Happiness

Quando pensei em fazer esta coluna semanal de discussão, a minha primeira preocupação foi: “e se chegar um sábado em que eu realmente não conseguir pensar em nenhuma discussão para propor?” Minha cabeça não é um poço sem fundo de idéias e temas capazes de gerar debates construtivos e provocadores. Mas hoje, após ter escrito já um bom número de Discussões de Fim de Semana, eu percebo: muitas vezes a melhor pauta não é aquela que você propôs, é aquela que foi proposta a você.

Essa semana, durante a minha navegação básica atrás de notícias e informações, eu me deparei com um texto que me propôs uma ótima pauta. Após o continue, eu a proponho a você, já ansioso pelos comentários que se seguirão. Hoje o papo vai ser bom.

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Diversão.

Quantas vezes você já não leu e ouviu a palavra acima, em análises, previews, argumentações em fóruns e conversas entre amigos? Diversão. A diversão é uma entidade no mundo dos games. É o Santo Graal do game design. Quando um texto de review se alonga por múltiplos parágrafos elogiando excelência técnica, gráfica e sonora, pode esperar: logo em seguida vem a fatídia pergunta. “No fim das contas, toda essa qualidade se traduz em diversão?”

Ao lermos um preview que entrega a quantidade imensa de armas e cenários que um jogo terá, a premissa básica do enredo mirabolante, os grandes nomes que trabalham no projeto e o tamanho da verba liberada, sabemos que nada disso importa. No final provavelmente vai haver uma frase do tipo: “depois de tudo isso, só se pode esperar que o jogo seja divertido”. E nós sabemos que nada disso pode garantir a diversão de um jogo. Apenas o jogo em si.

E temos também a Nintendo, que ressurgiu das cinzas, saindo de um terceiro-lugar-quase-falindo e tomando o mundo de assalto com o seu “pequeno” e “fraco” Wii, tudo porque resolveu colocar a diversão acima de tudo em seus jogos. A diversão funcionou bem para a Nintendo nessa geração.

Conclue-se, logo, que nada é mais importante do que a tal da diversão.

Mas… será?

Não seria um pensamento muito… limitado, achar que uma mídia tão poderosa em termos de empatia só serve para divertir? Tudo que um videogame é capaz, por melhor que ele seja, é proporcionar alguns minutos — ou horas, que seja — de mera diversão? Que um sorriso é a única expressão facial que os games jamais aspirarão provocar em seu público? Não lhe parece um pensamento muito pequeno?

E se um jogo pudesse lhe trazer, digamos, agonia? Uma agonia temporária e controlada, claro, mas ainda assim agonizante. E se um jogo pudesse lhe trazer inquietude? Tristeza? Vontade de mudar? E se um jogo de videogame pudesse te transformar em uma pessoa melhor? E se um jogo de videogame pudesse te causar revolta?

Eu não sou o tipo de cara que curte cinema “difícil”. Não me dedico tanto à sétima arte, e, também, do alto dos meus nem 25 anos, não acho que seja maduro o suficiente para apreciar um filme todo em preto e branco, falando dos horrores da guerra sob o olhar de uma órfã russa de oito anos. Mas o fato de existir filmes assim, e de existir um público para esses filmes, enquanto nos games tudo é diversão e alegria, demonstra, na minha opinião, o quanto a nossa mídia favorita ainda tem para evoluir.

Um dia teremos um jogo que será a nossa Lista de Schindler, o nosso Cidadão Kane.

Ou… será que não?

» A sua opinião
Você acha que os games um dia evoluirão para além de meros fornecedores de diversão, apenas passatempos? Você quer que isso aconteça? Ou você acha que assim está bom, ou que o caminho para a evolução dos games não passa necessariamente por um abandono do fator diversão? Talvez você pense que a diversão é, sim, o mais nobre estado de espírito, e que não há necessidade de mais nada quando se está feliz, quando estamos nos divertindo.

O que você acha?