Há alguns dias eu descobri um jogo indie sensacional, cujo estranho nome está no título deste post.Eu imediatamente soube que precisava falar dele aqui no blog, mas não sabia se seria um simples post dando a dica, uma resenha completa, ou algo entre essas duas coisas. Acabei escrevendo esta listinha, e espero que ela convença alguns de vocês a jogarem essa pérola independente, esta celebração às boas ideias e ao game design puro e simples, que muitas vezes se perde entre franquias consagradas e faturamentos bilionários.

Sei que essa frase perde um pouco do seu valor por estarmos no último dia do primeiro mês, mas VVVVVV é o melhor jogo que eu conheci em 2010.

» Um conceito, mil possibilidades

Da mesma forma que Braid com o lance de apertar um botão para voltar no tempo, VVVVVV tem apenas uma mecânica, mas a genialidade do criador Terry Cavanagh permitiu a ele “tirar leite de pedra”, torcendo, esticando, alterando e multiplicando as formas e situações com que você terá que lidar usando esta mecânica.

VVVVVV só tem um botão de ação. Apertando a tecla V (ou W, ou S, ou Espaço, ou as setas para cima/baixo, como preferir), o personagem reverte a gravidade e passa a andar no teto. Depois no chão, depois no teto, depois no chão… A única limitação dessa mecânica é que você não pode reverter a gravidade enquanto está no ar. Precisa tocar em alguma superfície antes de voltar.

Quando você tiver que navegar por cima de uma série de plataformas móveis para depois ter que voltar pela parte de baixo das mesmas, você vai entender o que eu quis dizer com “tirar leite de pedra”. Ou então quando tiver que desviar de cinco telas de espinhos em “queda livre para cima” e depois de volta, só para subir em um degrauzinho de nada.

» Parece com Metroid

Depois de sofrer uma interferência no espaço, uma nave com seis tripulantes fica presa em uma dimensão estranha. Você é o capitão e precisa procurar os tripulantes perdidos.

A história de VVVVVV é simplista como o resto do jogo, e mesmo os personagens sendo essencialmente o mesmo sprite com cores diferentes, consegue fazer com que você conheça as individualidades de cada um. O próprio nome do jogo faz alusão aos nomes dos personagens – todos batizados com nomes de cores em inglês começadas com a letra V – embora também possa ser uma referência visual ao ato de ziguezaguear verticalmente pelas fases.

A atribuição de “procurar os tripulantes” consiste em explorar um mapa geral (cujos quadrantes vão sendo revelados à medida que você os acessa, como em Metroid) até encontrar entradas para as fases propriamente ditas, que também fazem parte do mapa geral. Cada uma dessas fases traz uma nova variação da mecânica de inversão de gravidade, e elas podem ser acessadas na ordem em que você encontrá-las. Diferente de Metroid, não há poderes que você precisa encontrar antes de ter acesso a alguma área do mapa.

Porém, igualzinho à Metroid, o ato de explorar cada cantinho do mapa é tão prazeroso e simples que chega a ser estranho.

» Difícil, porém acessível

Em VVVVVV, você vai morrer muito. Muito. Muito mesmo. Eu mesmo morri mais de 1000 vezes, sendo mais de 250 dessas na mesma tela. Porém, você encontra um checkpoint a cada poucos passos (muitas vezes mais de um na mesma tela), de modo que nunca precisa repetir uma parte significativa do jogo porque morreu. E o próprio ato de morrer e voltar do último checkpoint é o mais rápido e indolor possível. Você não precisa apertar botão nenhum para voltar, e renasce em menos de dois segundos.

Isso causa um efeito agradável: não importa o pouco que seja, você sempre faz algum progresso. E está sempre descobrindo uma tela nova, um desafio novo, mesmo que morra muitas vezes no processo. Em muitas ocasiões, morrer se torna até divertido, porque a única penalidade é a interrupção do progresso, e não uma regressão.

Há vinte itens opcionais espalhados pelo mapa, chamados “Shiny Trinkets”. Conseguir pegar todos eles pode ser considerado o verdadeiro desafio do jogo, porque eles se escondem atrás dos vinte desafios mais casca grossa do jogo. Foi num deles que eu morri mais de 250 vezes, e valeu cada uma delas quando eu finalmente consegui.

» Dura

Eis uma coisa estranha: se você pegar os 20 Shiny Trinkets, você libera modos Time Trial das fases principais (onde você resgata os membros da tripulação), entre outros modos que estendem a vida útil do jogo. Só que isso não é um spoiler, porque o próprio jogo segue a filosofia “você pagou pelo jogo, então ele é seu para fazer o que quiser”. Inclusive desbloquear os modos secretos se você tiver vontade de vê-los sem abrí-los no jogo.

E o jogo é tão gostoso e simples que, depois que eu terminei a história e abri 100% do mapa, eu realmente fui jogar as fases no modo Time Trial. Eu queria curtir mais, e aceitei o desafio de passar por tudo de novo o mais rápido possível, e tentando morrer menos. Não fiz isso nem em Mirror’s Edge, que parece ter sido feito praticamente só pensando no Time Trial.

» Gremmy?

Mesmo com todas as qualidades, a música de VVVVVV é a minha parte favorita do jogo. É simplesmente sensacional. Me ensinou a gostar realmente de chiptunes. Sábado passado eu ouvi enquanto limpava o banheiro, e quando vi estava limpando mais devagar pra poder ficar ouvindo. Clique aqui e ouça uma amostra. Ouça algumas amostras grátis e depois me diga que você não quer ouvir o resto.

VVVVVV custa 15 dólares e você pode comprá-lo aqui. Compre. Mesmo.

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