Quem aqui já teve um SEGA Saturn? Não duvido que sejam poucos… e pra ser sincero, eu também nunca tive um, mas sempre soube que o console tinha muitos jogos bons, um em particular que eu sempre sonhei em jogar, e outros que eu nem sabia que existiam. Mas agora veio essa oportunidade, e quero contar tudo pra vocês, porque todos deveriam conhecer esses jogos!

» Saturn Bomberman

Alguns de vocês, ao ler “um em particular”, devem logo ter pensado “deve ser algum Bomberman” — pois é, não é novidade que eu sou fã. Lembrando do meu post sobre a Hudson, eu falei sobre Hi-Ten Bomberman, aquele com dez jogadores e em alta definição, e, bom, saiba que ele não morreu: seu espírito foi parar nesse fantástico jogo para o branquinho da SEGA, que possui um sistema que imita a alta definição, assim sendo capaz de ter o caótico modo para dez jogadores e uma tela widescreen.

Não, não coube tudo na screen, mas aparece a arena inteira!

Mas não é só isso! Saturn Bomberman é considerado um dos melhores por várias razões, entre elas por ter os chefes mais criativos de toda a série, um modo de jogo que testa a real habilidade do jogador e, claro, cenários extremamente bem feitos, isso sem contar com o sistema online implementado na versão americana e mais tarde na japonesa.

» Guardian Heroes

E esse cai na categoria “eu nem sabia que existia e agora amo”, e digo de cara: é o melhor beat ‘em up que eu já joguei, ever. Tem um enredo divertido, uma jogabilidade ótima e gráficos que muito me agradaram, mas acima de tudo tem algo que falta na maioria dos jogos do gênero — ação.

Em Guardian Heroes, a ação se move em três planos, para os quais você pode mudar livremente, e conta com um ou mais (até quatro!) parceiros em batalha contra uma legião de inimigos que de fraquinhos não tem nada, pois é um jogo difícil e se você não estiver acostumado, vai morrer sim. Há também uma grande quantidade de golpes, que junto aos cinco personagens disponíveis para o modo principal e mais de quarenta (!!) no modo de batalha, acaba por tornar tudo muito impressionante aos olhos e aos dedos.

E não pára por aí: entre os estágios, você distribui pontos entre os diversos atributos do seu personagem, então se quiser usar mais força ou mais magia, é só mandar bala. Além disso, a própria história se divide em diversos caminhos levando para diferentes chefes e estágios, de modo que uma partida jamais seja completamente igual à outra. É mole ou quer mais?

» NiGHTS Into Dreams

Falar de Saturn sem falar em NiGHTS é um verdadeiro crime: o jogo é uma masterpiece, e assim como muitos jogos nos consoles da Sega, é revolucionário no que diz respeito à integração gameplay aos gráficos e à música. Tendo sido desenvolvido pelo Sonic Team, o jogo possui aquela “fórmula Sonic” de coletar coisas, mas as semelhanças param por ai: enquanto o porquinho azul corre em seus jogos, a sensação principal de NiGHTS é a de vôo, o fluir com o vento e a sensação de liberdade.

Em NiGHTS, você controla um menino ou uma menina que, por terem problemas na vida real, acabam tendo pesadelos e sendo levados para o mundo dos sonhos, onde um vilão tenta… hã, dominar o mundo dos sonhos roubando a energia dos sonhos das pessoas, chamada de ideya. Felizmente para os nossos dois heróis, eles possuem a raríssima ideya vermelha da coragem, e libertam um dos vassalos do vilão, um… err… NiGHTS.

Nos estágios, você controla as crianças em terra: elas são lentas e não fazem quase nada, mas quando entram numa cúpula e se fundem com NiGHTS, a coisa muda de figura, e você se torna livre pra navegar pelos níveis, fazendo acrobacias e coletando os ideyas roubados. Acredite, é melhor do que parece.

Descrever esse jogo é bastante difícil — é que nem Earthbound, você tem que jogar pra ver se gosta ou não. Mas não custa tentar.

» Dragon Force

Um RTS com um twist: ao invés de controlar seu exército no mapa de uma certa distância gráfica, você presencia a guerra em primeira mão, no maior estilo beat ‘em up, e dá os comandos vendo se há ou não uma bola de fogo gigante sendo lançada contra o seu general. Apesar de muito confuso no começo, a quantidade de opções e a imersão em batalha tornam esse jogo um dos melhores no gênero, e sendo uma mistura divertida e inovadora que grita “se você não gosta, jogue, somos diferentes o suficiente; se você gosta, jogue, somos uma grande inovação”, e dá totalmente certo.

Não vou me prolongar falando da história: é boa, mas eu teria que criar mais dois parágrafos pra explicar dos oito exércitos disponíveis ao jogar e da grande guerra prestes a surgir entre eles, então falo do avanço fora do mapa: você domina cidades e posteriormente castelos, avançando através de um mapa 2D que me lembrou bastante Advance Wars. É show de bola!

» Panzer Dragoon Saga

Panzer Dragoon é uma série de rail-shooters fantásticos que venderam muito, mas diferente de muitas empresas com franquias renomadas, o Team Andromeda (uma equipe interna de developers da SEGA) decidiu inovar e transformou Saga em um RPG — e um RPG bom pra caramba! Aliás, o Team Andromeda se transformou em Smilebit (de Jet Set Radio, pra Dreamcast) depois do término desse jogo, e continuou a desenvolver os incríveis jogos que marcaram a época de ouro para a SEGA, o último deles sendo o hit de XBOX Panzer Dragoon Orta, que foi o climax, pois depois disso, nunca mais a empresa valorizou originalidade, jogabilidade e estilo, e passou a ver suas franquias como meras vacas leiteiras. Até a Smilebit é hoje Sega Sports Japan!

Bom, voltando… Panzer Dragoon Saga conta a história de um jovem mercenário e seu dragão em um mundo pós-apocalíptico — é só isso que eu vou dizer, pra não dar spoilers — e se divide em fases aéreas e terrestres de gameplay, e nisso destaca-se o extremamente complexo e bem feito sistema de batalha, que se passa sobre o dragão, é em tempo real e utiliza de ângulos cinemáticos para dar intensidade à batalha, mais ou menos como no recente End of Eternity. Ainda melhor, há também um sistema de “morphing” onde o dragão pode tomar várias outras formas, no melhor estilo Breath of Fire, e é aí que está o twist: o sistema é tão refinado que, através da combinação de atributos e outros fatores, as possibilidades se tornam infinitas. Com certeza um dos melhores RPGs que eu tive o prazer de jogar, uma pérola no meio de tantos.

» Castlevania: Symphony of the Night

Certo, certo, todo mundo já jogou esse, mas por acaso jogaram com Maria Renard? Se a resposta foi “sim, no PSP!”, então saiba que você está errado: a versão de ‘Night que é jogável no fantástico Rondo of Blood foi modificada, tanto no gameplay quanto na história. E aos que não jogaram, melhor!

Na versão de Saturn, as coisas mudam: tanto com Maria quanto com Richter Belmont, ambos os personagens que, juntamente de Alucard, podem ser selecionados logo no início, mostram o seu lado da história, ou seja, o que faziam enquanto nosso vampiro galante coletava seus poderes e matava monstros através do castelo. Isso o permite explorar Castlevania de maneiras totalmente diferentes e ver coisas que todo fã da série adoraria.

Pois é, fico um pouco triste de todos esses jogos fantásticos existirem, mas tão poucas pessoas os conhecerem, e por isso decidi fazer esse post — mesmo que você dificilmente possa achar um Saturn funcional com todos esses jogos, através da emulação eu cheguei até eles e através da emulação é que eu os trago a todos vocês, pois jogo bom é pra ser jogado.

Foi graças ao emulador SSF, que emula o console quase que com perfeição, mas pede um PC com um mínimo 3GHz ou com mais de um núcleo para rodar, que eu consegui, mas não foi fácil configurar esse negócio, viu… depois de muita dor de cabeça, uma simples desativação da opção “hook backup library” (ou ainda, descobrir que o emu roda sem precisar de BIOS…) e o apoio espiritual do Mondemul, um site francês com o formato recomendado para a jogatina, consegui — e valeu totalmente o esforço. Meu único arrependimento é não ter estado ciente do Saturn em seu auge, para poder lembrar com nostalgia de todos esses jogos enquanto limpo a minha prateleira… c’est la vie!

» …e quem é o cara da imagem no topo?

É a estratégia vencedora de marketing da SEGA, veja clicando aqui.

Posts relacionados:
  1. Por que a Sega odeia tanto seu próprio passado?
  2. [Discussão de Fim de Semana] SEGA diz: “qualidade vem com o tempo”; Continue diz: “demorou!”
  3. Criador de ToeJam & Earl chama a Sega de mão de vaca e quer fazer jogo novo com a dupla!
  4. [Retroatividade #03] Alex Kidd in Miracle World – O primeiro mascote da SEGA, no grande clássico do Master System
  5. Sega é uma bruxa sádica e ameaça produzir mais um jogo do Lobisonic!