You want to touch this?

Bayonetta. Desde o primeiro trailer, era difícil não ficar no mínimo interessado no que Hideki Kamiya queria fazer — explodir as portas do gênero de ação, de acordo com ele mesmo — com este jogo que seria uma sequência espiritual para a série Devil May Cry. Admito que, no início, não vi nada de especial em Bayonetta: apesar de ter gostado da música, me parecia uma tentativa tosca de fazer um daqueles jogos que você não poderia jogar com mais alguém na sala. Pra vocês terem uma idéia, a roupa dela é feita com o próprio cabelo (e uma pitada de magia, lógico), e esse mesmo cabelo é usado para invocar criaturas do submundo na forma de monstros, botas e punhos gigantes, deixando-a cada vez mais nua conforme os ataques ficam mais fortes.

Pois é, minha avó não vai poder me assistir, mas acontece que Bayonetta acabou estando longe de ser um jogo bom só por ter peitos, trazendo muitas inovações ao gênero de ação e ao mesmo tempo melhorando bastante o terreno que Devil May Cry havia preparado.

Well, damn.

Primeiro vamos tirar o óbvio do caminho: Bayonetta é exagerado e tem apelo sexual, assim como Devil May Cry também era. Aliás, pode-se dizer que o Dante foi uma coletânea dos fetiches masculinos de Kamiya (que é careca, mas não é gay), enquanto Bayonetta é uma coletânea dos fetiches femininos: cabelo, pernas, bibliotecárias e óculos, tá tudo ali!

Bayonetta é um membro da gloriosa raça mestra, no que suas proporções são únicas exclusivamente para ela mesma, e isso afasta muita gente. Aposto que são uns carecas. Já vi muitas discussões citando erros e mais erros no design dela, mas no fim tudo se resume à opinião, e os esforços da Platinum Games e de Kamiya acabaram funcionando para criar uma personagem que, se não amada pelo seu carisma, é, então, por causa da bunda.

Continuando, a história de Bayonetta tem o mesmo sentimento que a de Devil May Cry: você é Bayonetta, uma bruxa exilada de um clã que mantém a balança do mundo e acorda, depois de 500 anos, em uma cidade européia chamada Vigrid, sem nenhuma memória de seu passado. Só que é uma bruxa.

Apesar de almejar pelo exagerado, isso de maneira alguma a impede de ser boa, e no geral jogar Bayonetta é como ver um filme de ação. Qualquer movimento seu resulta em algo incrível, graças à imensa quantidade de combos que Bayonetta é capaz de fazer. Além de socos, chutes e suas quatro pistolas (duas delas nos saltos dos seus sapatos), ela pode usar várias outras armas, como uma katana, um chicote-cobra e, claro, armas roubadas dos inimigos, e isso inclui o machado gigante daquele chefão. Em termos de jogabilidade, isso significa uma enorme variedade de estilos de jogo e também que você sempre se sentirá poderoso — conforme você vai bem, consegue novas habilidades, mas desde o início já tem o poder pra… bem, chutar bundas. Literalmente.

Witch Walk

Witch Time

Duas mecânicas que me chamaram muito a atenção foram Witch Walk e Witch Time. Witch Walk permite que você ande em qualquer superfície: paredes, teto, torres de relógio caindo de um penhasco… essa habilidade muda o foco da gravidade, permitindo-lhe um combate muito mais insano. Não é em todas as áreas que isso é possível, mas quando você duela com sua rival correndo e pulando pelas paredes e pelo teto, não tem como ficar mais awesome. Enquanto isso, o Witch Time já é para todas as ocasiões, pois desacelera o tempo caso você consiga se desviar de um ataque no último segundo possível, podendo assim se recuperar de uma batalha desastrosa.

Bayonetta conta com diversas dificuldades de jogo, do muito fácil ao muito difícil, sendo que o muito fácil tem um modo onde é possível jogar com apenas uma mão, e eu presumo que isso vá servir para outras coisas. Já os modos mais difíceis, bem, espero um verdadeiro Bayonetta Must Die para os jogadores hardcore masoquistas que dominarem completamente o jogo.

Mais duas coisas contribuem com a variedade nos combates do jogo: Bayonetta pode se transformar em diversos animais. Até agora revelados foram a pantera, o pássaro e um bando de morcegos. E a outra coisa?

Bestas lovecraftianas, ao ataque!

Bestas lovecraftianas feitas de cabelo!

Na verdade, como eu disse no início do artigo, ela pode invocar diversas criaturas e objetos com seu extremamente longo cabelo mágico, com botas e punhos servindo nos combos normais, e a besta acima e variantes para finishing moves nos chefões e criaturas maiores. Assim como os torture moves, que envolvem a invocação de instrumentos medievais de tortura e morte, essas invocações têm o dano aumentado se você socar os botões do seu controle repetidamente, o que faz os monstros comerem o inimigo cada vez mais rápido até não sobrar nem um ossinho. Delícia.

Ao que parece, existem vários tipos de monstros; o da screen acima já foi mostrado em diversos trailers, mas a Platinum Games divulgou imagens também de um pássaro gigante. Haja cabelo.

Batalha dupla

Perna lovecraftiana!

Todo mundo ficou muito chateado quando o lançamento americano desse jogo e de vários outros foi adiado para 2010, por conta de uma saturação de jogos sendo lançados no fim de 2009. Apesar disso, a data de lançamento para o Japão — amanhã, dia 29 de Outubro — continua a mesma, e assim, tenho uma boa notícia aos felizes donos de um PS3: o jogo, além de ser region-free, está totalmente em inglês, da dublagem aos menus!

Anda rolando um papo de que a versão do 360 é vastamente superior, e muitos sites americanos estão fazendo um sensasionalismo enorme quanto a isso. Eu joguei as duas demos, e posso dizer que a diferença não é tão grande assim: a versão de PS3 é mais borrada, e em algumas cenas a framerate sofre um lag perceptível, mas não é nenhum grande empecilho e, ainda, existe a chance de que a SEGA venha a corrigir esses erros, visto que a demo de PS3 trazia um aviso em letras garrafais e amigáveis dizendo que aquela era uma versão prematura para propósitos de demonstração. Ou algo assim.

Ah, sim… roupas alternativas. Muitas delas.

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