20 anos de muita aventura

[Este é um texto enviado pelo nosso leitor MauriLink. Ele viu que a gente nem citou o vigésimo aniversário do Blue Bomber e não perdeu tempo. Se você também quer ter algum texto publicado aqui, é só mandar para o meu email e, se não estiver terrível demais, a gente dá um jeitinho de publicar!]

O primeiro jogo de Mega Man (Rockman, no Japão) foi lançado oficialmente em uma quinta, mais ou menos às 5:30 da manhã do dia 17 de dezembro de 1987, para o Famicom, criado pelo artista Keiji Inafune. Logo, é verdade, Mega Man atingiu há não muito tempo seus 20 aninhos! Parece até que foi ontem que eu fui visitar um amigo em uma distante manhã no final dos anos oitenta e me deparei com ele esbravejando impropérios contra o Dr. Wily durante a batalha final de Mega Man 2, e esse foi o primeiro contato dos muitos que tive com os jogos do Mega Man. Tudo bem que ultimamente ele anda meio mal das pernas, tropeçando em um jogo ruim aqui e em outro mediano acolá, mas ainda assim é uma marca incrível para o nosso querido robozinho azul, e você pode conferir abaixo o vídeo comemorativo do aniversário produzido pela Capcom, com cenas dessa sensacional saga:

Eu acho que nem o cara mais otimista da Capcom naquela época imaginava que Mega Man se tornaria uma das mais famosas séries de videogame de todos os tempos, com jogos lançados para as mais diversas plataformas e que hoje possui uma legião de fãs por todo o mundo, incluindo este ser que vos escreve. (O pessoal do blog Hadouken vai dizer que eu sou um fã fraudulento, já que, apesar de ter jogado vários jogos da série, nunca cheguei a terminar nenhum…) Para comemorar esta data tão especial deste verdadeiro ícone dos videogames, vamos mostrar alguns segredos, curiosidades e fatos desta incrível série:

[Nota do João Kleber Bracht: mas só depois do Continue! ;)]

Rockman foi lançado nos EUA em março de 1988, rebatizado como Mega Man. A capa do jogo também foi terrivelmente alterada, e inclusive ela hoje é considerada uma das piores de todos os tempos, inclusive por Keiji Inafune, que certa vez disse em uma entrevista que essa foi uma das coisas mais horrendas que ele já viu na vida.

Uma das grandes virtudes dos jogos de Mega Man é que eles possuem trilhas sonoras incríveis, especialmente os primeiros jogos. Mas já reparou como os nomes de diversos personagens principais da saga clássica são relacionados intimamente à música? Então nós temos, por exemplo, seguindo a regra nome americano/nome japonês, Rock e Roll (esse é um jogo de palavras óbvio, não?), Forte/Bass (baixo), Blues/Proto Man, Beat (aquele pássaro-robô) e Gospel/Treble (agudo), Tango (o gato-robô que só apareceu em Mega Man World 5), por exemplo. E o cachorro cibernético de Mega Man atende pelo nome de Rush… e ganha um doce quem descobrir qual é o personagem que recebeu o nome de Reggae! Talvez a idéia dos criadores desses personagens era mostrar que a música é algo que nos acompanha sempre, que está em todos os lados, seja bom ou ruim. Será que um dia veremos um personagem chamado Samba?

Não é nenhum segredo que o conceito de Mega Man é fortemente inspirado pelos animes. E podemos facilmente perceber as semelhanças entre Mega Man e Astroboy (Tetsuwan Atom), personagem criado pelo lendário Osamu Tezuka no começo da década de 50. Não é estranho, então, afirmar que Astroboy foi a inspiração direta para a criação do robô azul da Capcom. Estranho é perceber que algumas pessoas pensam o contrário!

Na saga X, o protagonista desde o primeiro jogo deveria ter sido o Zero, mas Keiji Inafune ficou muito inseguro quanto à reação dos fãs quando descobrissem que Zero ocuparia o lugar de Mega Man e na última hora criou X, uma versão de Mega Man do século XXII. Ainda assim, ele manteve Zero como parte da história, e mais tarde, com a crescente popularidade do personagem, Zero finalmente ganhou sua própria série: Mega Man Zero.

Por falar em Mega Man Zero, a palavra “Shitennou” não é algo inventada para essa série. Essa palavra significa “os quatro reis celestiais” e refere-se às quatro divindades da tradição Budista que representam os quatro elementos e os pontos cardinais. E por isso os quatro Guardiões de Neo Arcadia, Harpuia, Leviathan, Fafnir e Phantom, receberam esse título.

Parece piada, mas os americanos saíram na frente dos japoneses na produção de um desenho animado de Mega Man. Era uma série animada “baseada” na saga clássica, que inclusive passou no SBT durante algum tempo, mas cuja história é diferente do jogo — inclusive o X deu as caras nele! Bom, pensando bem, não parece piada não… esse desenho é REALMENTE uma piada e não acrescenta nada de valor para a série. Mas a primeira vez que Mega Man apareceu em versão animada foi em outra piada, ops, desenho americano, Capitão N, uma animação estrelada por vários dos personagens de jogos de sucesso da época de ouro do NES, como Motherbrain de Metroid, King Hippo de Mike Tyson’s Punch-Out, Kid Icarus, Simon Belmont de Castlevania, e pasmem, até pelo Game Boy em pessoa, digo, em console! O curioso dessa participação de nosso querido robô azul nesse desenho pra lá de esquisito é que ele era verde! E além de verde, era baixinho e gordinho! “E sempre colocava a palavra ‘mega’ em suas falas: “Essa viagem vai ser mega-legal!”

Mas você sabe o motivo de Mega Man ter como cor principal o azul? Não, não foi uma simples escolha aleatória de seu criador, mas sim graças àum fruto das limitações de cores do NES, já que o console tinha uma grande variedade de azul em sua paleta de cores. Como a Capcom queria um jogo com cores que fossem bem reais (???), foi decidido que a armadura de nosso herói seria azul. E ainda falando sobre cores, saiba que a cor dos olhos do Mega Man original é azul, e em suas versões posteriores, verde. Pronto, com essa informação, agora você pode fazer um cosplay decente de Mega Man!

Alguns fãs sugerem que a palavra Reploid (os robôs inimigos da série X) pode ser uma combinação das palavras “replicant” (referência ao termo “replicantes” criado por Philip K. Dick em Blade Runner) e “droid”. Será?

Falando em ficção científica, vale lembrar que a famosa Lei da Robótica de Isaac Asimov aparece na saga Mega Man, enfocando especialmente na primeira dessas leis: “Um robô não pode ferir um ser humano ou deixar, por negligência sua, um ser humano ser ferido”. Não somente essa é a premissa que separa a razão da loucura dos Reploids, mas talvez seja por isso que Mega Man nunca dê um sumiço definitivo no Dr. Wily (que no final dos jogos sempre escapa ileso ou no máximo vai para a cadeia).

20 anosDevido à grande quantidade de jogos lançados, há alguns que realmente podem ser considerados como as ovelhas negras da família Mega Man. Nesse caso, eu cito os jogos “não-oficiais”, que não foram feitos pela Capcom, mas apenas traziam a licença da marca, como Mega Man e Mega Man 3 (sim, eles pularam o 2!) para PC; ambos os jogos possuem novos níveis e chefes, mas a jogabilidade é terrível, levando à loucura os gamers que arriscavam uma partida… Minigames portáteis de tela LCD foram produzidos pela Tiger Electronics, com versões de Mega Man 2 e Mega Man 3, mas eles também falharam em capturar o espírito dos jogos originais. Inclusive eu lembro que a Tec Toy lançou-os por aqui. Se alguém que estiver lendo isso tiver um esquecido na gaveta, pode comentar o que acha deles. A americana US Gold juntou pedaços de Mega Man 4 e Mega Man 5 e lançou Mega Man (também conhecido como The Best of Mega Man) para o Game Gear, infelizmente com qualidade gráfica inferior e diversos bugs.

E há também jogos que, para o nosso bem ou mal, nunca chegaram ao ocidente. No Famicom, os gamers japoneses puderam apreciar Wily & Right No Rockboard: That’s Paradise, que lembra vagamente Mario Party. O motivo dele nunca ter chegado ao ocidente é que ele trazia mini-games de caça-níqueis, e acabou sendo vetado pela rígida política de censura que a Nintendo mantinha na época (a mesma que removeu várias referências religiosas dos primeiros games Mega Man, como o inimigo Yellow Devil, que teve seu nome alterado para Rock Monster). Por falar em Nintendo, temos Rockman Battle & Chase, uma mistura maluca dos conceitos de Mega Man com os de Super Mario Kart, e foi lançado para PlayStation no Japão e Europa (esse game só deu as caras no ocidente como um bônus desbloqueável em Mega Man X Collection), mas assim como vários clones de Mario Kart, é totalmente dispensável. Ainda no PlayStation (e disponível também para Sega Saturn) temos um tipo de adventure em anime interativo Super Adventure Rockman. Lembra Dragon’s Lair e Space Ace, mas com mais dinamismo. Os donos de Mega Drives europeus e japoneses puderam desfrutar de Rockman Megaworld (conhecido como Mega Man: The Wily Wars na Europa), uma compilação 16-bit de Mega Man 1, 2 e 3, mais a fase adicional Wily Tower no final. Rockman & Forte foi completamente redesenhado para o portátil de tela preta e branca Wonderswan, mas a adaptação ficou tão ruim que até hoje eu acho que a Capcom somente cedeu a licença para a Bandai e não teve nada a ver com a produção dessa conversão. E amigos, nem os fliperamas ficaram de fora, com dois jogos “de luta” de Mega Man: Rockman Power Battle e Rockman Power Battle 2: The Power. Estes dois também foram depois lançados no ocidente como bônus no Mega Man Anniversary Collection, que também tem uma conversão muito boa de Rockman Battle & Fighters do NeoGeo Pocket Color. E os sortudos japoneses ainda tiveram o relançamento no PlayStation dos seis primeiros games Mega Man, com melhorias na trilha sonora e jogabilidade! E como a sorte dos gamers japoneses nunca acaba, os cinco primeiros jogos Mega Man foram lançados para celular!

Para fechar com chave de ouro, contarei um segredo que quase ninguém sabe. Você sabe que Mega Man tem a habilidade de transformar sua mão (alguns acham é a mão direita, outros, a esquerda…) em um canhão, o poderoso Mega Buster, e disparar tiros em seus inimigos, certo? O que poucos sabem é que Mega Man pode tranformar as suas duas mãos em Mega Busters. Essa revelação surgiu em Super Adventure Rockman, entretanto, isso não é algo que ele utilize com frequência pois requer muita energia e pode deixar Mega Man temporariamente sem condições de atirar durante algum tempo.

Listei aqui apenas alguns fatos e curiosidades sobre o Mega Man, mas seus 117 jogos lançados para quase todas as plataformas venderam mais de 28 milhões de cópias (é a segunda franquia da Capcom em número de vendas, só perdendo para Resident Evil, que tem 32 milhões de unidades vendidas!) ainda rendem muito mais curiosidades, e no que depender da Capcom e de seus fâs, talvez essa lista CONTINUE crescendo para sempre! Então, um Mega-Feliz Aniversário para você, Mega Man!!!