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[Faz tempo que a gente não tem uma série de posts especiais aqui no Continue, né? Pois bem, agora temos! A enxuta equipe deste blog está escrevendo textos bem pessoais sobre os jogos que mais esperam. De gamer para gamer, como a gente gosta. E se você está esperando ansiosamente por algum jogo e quer explicar ao Brasil o porquê disso, fique à vontade para nos enviar a sua contribuição!]

Sabe o que eu estava fazendo minutos antes de começar a escrever este post? Comprando um cartão de assinatura da Live Gold. A minha assinatura havia expirado há quase dois meses, e eu não fiz questão nenhuma de renovar – minha jogatina online foi transferida para Team Fortress 2 no PC e os demos que saíam no 360 não justificavam o dinheiro da assinatura. Até hoje, porque hoje saiu o demo de Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts.

Enquanto os cerca de 1200MB do demo se transferem para o meu apertadíssimo HD de 20GB, eu tiro estes últimos minutos de expectativa para explicar porquê eu espero tanto por este jogo.

Veja bem: eu nunca tive um N64. Eu jogava na casa do meu primo, e eu nunca na vida frequentei tanto a casa dele quanto no período em que saiu Banjo-Kazooie. A gente alugava o jogo praticamente todo o fim de semana e tentava terminar, peça por peça.

Super Mario 64 foi absolutamente impressionante, porque 3D era novidade e o jogo era incrivelmente bem feito. E enorme. Mas com Banjo-Kazooie a Rare pegou a fórmula e expandiu, colocando-a em um universo novo e cheio de personalidade. Tudo no jogo exalava novidade e criatividade, desde os inimigos até os itens. Mas principalmente os ruídos que se passavam pelas vozes de cada personagem. Aquilo é um dos melhores exemplos de inovação por limitação técnica, tanto que no novo Banjo eles optaram por continuar com os barulhinhos em vez de colocar vozes reais em todos – o que seria perfeitamente normal e possível hoje.

bknb-tallDepois de me encantar por dezenas de horas com a jogabilidade de plataforma normal, eu chego ao fim do jogo e me deparo com um desafio incomum: para chegar à última batalha contra Gruntilda, a bruxa, eu tive que passar por um jogo de perguntas e respostas, guiando Banjo por um tabuleiro enquanto respondia a qual inimigo pertencia o efeito sonoro tocado ou qual personagem entre as opções tinha uma árvore de natal em casa. Aquele foi o momento em que eu percebi que a Rare era realmente foda no quesito criatividade.

Pouco tempo depois eu joguei o inacreditável Conker’s Bad Fur Day, que permanece até hoje no posto mais alto do meu ranking de melhores jogos do mundo de todos os tempos – revezando-se com Chrono Trigger. Isso, somado aos os Donkey Kong Country do passado (e mesmo o controverso DK64) e à inesquecível aventura de James Bond contra GoldenEye, foi mais do que suficiente para fazer com que eu me tornasse um seguidor da Rare onde quer que ela fosse.

E ela foi para o Xbox. Não joguei Perfect Dark Zero e nem mais do que dois minutos de Kameo, mas os Viva Piñata serviram para mostrar que a criatividade não se perdera. Só estava sendo investida em um formato talvez menos adequado para a sua manifestação.

Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts, por sua vez, é a volta ao formato clássico, ao formato no qual a Rare se sente em casa. Ao formato no qual eu me sinto em casa com a Rare.

Olhando para trás, para quando a novidade dos “veículos” foi apresentada e gerou desconfiança em todos, eu nem lembro direito porquê fiquei receoso. Depois de tudo que fez bem feito, e mesmo apesar das poucas coisas que fez mal feitas, a Rare merecia todos os votos de confiança possíveis. Hoje eu dou essa confiança, e tenho certeza que vai valer a pena.

Aos que ainda têm medo da tal novidade, façam como eu: relembrem que a Rare sempre foi de correr riscos, e que esses riscos geralmente acabam dando certo. Usar um personagem dois-em-um, separar esse personagem em dois, fazer um jogo sobre um esquilo alcoólatra falador de palavrões em um videogame “família”, fazer um jogo colorido em um console cheio de shooters e jogos de corrida para adultos… todos riscos, assim como a introdução do “Modo LEGO”. A Rare trabalha melhor quando precisa provar ao mundo que não está louca.

Tenho total confiança que Nuts & Bolts será um jogão, e por isso mal posso esperar por ele. Só ainda não gosto do nariz quadrado do Banjo, mas nem tudo é como a gente quer.

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Um wallpaper de presente pra quem leu tudo! \o/

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