StarCraft II está sendo uma experiência fascinante pra mim, por isso esperem ouvir falar bastante sobre o jogo nos meus posts nos próximos dias. Entre hoje e amanhã eu quero publicar as minhas primeiras (e bem breves) impressões, e talvez na semana que vem uma resenha, mas agora eu queria abrir uma discussão que se ensaiou no meu Google Buzz esses dias, quando eu compartilhei isso aqui, e eu acho muito interessante: a dublagem de StarCraft II está ruim ou nós é que não estamos acostumados a ouvir games como esse em português?
Penso eu que é um pouco de cada. (Claro, porque é a resposta mais fácil.
)
O maior exemplo talvez seja Tychus, o grandão de armadura que acompanha o protagonista, ao menos no início da campanha. Em inglês, ele é um ex-presidiário durão, macho pra cacete, sempre com um charuto no canto da boca e com agressividade contida, mas escapando pelos poros. Ele é um badass, e isso fica muito mais claro pela voz absurdamente grave e pelo seu jeito lento e calculista de falar do que pela armadura ou pelo charuto.
Em português, ele soa como um retardado.
Você já reparou que muitas vezes, em filmes dublados, a fala em português meio que dá uma arrastadinha, usando um “aahnnn” ou algum recurso similar? Como se a frase em português só estivesse esperando o fim do movimento da boca falando em inglês? Se isso acontece em diálogos de pessoas que falam normalmente, imagine como é a dublagem de um cara de fala “lenta e calculista”. A impressão é a de que o esforço que o Tychus que fala português tem que fazer para lembrar sempre qual é a próxima palavra que ele quer dizer é tão grande quanto o de andar com aquela armadura (e você pensava que a da Samus era grande).
Mas, no fim, Tychus é só o maior exemplo. Há outros. O próprio protagonista Jim Raynor sofre do mesmo mal, ainda que em escala bem menos irritante. Muitas das falas aleatórias das unidades no campo de batalha são engraçadas e divertidas, mas outras são simplesmente “WTF”. Outras mostram como é complicado fazer um jogo desses sem poder incluir palavrões e linguagem adulta – afim de evitar uma classificação etária que prejudique as vendas.
Por outro lado, falar mal do trabalho de localização da Blizzard seria uma grande injustiça. Primeiro porque é algo bem difícil de ser feito, e praticamente ninguém tem o know-how necessário para fazer uma localização/dublagem perfeita de um jogo complexo do inglês para o português. Segundo porque na verdade a localização está impressionante.
Absolutamente TUDO no jogo está em português do Brasil. Nem todas as traduções soam naturais, mas definitivamente não é nisso que eu penso quando vejo um modelo 3D do antigo distintivo policial de Raynor na parede, incrustado com frases em português. Eles literalmente fizeram um distintivo para cada língua. Há TVs que passam um noticiário da região onde se passa o jogo, e até aquelas pequenas manchetes que passam na base da tela são em português. Ao lado do nome da emissora está escrito “AO VIVO”, não “LIVE”. Coisas assim.
E, como estou com o jogo meramente há dois dias, nos quais consegui jogar muito pouco, fico pensando se não é tudo uma questão de costume (inclusive o aparente retardo mental do Tychus). Na fila do evento de lançamento do jogo, conversando sobre isso em uma rodinha de amigos-do-twitter, ouvi alguém dizer: “O que matou Halo 3 pra mim foi a dublagem”. Será que a dublagem de StarCraft II vai “matar” o jogo para alguém, ou será que vai ser um passo importante para ajudar os gamers brasileiros a se acostumarem a ouvir os jogos falando com eles no seu próprio idioma?
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