
[Acho que não precisamos mais de apresentações, né? Com vocês... Daniel Trezub, o homem dos jogos Incansáveis!]
Esse já é o quarto artigo sobre os nossos queridos jogos antigos. Estou há um mês escrevendo sobre eles. Depois de Transport Tycoon, Tetris e Age of Empires 2: The Age of Kings, creio que a escolha natural para hoje seja Starcraft.
No texto da semana passada, escrevi que existem vários bons jogos RTS, mas Age2 continua tendo seu charme. Agora, escrevendo sobre Starcraft, entendo porque não mencionei o RTS espacial da Blizzard semana passada. Starcraft é outra coisa.
Age é RTS. Starcraft é RTS. Mas qualquer um que já tenha jogado os dois vai concordar comigo que são coisas completamente diferentes. A experiência de jogar Age of Empires e de jogar Starcraft é diversa, apesar do gênero ser o mesmo. A atmosfera é diferente, sei lá. Na minha cabeça, Starcraft e Age não cabem na mesma caixa.
Sou obrigado a dizer, antes de tudo, que nunca fui um jogador assíduo de Starcraft. Eu jogava em lanparties com meus amigos, mas nunca fui bom. Como só joguei a campanha single player com os Terrans, posso dizer que eu sou um desastre com as outras raças. Me dê um time de Terrans e eu posso durar, no máximo, uns 20 minutos. Zerg ou Protoss? Cinco minutos, e se alguém me ajudar. Não que eu dure muito mais que isso numa partida de Age, mas pelo menos nesse eu sei o que fazer, que prédios fazem o quê e quais updates preciso fazer para chegar a algum lugar.
No Starcraft a coisa pega. Cada raça é única. Não tem muita coisa em comum entre elas. Se você sabe jogar bem com os Protoss, não quer dizer que saiba jogar bem com os Zerg. Se você pega um jogo aleatório no Age, é tudo meio parecido, as diferenças são na árvore tecnológica. Todas as civilizações têm barracks, todas têm moinho. Starcraft, lá em 1998, mudou isso e criou um novo patamar para RTS.
Cada raça tem sua árvore tecnológica, suas unidades únicas e até mesmo sua própria maneira de construir os edifícios. Aliás, nem dá pra dizer que são todos edifícios, já que alguns são estruturas orgânicas. E é essa singularidade de cada raça que faz Starcraft estar presente nesta série de artigos.
Zzzz… História!
Caso você tenha menos de dez anos ou tenha vivido em uma bolha de vidro preso em uma caverna no Afeganistão, não deve ter idéia do valor que Starcraft tem para a cultura gamer. É um daqueles jogos que se pode chamar de “divisor de águas”. A Blizzard, que já ganhava rios de dinheiro com Warcraft e Warcraft II, resolveu que não estava ganhando grana o suficiente e começou a desenvolver um joguinho baseado no engine do Warcraft II, mas que se passava no espaço. A coisa não deu muito certo, as primeiras versões beta apresentadas foram duramente criticadas e os caras voltaram ao desenvolvimento, alterando bastante coisa. Gráficos novos, uma música boa, três raças distintas e algumas novidades na mecânica: é o que a Blizzard precisava.
Diz a internet que foram vendidas mais de nove milhões de cópias do jogo, sendo que quatro milhões só na Coréia do Sul. Mais adiante voltaremos a falar da Coréia. É por isso que o anúncio de que estava sendo desenvolvida a continuação do jogo foi recebida com furor na comunidade gamer mundial. A expectativa é grande. Grande, não. Enorme. Mas, como a produtora já disse, “vai estar pronto quando estiver pronto”.
RTS em outro nível
Assim como Age2 e Rise of Nations, Starcraft também tem seus campeonatos sendo jogados por aí. A diferença é que o jogo dos Terrans é um dos jogos oficiais do WCG, World Cyber Games, uma olimpíada de jogos eletrônicos. É o único jogo que está na lista desde 2001, e é o mais antigo da competição. Tem gente que é profissional, ganha a vida jogando Starcraft. Com prêmios de dezenas de milhares de dólares, os jogadores têm patrocínio, programas de treinamento e tudo o mais que um atleta pode querer.
Mas o negócio esquenta mesmo é lá na Coréia do Sul. Os campeonatos nacionais são televisionados por três canais locais. No YouTube tem vídeos de programas humorísticos fazendo piadas sobre o jogo. Sites especializados disponibilizam os replays das partidas, com comentários, análises, notícias. Depois do Fantástico, não passam os gols da rodada do Coreanão, mas sim o sobe e desce do ranking de Starcraft. Dizem que quando a Blizzard anunciou o Starcraft2 foi feriado nacional.
Nas festas de debutantes das filhinhas de papai, os ricaços não contratam atores globais ou big brothers, mas sim os campeões de Starcraft. Os caras são capa de revista, têm tudo do bom e do melhor. Mas engana-se quem acha que essa é a vida que todos nós pedimos a Deus. Como vi numa entrevista há algum tempo, é estressante. Tem cobrança do patrocinador, do técnico, tem que treinar horas a fio, estudar a estratégia dos adversários, melhorar, melhorar e melhorar. Eu prefiro jogar de vez em quando, mesmo perdendo sempre. Apesar que, pra ganhar 200 mil dólares em um ano, o cara tem mais é que se empenhar, mesmo.
Coisas que todo gamer…
Uma das coisas que todo gamer que se preze precisa ter feito na vida é ter seu command center atacado por hordas de zerglings. Você está lá, todo faceiro, aprendendo o jogo com os Terrans, seus SCVs pegando mineral e gás, e de repente uma matilha (ou será manada?) com mais de 30 zerglings vêm pulando daquele jeito horrível, gritando, matando os seus robozinhos. Uma saída é tentar fugir com um deles, mas não dá por que os monstrinhos são mais rápidos. Outra é fazer seu command center (já em chamas) sair voando na esperança de encontrar um lugar para aterrissá-lo.
Todo mundo deveria passar por isso um dia para entender o que é Starcraft.
Para terminar, uma pequena amostra da doença que pode ser esse jogo. Esse é um trecho de um documentário da National Geographic sobre a WCG 2005, falando sobre a semifinal e a final de Starcraft. É emocionante, mesmo para quem não conhece:
E, para os iniciados:
Até a próxima.