Quando foi anunciado na E3, ninguém deu bola — não passava de quatro patetas executivos jogando um rehash medíocre do DS, não é mesmo? Isso sem dúvidas, por culpa da fraca apresentação da Nintendo. Mas então, passou um tempo, e vimos que não era bem assim. Onde isso nos coloca agora?
Pra começar, New Super Mario Bros. Wii não tem nada de rehash, muito menos de remake: é um jogo 100% novo, e o próprio Miyamoto está diretamente envolvido com o desenvolvimento, coisa que não aconteceu com a versão de DS, criticada por ser absurdamente fácil e ter um level design medíocre. Ao invés disso, graças ao controverso artifício Super Guide, foi possível aos developers aumentarem a dificuldade do jogo a um nível muito mais parecido com a série clássica, do NES e do SNES. Aliás, muita inspiração está sendo retirada dos jogos originais, e isso se torna evidente quando damos uma olhada em tudo que New Super Mario Bros. Wii trouxe de volta.

Um overworld decente!
No estilo do clássico Super Mario Bros. 3, o overworld é dividido por temas (deserto, neve e afins) e não é mais tão linear quanto em NSMBDS. Além do retorno das Toad Houses, com seus minigames divertidinhos que dão power-ups como recompensa, você também poderá encontrar inimigos através do mapa, além de achar passagens secretas com ítens só disponíveis ali, e poder procurar por um warp cannon para pular um ou dois mundos.
Enquanto isso, o verdadeiro mapa-mundi é feito em um estilo reminiscente de Yoshi’s Island, o que não pode ser ruim. Olha só!

Koopalings de volta!
Sem dúvida um dos maiores presentes possíveis aos fãs de SMB3 e SMW, nossos clássicos vilões, que não tem participação significativa desde Mario & Luigi, agora estão de volta, refletindo sua artwork original. Dois deles até tiveram seus designs aperfeiçoados: Iggy, que ganhou um cabelo verde e um físico de minhoca, e o próprio Lemmy, com seu pequeno rabo-de-cavalo que invoca a sensação daqueles penteados rídiculos dos anos 90.
As mecânicas de gameplay para os chefes também mudaram um pouco: ainda que os Koopalings carreguem seus clássicos cetros, são bem mais difíceis de se derrotar. Primeiramente, a Fire Flower já não funciona tão bem contra chefes (também, onde já se viu, eles supostamente são tartarugas-dragões!), o que retira um “fator apelação” presente em todos os jogos da série desde os seus primórdios. Eles são enfrentados duas vezes por mundo: uma na fortaleza, na metade do caminho, e depois no castelo final, onde recebem ajuda de Kamek, que com sua mágica complica o local da batalha. Suas técnicas também ficam mais agressivas e diferentes durante a segunda batalha, de modo que não é possível derrotá-los do mesmo jeito. É ou não é foda?
Aos curiosos: há oito mundos, oitenta fases, duas batalhas por mundo. Façam as contas e esperem ansiosamente pela batalha final.

Mecânicas de Super Mario 64, dessa vez bem implementadas!
Fato que alguma dessas mecânicas estavam presentes em NSMBDS, mas de que adianta ter a capacidade de pular nas paredes se isso não é utilizado de maneira precisa e necessária para o progresso? Aqui, esse tipo de mecânica abre algumas portas para a exploração dos níveis e, especialmente, para a coleta das Star Coins, marcadas naquele pontilhado abaixo do rosto do Mario. Ao que parece, haverá uma boa recompensa para quem coletar todas, mas não se sabe se vai ser um mundo secreto, um novo personagem (pouco provável, infelizmente) ou uma mudança de estações, como ocorria em Super Mario World ao encontrar todas as 96 saídas terminar o mundo em forma de estrela. Melhor não cair na especulação ainda.
Outro ponto interessante é o uso do Wiimote no jogo. É de praxe: toda vez que é lançado um jogo para Wii, há uma preocupação geral com o “waggle”, que é o equivalente de socar os botões até vencer do Wii. Até onde se sabe, não é possível usar o Classic Controller ou o GameCube Controller no jogo, porque os usos do Wiimote são bastante sutis, a única mecânica principal sendo o pulo giratório, que é feito com um movimento leve do controle. Desconheço todos os usos, mas posso dizer dois: controlar o movimento da plataforma, aqui, e controlar as luzes do barco, aqui. Até agora tudo bem.
Yoshi, agora também comendo martelos!
Esse em específico é uma mistura de todos que nós já vimos nos jogos do Mario: a mecânica básica é a de SMW, mas os pulos e bundadas de Yoshi’s Island estão presentes, assim como as cores, que dessa vez não trazem nenhuma diferença no que diz respeito à jogabilidade.
Éééé, nada de passar as fases mais difíceis com aquele Yoshi azul, seu safado!
Sejamos honestos: o Yoshi sempre foi meio que um gamebreaker em SMW, com suas transformações e habilidade de comer todos os inimigos. Em NSMBW, usá-lo sem retirar a vangloriada dificuldade do jogo seria quase impossível e, portanto, dou-lhes a triste notícia: ao fim da fase, o Yoshi acena adeus e segue seu caminho. Como um dos modos de jogo permite escolher qualquer fase que você já tenha terminado, não deve ser um problema aproveitar ao máximo todas as do Yoshi, então não é tão ruim assim. NSMBW é mais 3 do que World, de qualquer forma, mas podem se decepcionar aqueles comprando apenas pelo carismático dinossaurinho.
E sim, os tambores são adicionados à música quando você sobe nele. Yoshi!
E muito mais!
É óbvio que New Super Mario Bros. Wii é uma carta de amor aos fãs do bigodudo. Além de diversas, inúmeras referências aos jogos que fizeram da Nintendo o que ela é hoje, a empresa também decidiu retornar às origens, tanto em jogabilidade quanto em design, e ao invés de trazer elementos batidos para justificar o “New” no título, decidiu focar no que já existia e, além de fazer um bom jogo (o que deveria ser o objetivo principal de qualquer developer), introduzir um novo conceito à série, que é o de multiplayer local.
Como eu obviamente não joguei ainda, não posso confirmar de certeza se o jogo vai ser bom ou não, mas uma coisa é certa: ele tem tudo pra ser. As críticas mais comuns estão sendo direcionadas à música, com seu irritante “waah waaah”, e aos gráficos. É verdade que em quase todos os trailers toca o tema principal do jogo, mas isso não significa que essa seja a única música do jogo, e há tanto músicas originais quanto remixes de SMB3.
Quanto aos gráficos, acho que vai da opinião de cada um: diferente da maioria dos críticos por aí, não acho que o estilo atual de Mario não tenha alma, muito menos que o jogo seja feio; pelo contrário, a jogabilidade flui com os gráficos, e não é possível ver todos os pequenos detalhes que tornam o jogo bonito em vídeos na internet. Alguns são ótimos, mas só saberemos realmente se a Nintendo se esforçou ou não no dia 15 de Novembro. Falta pouco!
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