
Nós vamos cobrir a E3. Aqui do Brasil mesmo, já que ainda não somos fodões o suficiente para ir a qualquer evento a mais de 100m de alguma estação de metrô de São Paulo, mas vamos. Como? De duas formas.
A primeira é, obviamente, os posts normais. Faremos resumos das conferências, comentaremos os anúncios mais importantes, os jogos novos que serão aunciados… Vai ser tudo normal, da forma como você está esperando que a gente vá fazer. Tudo que conseguirmos escrever, escreveremos. Mas, como você bem sabe, não conseguimos escrever tanto assim. Temos poucos colaboradores e muitas obrigações além do Continue, então nem sonhando vamos conseguir fazer posts completos sobre um terço das coisas que seriam merecedoras de um.
Já que não temos como aumentar o contingente, vamos fazer o que é possível: diminuir os posts. Em tamanho. Tipo Querida, Encolhi os Posts. Como? Usando microblogging.
MicroWTF?!
A E3 é o evento não-competitivo mais competitivo do mundo. Assim que termina a última das três maiores conferências do ano, todo mundo (imprensa inclusive) se põe a apontar o “vencedor”, aquele que mostrou mais e mostrou melhor. Aquele que empolgou mais. Na E3 2004 este vencedor não ficou muito claro.
Boa parte das pessoas declarou como vencedora a Sony, a exemplo do ano anterior. O PSP, já previamente anunciado, foi finalmente demonstrado no palco por Kaz Hirai, e impressionou o mundo. Com uma tela daquele tamanho e gráficos como aqueles, era literalmente como ter um PS2 na palma da mão. Além do mais, a Sony já era a líder mesmo, então estava mais cotada para ser vencedora da E3.
A Nintendo mostrou aquilo que todo mundo queria ver: Miyamoto empunhando ridiculamente uma espada e um escudo de brinquedo o primeiro trailer daquele Zelda “adulto” que todo mundo esperava desde 2001, e mais ainda depois do anúncio do Zelda cartunizado para GameCube. A empresa também deixou todo mundo de boca aberta com o anúncio do seu contra-ataque ao PSP — um portátil bem feio e com cara de brinquedo, mas lotado de idéias diferentes (sensores de toque, microfone, canetinha stylus, duas telas) que que poderiam torná-lo um sucesso ou o novo Virtual Boy. O nome “Revolution” foi citado pela primeira vez, mas ninguém teria a mínima idéia do que ele significaria pelos próximos vários meses.
A Microsoft teve a apresentação mais previsível das três, mas também mostrou — e mostrou bem — o que se esperava: vários minutos in-game de Halo 2. Só isso já foi suficiente para acalmar os fãs, que pela primeira vez tiveram certeza absoluta que a série que salvou o Xbox da irrelevância estava evoluindo a contento.
O PC, depois de alguns anos de bolas dentro, teve alguns jogos interessantes mas ficou mesmo em segundo plano.
O Fabio diz que E3 sem guerra de novos consoles não tem tanta graça, mas há uma batalha que em particular que está me chamando bastante atenção na temporada da feira deste ano: Guitar Hero World Tour contra Rock Band 2. Mesmo que o primeiro tenha saído na frente — caso não se lembre, a Activision chutou o balde algumas semanas atrás revelando um monte de acessórios e modos, incluindo o promissor criador de músicas. É óbvio que a Harmonix não vai deixar barato. E eu estou até com medo (na verdade é mais o meu bolso que está) do que possa vir por aí.
Uma pequena amostra do potencial de RB2 está na mais nova edição da revista Game Informer, que, entre alguns detalhes do jogo que você possivelmente já sabe (instrumentos sem fio, download compatíveis entre as duas versões, batalhas de bandas, modos de treinamento, etc) revelou as novas baterias do jogo. É, você não leu errado: é no plural mesmo.
A primeira delas vai ser uma evolução natural da primeira: bem mais silenciosa, com um pedal mais resistente feito de metal e lugares para encaixar pratos (que serão vendidos separadamente, bola fora). Ou seja, a Harmonix fez o dever de casa. A coisa fica mais legal é no segundo modelo, produzida pela fabricante de baterias (reais) Ion. Ela será vendida separadamente e virá com três pratos eletrônicos, pads ajustáveis e, principalmente, poderá funcionar simplesmente como uma bateria eletrônica normal quando desplugada do jogo. Ou seja: além de aprender a tocar bateria no modo Drum Trainer, você vai poder tocá-la de verdade! \m/
Por razões óbvias, o preço dessa belezinha ainda não foi divulgada. Quem chuta mais alto?
Se eu não gostasse tanto da E3, acho que lançaria a eguinte idéia: que se faça a feira somente em anos de anúncio ou demonstração de consoles novos. Os períodos de entressafra costumam (ou costumavam) ser bastante chatos, e, assim como 2002, 2003 não fugiu à regra.
Enquanto Sony e principalmente Microsoft levantavam a bandeira do online e abraçavam este novo “modo de jogo” como um dos principais pilares do futuro dos games, a Nintendo veio à festa com sua venda e seus tapa-ouvidos, falando sozinha sobre “conectividade” — o que pra eles significava empurrar mais um cabo para os jogadores, com o único propósito de realizar a “maravilhosa” ligação entre o GBA e o LameCube. Lindo, Nintendo. Aliás, sei que isso é algo que eu deveria ter feito há cinco anos, mas queria propôr uma salva de palmas para esse brilhante momento da sua história.

(Eu SEMPRE quis achar um pretexto pra publicar essa imagem.)
No lado verde da Força as novidades eram poucas, mas boas. Novas funções para a Xbox Live (coisas que hoje são padrão ou nem existem mais) e alguns ótimos jogos novos fizeram parte do menu, que saciou muita gente.
Mas banquete quem deu mesmo foi a Sony. A guerra já estava ganha, mas isso não a impediu de carregar um pente novinho, cheio de munição. Chutar cachorro morto foi com ela mesmo em 2003.
E ainda teve o N-Gage. (risos)
Saiba mais detalhes sobre tudo isso e mais um pouco, como sempre, depois do continue.

Com todos os consoles na praça e o Dreamcast já morto e enterrado, na E3 2002 o foco das empresas foi em consolidar suas máquinas. Portanto, há de se admitir que foi um ano meio sem graça para a E3, ainda mais se comparado com os dois anos anteriores. Não tem jeito: os melhores anos da feira são sempre aqueles em que algum console novo é revelado.
Seguindo esta intenção de fortalecer seus consoles, Nintendo, Sony e Microsoft tentaram ir além do básico e não se limitaram a mostrar apenas jogos. O 2002 foi o ano dos acessórios na E3. A Sony introduziu a sua EyeToy, a Nintendo mostrou o e-Reader e a conexão GBA/GameCube, enquanto a Microsoft mostrava visão de futuro e apostava na Xbox Live.
No entanto, a feira foi boa mesmo para quem tinha acabado de (ou estava pensando em) fazer aquele upgrade bacana no PC. Entre os muitos jogos bacanas para a plataforma, um se destacou e acabou sendo o grande nome da E3 naquele ano: DOOM 3.
Saiba mais sobre os principais jogos anunciados depois do continue.

[Atualização: Não foi desta vez. Pelo visto, colar artworks de tamanho aleatório foi só um jeito bizarro de "dar ênfase à plataforma" que, conforme um representante da NIS contou ao Joystiq, é o DS que todos conhecemos. ]
A imagem acima apareceu na última edição da revista Nintendo Power. Seria uma propaganda normal do simpático jogo Disgaea, junto com outros da produtora NIS, se não fosse por um único detalhe: as telas do DS estão ligeiramente deformadas. Maiores. Wide. Apesar de não me parcer verossímil o suficiente para ser um novo design a ser apresentado na E3, fico me perguntando por que/como/de onde fizeram isso e, mais importante ainda… como foi parar na revista oficial da Nintendo.
Fake? Erro? Piada? Preguiça de cortar a imagem pra caber na telinha do portátil? Um novo modelo “DS Wide”? Seja como for, a Nintendo já se pronunciou sobre esse rumor, negando. A negativa deles foi o simples “this is purely rumour and speculation”, resposta que se torna interessantíssima a partir do momento que lembramos que foi exatamente que a empresa disse sobre os rumores do DS Lite exatamente uma semana antes de anunciá-lo. De fato, o rumor parecia muito mais absurdo antes da Nintendo negá-lo.
Só o tempo dirá. Seis dias, mais precisamente.
[via GoNintendo]

[Apenas um avisinho antes de começarmos a nossa segunda viagem pelo passado da feira cujo futuro estaremos presenciando na semana que vem. Algumas pessoas perguntaram "Por que começar por 2000, se a primeira E3 aconteceu bem antes disso?". A resposta é: porque nós queríamos fechar uma semana -- não mais, não menos -- e queríamos terminar essa semana no ano de 2007, pra entrar 2008 com tudo fresquinho na memória!]
Dois mil e um foi um ano estranho. Em janeiro daquele ano a SEGA fez o histórico anúncio de que abandonaria o mercado dos consoles. O Dreamcast, que tinha muitos fãs e nem sequer parecia estar com um desempenho tão fraco assim, subitamente não teria mais um sucessor. Ele ainda receberia jogos e suporte por algum tempo, mas estava oficialmente respirando por aparelhos. Milhões de fãs pelo mundo todo estavam inconsoláveis. Enquanto isso, a Microsoft preparava o seu Xbox, que, apesar de ter sido anunciado no ano anterior, ainda não havia sido mostrado ao mundo. Uma empresa querida e veterana “falira”, enquanto outra, que não gozava da simpatia da maior parte do mundo, entrava no jogo. Sabe quando aquele ator carismático e tradicional sai de uma série de TV depois de várias temporadas, sendo substituído por outro que não tem nada a ver? Era assim que o mundo dos games se sentia no início de 2001.
Mas para boa parte dos gamers, essa sensação de vazio só duraria até maio, mês em que ocorreu uma das mais memoráveis E3 da década. Não apenas pela revelação da Caixa X da empresinha do tio Bill, mas também — e mais ainda! — pela revelação do Dolphin. Dolphin? Sim, o sucessor do Nintendo 64, que era aguardado com ansiedade por turbas de Nintendistas sedentos pela reparação dos erros cometidos pela Nintendo com o seu console de 64 bits. É claro que, assim como o Revolution mudou de nome para Wii, o Dolphin chegou sob outra alcunha: GameCube.
No outro canto da arena, a gigante Sony nunca fora tão grande. Descansando sobre os louros do próprio sucesso merecido, mas não dormindo no ponto (como faz hoje em dia, se me permitem a justa alfinetada), a dona do PS2 mostrou um grande arsenal de pesos pesados, que garantiriam que todo gamer que tivesse um mínimo de respeito próprio acabasse adquirindo um dos seus consoles.
Após o continue você embarca com a gente em mais uma viagem pelo passado. Quais jogos foram mostrados pela Sony? Como foi a recepção do GameCube? Duke Nukem Forever apareceu de novo? As Booth Babes foram mais gostosas que as do ano anterior? Essas respostas e outras estão a um clique de distância (ou uma linha, caso você esteja lendo no feed).

[Você já está sentindo, no ar, essa vibração característica? Estamos a exatamente uma semana do início da E3 2008! Segredos revelados! Novidades divulgadas! Overdose de informação! Ah, eu adoro. Eu e toda a equipe do Continue, que se juntou para fazer uma aquecimento barra restrospectiva dessa feira que é a cara da indústria mundial de games. O texto abaixo é de Pablo Raphael, e os fatos após o continue são da equipe como um todo. E amanhã tem mais.]
Los Angeles, maio de 2000. A última Electronic Entertainment Expo do século XX começou no dia 11 e se estendeu até o dia 13, deixando um rastro de números impressionantes. Mais de 62 mil pessoas estiveram lá para conferir aproximadamente 2500 games expostos em 450 estandes. Na prática, boa parte desses jogos jamais chegariam aos jogadores. Mas quem se importa?
É a E3, o paraíso dos gamers, uma espécie de Woodstock nerd. Todos conhecemos, todos amamos, todos acompanhamos a cada ano. Os semideuses da indústria estão logo ali, virando o corredor. A festa é comandada pelos estandes com performances de DJs e performances como a de Space Channel 5, da Sega. Há jornalistas do mundo todo, cuja presença massiva no evento é um bom lembrete do quanto os videogames se tornaram uma cultura globalizada. E do lado de fora, claro, estão também os jogadores, acompanhando tudo à distância de alguns cliques (hoje em dia, porque no início da feira o negócio era esperar ansiosamente a revista favorita do mês seguinte).
Em 2000 boa parte das atenções estava voltada para os jogos de PC - quanta diferença para os dias atuais! Warcraft 3, Commandos 2, Black & White (que merecidamente ganhou alguns prêmios de “Best of the Show”), Baldurs Gate 2: Shadows of Ann, Neverwinter Nights, Dungeon Siege… os PCs estavam com tudo. Até retornaríamos ao Castelo Wolfenstein depois daquela E3!
Mas não pense que os consoles ficaram de fora da festa, muito pelo contrário. Na E3 2000 tivemos o anúncio fantástico de uma nova máquina: o Xbox da Microsoft, empresa que até então nunca havia dado pistas de querer entrar no mercado de games além-PC. Ele foi recebido com desprezo e piadas sobre “tela azul da morte”, mas hoje em dia… bom, você sabe. O 2000 foi também o ano em que Max Payne e, principalmente, Halo deram as caras. Quem poderia imaginar que os soldadinhos do jogo da Bungie fariam tanto sucesso no futuro?
A SEGA ainda era uma competidora na arena dos consoles e tentava vender o seu Dreamcast como máquina para se jogar online, apostando as fichas em Phantasy Star Online. Mal sabiam os gamers que menos de um ano depois a empresa soltaria um dos mais importantes comunicados à imprensa da história desta indústria: seu afastamento do mercado de consoles.
E isso é só o início! Saiba mais sobre o que rolou nessa E3 tão, tão distante depois do continue.