
Então eis que o UOL Jogos noticia o fato mais risível do dia. Metal Gear Solid 4, aquele MEGATON que vai agraciar o desagraciado* PlayStation 3 em junho próximo só falará uma língua de cada vez. A versão americana só terá diálogos e legendas em inglês, enquanto a versão japonesa só terá diálogos e legendas em japonês, e por aí vai.
Isso, em si, não é nada absurdo. O que realmente pega nesse papo todo é o motivo alegado pela Konami: falta de espaço em disco. Detalhe: falta de espaço em disco no todo-poderoso Blu-ray, o Senhor dos Discos Gigantescamente Enormes, com seus nada modestos 50GB de capacidade de armazenamento.
Mano, 50GB… Vamos parar pra pensar.
Uma das maiores pavoneadas a que a Sony recorria para cantar as superioridades da mídia escolhida para o PS3 era justamente o fato de que, com tanto espaço em disco, os desenvolvedores teriam espaço de sobra colocar muito conteúdo extra, gráficos e texturas em máxima definição e… múltiplas faixas de áudio. E agora, no primeiro grande jogo da máquina, uma produtora grande e respeitada como a Konami fala uma coisa dessas?
Eu não compro essa história nem por um segundo. Espaço em disco meu ovo, os caras estão é com preguiça. Sabem que vai vender que nem broche de brócolis em convenção de vegetariano e não estão nem aí pra essas trivialidades, por mais que alguns gamers achem isso importante. É o mesmo raciocínio por trás da decisão da Rockstar de não fazer um demo para GTA IV. Vai vender de qualquer jeito… Why Bother?
Ou isso ou MGS4 tem mais diálogo do que um episódio de Gilmore Girls. Eu não achei que isso fosse possível, mas pra encher 50GB…
*Sim, eu tenho consciência de que essa palavra provavelmente não existe.

Você já deve ter visto aqueles ambientes gamer “pimpados” para oferecer a melhor experiência possível ao usuário, né? Claro que sim, tem aquela central de World of Warcraft com trocentos computadores, aqueles aglomerados de monitores pra jogar Flight Simulator enquanto curte uma brisa (rá!), e até as caixas de som boladonas no quarto daquele seu vizinho, filho do médico. Mas esse cara aqui quis levar a sério o termo home theater, e exagerou.
De acordo com o sujeito que postou as fotos no fórum PlayStation.com, a brincadeira custou nada menos que seis milhões de dólares. O conjunto inclui 35 amplificadores, 37 alto-falantes e, pasme, um PlayStation 3. Veja a lista completa dos equipamentos:
Picture Elements:
Sony SRX-S110 Professional Video Projector
Stewart 18-by-10-foot Snowmatte 1.0 Gain Laboratory-Grade Motion Picture ScreenPlayers and Sources:
Sony BDP-S1 Blu-ray Player
Sony PlayStation 3 Gaming Console
Toshiba HD-XA1 HD DVD Player
JVC HMDH-5U D-VHS Recorder
SATA Drive (72 HDTV Hours Total)
Mark Levinson N° 51 DVD/CD Media Player
Pioneer HLD-X0 Hi-Vision HDTV MUSE Laserdisc PlayerSurround Processing and Decoding:
Theta Digital Generation VIII 32-bit 8x Oversampling Dual Processors (13)Amplification:
Mark Levinson N° 33h Amplifiers (2)
McIntosh MC-2102 Amplifiers (30)
Crown Macro Reference Gold Amplifiers (3)Speakers:
Snell 1800 THX Music & Cinema Reference Subwoofers (16)
Snell THX Music & Cinema Reference Towers (8)
MuRata ES103A Super Tweeters (10)
Snell THX Music & Cinema Reference LCR-2800 Center-Channel Speakers (3)
Aquele “Sony PlayStation 3 Gaming Console” não foi grifado por mim, e sim pelo cara que postou as fotos e as especificações – talvez o dono da parafernália. Para mim, as letras em vermelho gritam “Sim meu, eu gastei 6 milhões pra jogar essa merda, LOL!“, mas talvez não fosse bem isso o que ele queria dizer. Pelo menos eles ganharam do HD-DVD, né!
Opiniões pessoais à parte, note que na primeira foto o telão está rodando Ratatouille, e em outra delas quem está sentado no sofá é o cachorro, provavelmente jogando Motorstorm enquanto seu dono espera por Devil May Cry 4 e gasta dinheiro pra passar o tempo. Desgraçado, com seis milhões eu comprava um GameCube com Prince of Persia: Sands of Time para cada amigo meu e um para cada orfanato na África, e ainda sobrava pra comprar um fone de ouvido legal… (Nota do Bracht: com seis milhões, eu faria um remake de Chrono Trigger)
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Parece que não é só no Brasil que temos jornalistas tendenciosos e muita ignorância sobre os videogames. A diferença é que os gringos estão um pouco mais atualizados. Foi ao ar alguns dias atrás uma reportagem no canal americano FOX NEWS em que vários “especialistas” discutiam sobre as cenas de sexo que aparecem em Mass Effect. Primeiro, eles chamam Geoff Keighley, da SpikeTV, para defender o lado dos gamers, ao mesmo tempo em que uma psicóloga “super entendida” mete o pau no jogo. Depois, para eliminar amenizar a discussão, a apresentadora decide simplesmente encerrar o debate e falar com os demais “super entendidos” que estão no estúdio.
O pior é que a tal psicóloga e apresentadora disparam absurdos do naipe de “as mulheres são simplesmente cultuadas pelos seus corpos, vistas como objetos de desejo” e “infelizmente, você ainda precisa estar envolvido com o que seus filhos estão olhando… o trabalho dos pais está cada vez mais difícil!”. Pois é… tudo culpa dos videogames. Eu até teceria alguns comentários irônicos agora, mas prefiro deixá-los para os comentários.
E a EA (mais nova dona da BioWare) se pronunciou a respeito, mandando uma carta para o canal pedindo por uma correção e explicando que muita coisa foi deturpada na reportagem. Depois de negar que o jogo possua nudez frontal ou esteja sendo vendido para crianças ou adolescentes, a EA faz uma comparação assaz interessante.
Vocês assistem o canal Fox? Vocês assistem Family Guy? Vocês já viram The OC? Vocês acham que as situações de sexo em Mass Effect são mais explícitas do que as cenas freqüentemente exibidas nesses programas? Vocês honestamente acreditam que jovens são mais expostos em Mass Effect do que nesses programas de horário nobre?
Isto não é uma ameaça legal; é um apelo para o seu senso se justiça. Pedimos ao FNC para corrigir a reportagem sobre Mass Effect.
O canal, é claro, respondeu dizendo que já convidou representantes da EA para aparecem no programa, mas até agora não recebeu resposta. Independente disso, seria interessante ter uma instituição mais presente e potente aqui no Brasil para tomar atitudes como esta naquele caso do banimento, não? É possível que tudo tivesse se desenrolado de forma diferente…
[via Kotaku]
Você vê alguma coisa funcionando nesse país? Você vê alguma coisa dando certo? Hoje em dia nem mesmo as “nossas especialidades” estão salvas: o carnaval está com problemas e o futebol, que eu saiba, já foi muito melhor. Eu posso ter apenas 22 anos, mas já me sinto calejado com esse país.
Sou extremamente otimista com relação a quase tudo, inclusive com relação às pessoas — eu sempre espero o melhor delas, correndo o risco de me desapontar –, mas esse Brasilzão não me inspira a menor das confianças. Por isso eu disse que não acreditava que qualquer tipo de reação fosse nos ajudar no caso da ridícula proibição do Counter Strike e do EverQuest. E mantenho a opinião.
Mas GUS e o Douglas Pereira (ambos do recém-criado blog Liberdade Gamer) não pensam assim e estão organizando um protesto em plena Avenida Paulista, no coração de São Paulo.
Se você gosta de jogos, mesmo que não desses dois em especial, venha participar desse movimento para evitar ações arbitrárias como essa, que visam tirar a sua liberdade de escolha. Se o Ministério da Justiça já classifica os jogos, por que, então, proibir a venda de um produto que já é regulamentado pelo Estado? Não é suficiente a Classificação Indicativa? Onde fica a democracia? A liberdade de escolha?
Alegam que esses jogos são nefastos e podem causar danos a crianças e adolescentes, mas atroz mesmo é tirar dos pais o poder de decidir o que é melhor para os seus filhos e quando. Alegam que os jogos fazem mal e, portanto, devem ser retirados do mercado.
E quanto ao cigarro? E quanto à bebida? E quanto à venda de armas de fogo, não pudemos votar em plebiscito se teríamos ou não esse direito? Armas matam pessoas, no entanto, uma pessoa tem o direito de comprá-las. E querem proibir a venda de jogos.
Mesmo cético em relação aos resultados que isso pode alcançar, eu pretendo dar um pulo lá, me fazer presente. Como eu disse: eu não boto fé no Brasil, mas boto fé nas pessoas.
O protesto está marcado para sábado, dia 2 de fevereiro, às 11 horas, sob o vão do MASP. Sim, em pleno feriadão de carnaval. Eu conversei com o GUS sobre isso ontem, e ele me afirmou que fazer uma semana antes (amanhã, no caso) seria “muito em cima”, e uma semana depois o caso já teria esfriado.
De qualquer modo, a data ainda pode mudar. Qualquer coisa a gente te avisa.

Não foi bem ontem que rolou toda a treta Jeff Gerstmann vs. GameSpot/CNET. Já faz um tempinho. A poeira já estava começando a baixar, o mundo já estava começando a esquecer… mas aí um cara chamado Sam Kennedy, que trabalha no 1UP, reacendeu todo o papo com o maior e melhor texto sobre o caso até agora.
Ele dissecou o episódio por completo, e o que era para ser apenas um post no blog dele acabou se tornando digno de ser exibido como matéria de capa no site (o que não aconteceu). Portanto, se você ainda tem alguma dúvida sobre o que exatamente aconteceu e o que tudo aquilo significou para o mundo dos games, especialmente para a imprensa, não deixe de ler GameSpot’s Sad State of Affairs.
É um texto longo, mas eu definitivamente recomendo.
Atualização: como eu não entendo absolutamente nada de como funciona a lei e os trâmites dela (vivo bem mais feliz assim), o post do Daniel Trezub veio bem a calhar ao apontar os erros factuais deste e de vários outros posts sobre o assunto. Aconselho a leitura.
* * * * *

Agora é oficial, minha gente. Vivemos em um país de merda. Peguem os pandeiros, os tamborins, façam umas fantasias de burro e escrevam “Ignorância e Regresso” na bandeira do Brasil. Depois peguem tudo isso, montem um bloco de carnaval e vamos cair na folia! Porque este ano não há tema melhor para samba-enredo do que este:
Em cumprimento de decisão judicial proferida pelo Juízo da 17a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, válida em todo o território nacional, nos autos da Ação Civil Pública n° 2002.38.00.046529-6, o PROCON/GO está apreendendo no Estado de Goiás os jogos virtuais de vídeo-games e computadores: “Counter-Strike” e “Everquest”, que foram considerados impróprios para o consumo, na medida em que são nocivos à saúde dos consumidores, em ofensa ao disposto nos artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV, todos do Código de Proteção e Defesa do Consumidor. (Site do PROCON de Goiás)
Não deve ser difícil trocar umas palavrinhas aqui e ali e fazer isso rimar. Vai ser 10 na avenida, com certeza. Pra quem está se perguntando qual o motivo de se proibir dois jogos já tão antigos quando se tem carne nova para atacar (Manhunt 2, alguém? Pelo menos ninguém ia sentir falta), eis motivo oficial, publicado no site:
O jogo “Counter Strike” (reféns, bomba, fuga, assassinato, armas, técnicas de guerra, táticas de guerrilha) reproduz a guerra entre bandidos e policiais e impressiona pelo realismo. O jogo foi criado nos Estados Unidos e adaptado para o Brasil. No vídeo-game, traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas. A polícia invade o local e é recebida a tiros.
O participante pode escolher o lado do crime: virar bandido para defender a favela sob seu domínio. Quanto mais PM´s matar, mais pontos. A trilha sonora é um funk proibido. Nessa escala de violência, cada um escolhe suas armas: pistolas, fuzis e granadas. Na visão de especialistas, o jogo ensina técnicas de guerra, haja vista o jogador deve ter conhecimento sobre táticas de esconderijo, como se estivesse numa guerrilha.
O jogo “Everquest” leva o jogador ao total desvirtuamento e conflitos psicológicos “pesados”; pois as tarefas que este recebe, podem ser boas ou más. As más vão de mentiras, subornos e até assassinatos, que muitas vezes depois de executados, o jogador fica sabendo (ou não) que era apenas uma armadilha para ser testado para entrar em um clã (grupo).
Os jogos violentos ou que tragam a tônica da violência são capazes de formar indivíduos agressivos, sobressaindo evidente que é forte o seu poder de influência sobre o psiquismo, reforçando atitudes agressivas em certos indivíduos e grupos sociais.
Aviso de amigo, Procon: com quase dez anos de estrada, não há um jovem que ainda não tenha jogado CS e recebido “treinamento de guerrilha”. Vocês estão mais atrasados que relógio de camelô com bateria xingling. Outro aviso: joguem Portal. Tem uma cena terrível onde o jogador deve atirar no incinerador o seu melhor amigo, assassinando-o de maneira repulsiva e fria. Vocês vão querer proibir este também.
Conforme o texto no site, os cidadãos de Goiás já estão sendo instruídos a reportar qualquer ocorrência de comercialização destes jogos às autoridades responsáveis. Mas esta é uma medida que afeta o país inteiro.
Agora é a hora que você espera que eu brade palavras de ordem para que todos divulguem, reclamem publicamente, façam suas vozes serem ouvidas, mandem emails para os resposáveis etc. Ok, façam isso se quiserem. Mas eu pessoalmente não acredito que resultará em qualquer efeito positivo. O povo, como vocês bem sabem, só serve para duas coisas: votar e pagar imposto. A única maneira dessa situação ser revertida é com a intervenção de gente que tem grana, porque grana é igual a voz. A Electronic Arts, que é quem publica os jogos da Valve no Brasil, seria a mais indicada, já que isso diz respeito diretamente a um dos produtos dela. A Microsoft também. Apesar de não ter à primeira vista nada a ver com a história, esta decisão do Procon é prejudicial ao mercado de games no Brasil, onde a Microsoft é a big player, está investindo pesado e quer ver retorno e prosperidade. Um retrocesso não vai ser nada bom para ela também.
Sem contar que a qualquer momento um funcionário do Procon pode chegar em casa e ver o filho serrando alguém ao meio em Gears of War, aí já viu.
É, amigos. No país do carnaval, quem dança somos nós.
[Valeu ao Gil, ao GUS e aos leitores que enviaram pelo formulário de contato antes que eu visse essa notícia em algum outro lugar. E valeu ao Lef também, que já tinha começado a escrever este post quando eu tiranamente disse que eu queria escrevê-lo.]
[ATUALIZAÇÃO 17/01: Já era. Depois de ameaçado juridicamente pelo Lucas do GoLuck (eu preferi só dar risada da situação), o guri apagou os posts e fez que ia começar a "se comportar". Mas aí lembrou que o nome e a marca que ele tava usando como sendo dele também são registrados, então apagou o blog. Tomara que comece logo outro!
]
Hoje a internet ganhou mais um blog bacaníssimo de games. Estou falando do maravilhoso Supergamepower. Não sei nem por onde começar a comentar tamanha genialidade em forma de blog.
Sei sim, pensando bem. Pelo nome! Onde vocês já viram um nome tão original e criativo? Ele me soa familiar, por algum motivo, mas estou certo que é um daqueles casos de um nome tão estupendamente incrível que a gente meio que se recusa a acreditar que nunca foi usado antes.
E o que falar da tagline? “Os super games se encontran” Tão sutil, tão ácido, tão crítico… e em Comic Sans!! Quem dera ter sido eu o criador…
Mas nada disso supera a supremacia incontestável do conteúdo. O blog já tem três posts! Um é o obrigatório “Hello world!” (o quê? Vocês apagam o de vocês quando criam um blog? Heresia!), e os outros dois são uma importante denúncia e uma pertinente discussão sobre hype. Ih, errei os links… Quem são esses dois aí, o Continue e o GoLuck? Devem ter copiados os posts do SGP, bando de sanguessugas de conteúdo! Um dia no ar e o SGP já teve dois posts copiados, deve ser um recorde!
Pra terminar: reparem que o link para o meu nome no post sobre o hype foi pertinentemente alterado para apontar para o post de hoje deste blog sobre um cara que tem 46% do cérebro ocupado por memórias relativas à Nintendo, como quem me acusa de ser nintendista (o que eu não nego ser, apenas nego que influencie na minha capacidade de ser imparcial). É claro que o anônimo dono de tão sensacional blog tem todo o direito de linkar o meu nome para onde ele quiser, mas eu tenho quase certeza de que, na fictícia hipótese daquele post já ter sido publicado em outro lugar, o link apontaria para o meu perfil no Facebook.
Está dada a dica. Entrem no blog e comentem. Comentem MUITO, porque esse aí merece. Vocês sabem que tipo de comentários, não sabem?
E ficam meus parabéns a quem sabe criar em vez de copiar.
Nada como uma grande marca estadunidense e um editor que não tem papas na língua. Dan Hsu, editor-chefe da Electronic Gaming Monthly lá de fora, fez um editorial bastante interessante na última edição da publicação. Eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas de acordo com o site VGM Watch, Shoe lista os nomes de três empresas que baniram a EGM de fazer qualquer tipo de cobertura de seus futuros jogos, graças à reviews muito rigorosos. São elas a Ubisoft, a divisão de esportes da Sony, e o time de desenvolvimento de Mortal Kombat da Midway.
O assunto já virou recorrente na indústria. Depois do caso do Kotaku contra a Sony e da demissão do Jeff Gerstmann da Gamespot, cada vez mais se especula sobre a credibilidade dos veículos da mídia especializada de grande e (principalmente) médio porte. E o problema não é nem sobre os casos que vêm a público – afinal, se em cada um desses veículos alguém se manifestou, é porque há integridade em pelo menos uma das partes. O perigo mora nas situações onde tudo se mantém por baixo dos panos, geralmente por medo do site/revista em perder o material exclusivo de algum grande jogo ou produtora importante.
Com bem disse o sábio (?!) Bracht, o principal patrimônio de um veículo de informação é a confiança dos seus leitores. E é claro que nos enchemos de repulsa toda vez que vem à tona algum caso de falta de integridade- geralmente não por parte da imprensa, mas da própria indústria, que ainda precisa amadurecer bastante para chegar no patamar esperado pelos jogadores.
Enquanto isso, fico me perguntando com que freqüência coisas assim acontecem no mundinho da imprensa especializada brasileira, sem nunca chegar ao conhecimento do público. Não que faltem colhões, mas são poucos que têm a moral de um Dan Hsu e ainda uma marca de tamanho porte por trás para apoiar. Em contrapartida, há o argumento de que os nossos reviews não são assim tão relevantes quanto os de um Gamespot da vida. Ou são?
Esta “notícia” já saiu aqui e ali e talvez em Internet Time já seja considerada OLD, mas é tão bizarra, boba e divertida que eu não resisti e tive que postar aqui também. Aparentemente uma massa de usuários “bem intencionados” resolveu digitar “Nintendo Wii” no Google Translate e depois “sugerir uma tradução melhor”. O resultado você confere se fizer o teste em Inglês para Italiano/Português/Espanhol ou Espanhol para Inglês. “Nintendo Wii” vira “PlayStation”.
E não é só isso: dependendo da frase (ou não, não fiquei tanto tempo assim testando), também pode virar “PC”.
Agora me responda: como a gente se divertia há alguns anos atrás, sem internet?

O mercado japonês de games é bem estranho. Muitos jogos excelentes acabam com vendas ridículas por lá, e eles conseguem idolatrar várias coisas que são simplesmente passáveis para mim – sendo Final Fantasy uma delas. Mas como excentricidade é algo que muitas vezes cai bem, a Famitsu teve a idéia peculiar de convocar Jade Raymond, a famigerada produtora de Assassin’s Creed, para fazer uma entrevista com Hideo Kojima, o gênio por trás da série Metal Gear.
Jade começou perguntando sobre as diferenças na cultura e na jogabilidade e como ele cria jogos que fazem sucesso tanto no oriente quanto no ocidente. Kojima discorreu sobre vários fundamentos do game design e, como bom criador, citou algum dos recursos que pretende implementar em Guns of Patriots.
Os fundamentos do design e como o jogo é controlado vêm do meu instinto, então estes aspectos são estabelecidos primeiro. O resto nós ajustamos dependendo da região. Por exemplo, o novo sistema onde você pode ler livros para restaurar o seu espírito está em todas as versões do jogo, mas coisas como a velocidade da recuperação são alteradas de região para região.
Bacana. Mas, com caras chatos como Jack Thompson tanta polêmica e discussões sobre como jogos violentos afetam o mundo contemporâneo, como Kojima lida com tudo isso? O pai de Snake quer mesmo que os jogadores entendam o verdadeiro significado da violência.
Eu não acho que haja muitos jogos que combatam a violência. Quando você atinge alguém ou infringe dor, os rostos ficam desfigurados, por exemplo. Quero criar jogos que mostrem este tipo de coisa. Se você não percebe a dor, você não é capaz de entender o que você fez, e vai simplesmente passar pelas batalhas sem tomar responsabilidade pelas suas ações. Eu não quero que isso seja ignorado, mas sim que os jogadores pensem, mesmo que só um pouco, sobre o que é a violência e o que é a guerra.
E isso não é da boca pra fora. Quem jogou Metal Gear Solid 3 até o final sabe que Kojima é mestre em manipular o sentimento dos jogadores e nos fazer sentir responsáveis pelos “nossos” atos.
Por fim, houve aquela rasgação de seda clichê. Depois de Raymond ter admitido que MGS influenciou bastante Assassin’s Creed, Kojima decidiu elogiar o polêmico jogo da Ubisoft.
Preciso escolher minhas palavras com cuidado para que não me entendam mal, mas eu penso que atualmente há menos desenvolvedores que pensam em fazer um bom jogo. Como criador, isso me entristece, mas quando vejo equipes como a de Assassin’s Creed fico mais confiante. Eu quero que Assassin’s Creed venda bastante.
[via GameDaily]