
Pra quem ainda não sabia, a Nintendo juntou-se a mais 54 empresas de software — entre as quais figuram Arc System Works, SNK, Capcom, Koei, Jaleco, Square Enix, Sega, Taito, Tecmo, Hudson, Bandai Namco Games, The Pokémon Company e Level Five — em uma ação legal contra empresas que importam o famoso R4 Revolution, equipamento que possibilita o uso de jogos baixados pela internet no Nintendo DS, sem necessidade de desbloquear o aparelho. Como se você já não conhecesse.
As empresas alegam competição desleal e requisitam a interrupção das vendas, marketing e importação do acessório. Com razão.
O problema é que uma ação dessas causa duas impressões: a de se estar assistindo a uma batalha perdida (tipo Cicarelli versus YouTube) e, paradoxalmente ao mesmo tempo, um senso de urgência em quem queria comprar um R4 e ainda não o havia feito. O resultado, obviamente, foi um estrondoso aumento na procura pelo treco.
Tudo isso no apenas Japão, claro, ou você achou que o Brasil tem alguma importância pra esse monte de gente?
Embora a Nintendo e as suas colegas de auditório estejam completamente em seus direitos legais de lutar contra esse tipo de coisa, todo mundo sabe que não adianta: cada vez que a Nintendo anuncia que X unidades foram apreendidas, como se isso fosse grande coisa, o mundo pensa por dois segundos e chega à conclusão de que ainda existem 10.000.000X unidades de R4 à solta pelas lojas de todo o planeta Terra.
As únicas maneiras realmente efeitivas que as fabricantes de consoles têm para lutar contra a pirataria são 1) investir muito mais em métodos de validação de software, ou então usar mídias estranhas como os discos proprietários do antigo GameCube, ou 2) fazer como a Microsoft fez com a Xbox Live: desenvolver uma série de serviços bacanas que envolvam autenticação de hardware no servidor, bloqueando o acesso a quem for pego usando equipamento modificado para rodar pirata.
É igual treinar gato. Não adianta dizer “NÃO!!” toda vez que ele fizer algo que você não quer. A única coisa que funciona é mostrar pra ele como ele vai ter mais vantagens ou diversão sempre que fazer a coisa certa. Funciona.