como um todo são mais maduros.
Nessa vontade de achar que o Brasil é horrível em comparação com o “centro do mundo” (não deixa de ser, mas, enfim), é fácil esquecer que, quanto mais alto se está, mais dói a queda. Digo isso porque o caso a seguir já aconteceu diante dos meus olhos no meu pouco tempo de carreira, aqui no Brasil, só que ninguém ficou sabendo, e, mesmo se ficasse, o estrago teria sido muito menor. De que caso eu estou falando? Este: Jeff Gerstmann, membro antigo da equipe de reviewers do GameSpot (o mesmo que deu o polêmico 8.8 para Zelda: Twilight Princess) foi demitido por ter dado uma nota 6 para o jogo Kane & Lynch: Dead Man.
Repito, sem links, para sua comodidade: foi demitido por ter dado uma nota 6 para o jogo Kane & Lynch: Dead Man.
Quem acessa o site com um pouco de frequência já deve ter reparado que o jogo tem sido um dos maiores anunciantes, exibindo banners gigantescos e outras ações promocionais. É óbvio que o pessoal que colocou toda essa grana de publicidade dentro do GameSpot não gostou nem um pouco de ter o seu jogo tão mal avaliado, e começou a pressão que culminou na demissão do Sr. Gerstmann, presumivelmente o sujeito de melhor índole dentre todos os envolvidos. O elo mais fraco, óbvio.
Mesmo se o jornalista tivesse sido chamado para “uma conversinha” no escritório do chefe, sem ninguém ficar sabendo, isso já seria um absurdo. Um cérebro não precisa ter nada mais do que capacidade de raciocínio lógico de nível baixo para saber que o principal patrimônio de um veículo de informação é a confiança dos seus leitores. Nenhum dinheiro de publicidade compra isso. Nenhum prejuízo por causa de um review negativo será maior do que o prejuízo de perder esta confiança.
Eu não acompanhava notícias, podcasts ou qualquer outro conteúdo do GameSpot, nem do seu principal concorrente, o IGN (prefiro minhas notícias de fontes independentes). Mas, entre os dois, eu sempre preferi o GameSpot, porque odeio o layout baseado em poluição visual do IGN. A partir de agora, quando eu precisar daquela screenshot que não encontro em outro lugar, vou direto pro IGN. Credibilidade ganha de design com uma mão nas costas.
Essa eu acho que passou despercebida pelo radar da mídia de games: para promover o seu laptop Vaio, a Sony aparentemente* encomendou um advergame para um estúdio chamado KillerViral. Só que a KillerViral esqueceu de encomendar criatividade, e me saiu com uma solução risível, o VaioWare.
(* Eu digo “aparentemente” porque não consegui encontrar confirmação de que isso foi mesmo encomendado pela própria Sony. Pelo naipe do site da KillerViral, não parece. Mas o jogo é claramente um advergame, e nunca ouvi falar de algum que tenha sido feito sem ser encomendado.)
Só pelo nome já dá para adivinhar que trata-se de um webgame que a) exibe a marca do laptop Vaio sem parar, b) consiste em uma série de microgames e c) não tem nenhuma vergonha na cara. Até o molequinho ali da foto que tá com um capacete lembra o personagem 9-Volt, do WarioWare!
Parece-me que essa campanha já existe há um bom tempo, mas eu nunca tinha visto e rachei o bico quando vi ontem. Você já conhecia?