
Não se deixe enganar pelo título brega que mais parece nome de quadro sensacionalista do programa do Gugu. A mais nova coluna do Continue promete pôr para trabalhar a criatividade enferrujada de todos os nossos redatores (tudo bem que já começamos meio mal - pelo nome). Em Sonho Meu, pretendemos tirar de nossas mentes doentias e psicopatas as idéias mais inescrupulosas e encaixá-las de forma a criar um jogo fictício. Valem conceitos completamente novos, seqüências de séries recorrentes e até releituras de algum título que gostamos muito: o que vale é pôr pra fora e extravasar a frustração de saber que, por mais bacana que seja o nosso jogo, ninguém nunca vai poder jogá-lo.
A minha escolha para a primeira edição é bem estranha, justamente pelo fato de ser uma seqüência de um game que não foi bem avaliado o suficiente para ser considerado como cult e nem popular o bastante para ganhar seqüências ocidentais. Mas ele conseguiu uma proeza que, se não foi tão significativa, é muito mais difícil de ser alcançada: me fez pagar pau para um jogo de luta. O nome? Bushido Blade.
Para quem nunca jogou, as lutas ocorriam em três dimensões e eram travadas por pseudo-samurais com diferentes estilos de espadas/lanças. O que fazia dele diferente dos jogos tradicionais do estilo é que, em vez das centenas de golpes, hadoukens e shoryukens disparados por segundo, ele era bastante lento. Eu sei que isso não é algo que costuma ser apontado como algo positivo, mas, acredite: no caso de Bushido Blade, funcionava. E muitas vezes a luta terminava já no primeiro movimento, já que bastava acertar o seu oponente em um ponto vital que o sangue jorrava e ele caía instantaneamente.
(Melhor só se caísse algum membro decapitado do lado… mas vou chegar lá).
O mais legal era que dava para realmente formar uma estratégia durante a luta. Na verdade funcionava mais ou menos como um duelo de espadas normal, e isso era o bacana: para se defender dos golpes do oponente, você precisava continuar brandindo sua espada. Se conseguisse, você poderia até correr na direção contrária… mas como o espaço era tridimensional, numa dessas perseguições você poderia acabar levando uma bela espadada na traseira (…).
E agora o leitor sempre esperto do Continue já deve ter somado dois mais dois e percebido onde eu quero chegar. Primeiro: esqueça Red Steel. E depois pense comigo: espadas + decapitações + jogabilidade realista + Wii = o jogo perfeito.
O que você certamente não sabe é que Bushido Blade tinha também mais um requisito para ser somado a esta lista: um modo com visão em primeira pessoa! Sim, parece até que eles sabiam que um dia o Wii seria lançado, não? De qualquer jeito, este modo era algo mais tido como secundário e, por isso mesmo, não era tão bem trabalhado como a perspectiva normal em primeira pessoa. A visão era meio limitadora e sacrificava um pouco da experiência, mas certamente foi uma adição bastante curiosa ao pacote.
É claro que, caso Bushido Blade Wii viesse a existir, este modo estaria presente. E seria totalmente retrabalhado, de forma a ser totalmente eficiente e casar com a jogabilidade. Não preciso nem dizer qual seria a principal novidade do jogo, né? Sim, isso mesmo! Você controlaria os golpes e espadadas pelos botões! Para dar uma golpe vertical, aperte B; horizontal, aperte A. Para estocar, aperte alguma das direções no direcional digital. E para lançar uma adaga, só apertar um 1 ou 2!!!
Óbvio que estou sendo irônico. Tudo seria controlado através dos movimentos com o Wii Remote. Mas talvez o modo em primeira pessoa não seja o mais ideal. Neste caso, o jogador poderia escolher em que perspectiva prefere jogar. Além de poder estar dentro do lutador e ver tudo acontecendo em terceira pessoa, você poderia selecionar uma câmera que ficasse posicionada mais ou menos do mesmo jeito em que se joga Resident Evil 4 e Gears of War, no ombro do personagem. Eu acho que esta inclusive seria a mais ideal: além de não ter aquela sensação estranha e arcade de Dragon Quest Swords (já que você veria o seu personagem), você ainda seria favorecido com uma visão mais adequada do ponto de vista da jogabilidade - já que os seus movimentos com o Wii Remote seriam reproduzidos fielmente na tela.
Por fim, os controles. Eu acho que essa ambição de criar um jogo que copie os seus movimentos em tempo real na tela é meio tola: pelo jeito a tecnologia do Wiimote não é boa o suficiente para algo tão realista. Portanto, acho que os golpes poderiam se resumir a golpes verticais e horizontais, com as devidas variações dos jogadores e espadas que aconteciam na versão original para PSone. Você controlaria o seu personagem com o nunchuck, e os botões serviriam para aquelas firulinhas extras e combos especiais que já exisitiam nas versões 32-bit.
É claro que, por ser um jogo criado para a nova geração, Bushido Blade Wii seria bem bonito. Estamos cansados de saber que o console branco da Nintendo não tem o potencial dos grandalhões 360 e PS3, mas acho que isso não deve ser problema em um jogo de luta. Desde que possamos mostrar o sangue jorrando e as cabeças voando em direções aleatórias durante as lutas, o resto é o de menos. É claro que ver o reflexo do rosto dos personagens nas espadas sujas de vermelho não faria nenhum mal, mas…
E fim! Está criado um dos jogos mais sensacionais do Wii! Ou melhor, poderia estar… mas você bem gostaria de jogar, não? NÃO?
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Gostou da coluna, mas achou meu jogo um lixo? Não deixe de mandar a sua idéia para nós! Se for tão bacana quanto a minha, quem sabe ela não dê as caras por aqui um dia desses… para que eu possa decapitá-la com um só golpe. ò_ó