(Okami Wii Jogo) [bb]

Nos já distantes tempos em que a Electronic Entertainment Expo (a E3, obviamente) era um evento de respeito, a Capcom e a Clover anunciaram uma tentativa arriscada de inovação: Okami. O jogo foi lançado no ano seguinte e eu, diante do computador, fiquei apenas babando, pois tinha acabado de comprar um Nintendo GameCube e não ia comprar um PS2 só por um jogo ou dois.

No mesmo ano, a Nintendo revelou o sistema de controle do antigo Revolution e eu, seguido da torcida do Flamengo, imediatamente pensei que Okami seria fantástico se fosse adaptado para o novo console do tio Miyamoto. É claro que, pessimistas que são, os gamers em geral não acreditavam que a Capcom portaria o jogo, ainda mais quando a Clover fechou as portas.

Tal pessimismo acabou em 2007, quando a Capcom anunciou que iria, afinal, fazer o port. No meio do ano passado, lançou-o no mercado. Recentemente eu o adquiri e, após jogá-lo por inteiro, consegui formar uma opinião sólida. Valeu o esforço de transferi-lo do console negro e fosco da Sony ao reflexivo e branco da Nintendo? E, principalmente, valeram os vinte dólares que gastei com um cara semi-aleatório no eBay? É o que você vai descobrir depois do continue.


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É foda! [+]

[+] Pintura em movimento. Todo mundo já sabe disso, mas Okami é simplesmente um dos jogos mais lindos que já foram lançados na breve história dos videogames. O jogo é modelado em 3D, mas inspirado no estilo de pintura japonês sumi-e, o que significa que tudo parece ser desenhado a nanquim e colorido com suavidade. O efeito obtido é magnífico, e muitas vezes é fácil pensar que se está assistindo a uma pintura tradicional japonesa se movendo lentamente. Além disso, tudo é realmente muito bem animado: a protagonista Amaterasu se locomovendo pelos belíssimos ambientes de Nippon, deixando uma trilha de flores por onde passa; o cenário ao seu redor, se movimentando, como se quisesse lhe dar boas vindas; os inimigos e chefes, a cercando agressivamente, fazendo poses para provocá-la. Tudo isso aparece de forma impressionante na tela, e mais de uma vez você vai se ver apenas observando o mundo ao redor, principalmente depois de ativar o modo de perspectiva afastada.

[+] O pincel mais poderoso que a espada. Outra das grandes inovações de Okami é o Pincel Celestial. Pressionando o botão B no Wiimote, o mundo pára em uma coloração sépia e, movimentando o Wiimote é possível realizar os mais diversos milagres. De regenerar pontes destruídas pelo tempo a fazer o sol brilhar no horizonte ou a lua trazer a noite em pleno dia, o mundo muda com as pinceladas místicas de Amaterasu. São treze técnicas ao total, obtidas completando constelações que representam deuses no céu, todas com diversas funções dentro do jogo, o que garante uma boa dose de ansiedade (“nossa, espero que tenha uma vista do céu nesse templo gigantesco cheio de demônios!”).  Certamente é um dos sistemas mais inovadores em games da geração passada.

[+] Fluido como tinta no pergaminho. A jogabilidade de Okami é genial. Não é só a mecânica de pinceladas milagrosas: tudo no jogo é bem construído, do sistema de exploração e conversação ao de combate. Derrotar inimigos é muito divertido, quase nunca se tornando uma tarefa maçante; desbravar Nippon e seus calabouços também raramente se torna chato e é raro realmente se perder ou “travar”, mesmo nas partes mais difíceis; as diversas sidequests e conversas com outros personagens são interessantes e convidativas…  se você gosta do estilo, é difícil de se cansar desse jogo.

[+] Banindo as trevas de Nippon. Apesar de não muitas vezes inovador, o sistema de combate é muito bem trabalhado e não deixa a desejar em nenhum aspecto. Para entrar em batalha é simples: ache um pergaminho gigante com uma aura negra se movimentando pelos campos do jogo e encoste nele. Uma barreira irá se formar e os inimigos surgirão. A partir desse ponto, é muito simples: Amaterasu tem a seu dispor três tipos de armas (cada uma com dois tipos de utilização diferente) além das técnicas do pincel para enfrentar os inimigos. Balançando o Wiimote para ataques primários e apertando Z para os secundários, você deixa os inimigos fracos e finaliza-os com a técnica de corte com o pincel. Os confrontos são rápidos, fluidos e, como já mencionado, divertidos. É raro se sentir tentado a fugir de um combate.

[+] A pintura em um livro ilustrado. A história de Okami é enorme, interessante e, acima de tudo, envolvente. A introdução do jogo tem quase quinze minutos e, depois disso, são mais (no meu caso) trinta e duas horas de jogo, cada minuto levando o mito para frente de forma fantástica. O jogo tem dezenas de personagens — além de Amaterasu e seu carismático e ligeiramente irritante companheiro Issun –, que não são meros extras na enorme lenda que o jogo conta conforme o jogador avança na jornada. Para quem gosta de jogos com história forte, este é um a ser jogado.

[+] Uma viagem cultural. Por fim, queria mencionar que, quando o pessoal da Clover e da Capcom resolveu fazer um jogo baseado na antiga cultura japonesa, eles levaram o conceito a sério. Tudo no jogo berra “saquê kimono nanquim raposas estranhas onis bambu”, sem exagero. É algo muito imersivo, e é impossível não aprender um pouco das tradições milenares daquele povo. A trilha sonora também contribui para esse ponto, sendo composta exclusivamente de músicas típicas do país, executadas principalmente com shamisen e fue. Para completar, a história do jogo é uma grande mistura de vários mitos e lendas japonesas antigas, e, se isso não é tão reconhecível pelos ocidentais quanto pelos japoneses, pelo menos é muito interessante.

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É foda… [-]

[-] Wagglewagglewaggle. Não sei se há um plano malévolo entre as third parties (e algumas second) de cagar os controles de jogos (e principalmente ports) pro Wii, mas pelo menos é o que parece. A Ready at Dawn, empresa que portou Okami para o console branco da Nintendo (já que a Clover fechou), fez de tudo para os jogadores NÃO conseguirem atacar. Funciona assim: para Amaterasu bater, chicotear ou cortar/impalar os monstros do jogo com o ataque primário, é necessário chacoalhar (waggle, como diz o anon) o Wiimote. Apesar do jogo deixar claro que não é para mover indiscriminadamente, e sim nos momentos certos, fazendo isso Amaterasu às vezes simplesmente fica parada apanhando. É uma tarefa difícil fazer um combo de chão padrão com o Reflector (primeiro tipo de arma adquirido no jogo), por exemplo. Outro problema é a esquiva: para fazê-la, deve-se balançar o Nunchuk para a direção desejada. Apesar de parecer simples, muitas vezes a protagonista simplesmente pula para o lado oposto ao que você comanda, o que pode causar uma boa perda de vida. Mesmo assim, as batalhas são divertidas, o que mostra como o jogo é bom apesar de falhas como essa.

[-] Ops, borrei.
 Um ponto essencial do jogo, que fez com que o port fizesse sentido, é o Celestial Brush. Apesar de parecer simples, o pointer programado no jogo é muito impreciso, e no início do jogo o jogador terá dificuldades para realizar certas ações. Cortar é a mais problemática: é necessário desenhar uma linha reta na tela no lugar aonde se quer cortar. Como é uma tarefa difícil com a mão “solta”, segurando Z o pincel “trava” e só é necessário mover o Wiimote na direção desejada. Porém, assim como na esquiva, muitas vezes o traço sai para o lugar errado e é necessário refazê-lo, o que é um grande inconveniente, porque às vezes há um limite de tempo para realizar essa ação. Para mim, isso sumiu na segunda metade do jogo, quando eu já estava acostumado aos controles, mas lembre-se que essa metade durou dezesseis horas, e um jogador menos paciente pode desistir antes.

[-] Sou um deus imortal! O jogo é fácil. Não extremamente fácil, já que muitos inimigos e chefes atacam com ferocidade e pode-se perder muita energia vital (solar, no caso) com seus golpes. O problema é que não há um limite para carregar itens de cura (além do seu dinheiro), e, ainda por cima, há um sistema chamado “Astral Pouch”, que funcionam como as fadas em potes na série Zelda: ao morrer, se você tiver enchido a “AP” com duzentas unidades de comida (encontradas em TODA PARTE no jogo), Amaterasu reviverá. Como se isso não bastasse, é possível comprar mais Pouches com “pontos de gratidão”, adquiridos fazendo favores às pessoas, animais e plantas. Em mais de trinta horas de jogo, eu morri apenas uma vez, porque meu dedo escorregou na hora de pressionar o botão “+” para acessar o menu.

[-] Ih, acabou. O jogo acaba. Após trinta e duas horas que para mim pareceram seis, você enfrenta o chefe final em uma batalha fantástica, que faz uso de quase todas as habilidades adquiridas no jogo, a emocionante cena final tem início e a jornada de Amaterasu chega ao fim. Isso é um aspecto negativo? Não exatamente, mas se só tivessem três ficaria feio. 

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Como podem observar, os grandes aspectos positivos superam os pequenos negativos, e isso não é por acaso, já que Okami é uma experiência fantástica. Fica a dica: se quiser uma experiência sólida de gameplay inovador e ótima história, acabada com arte espetacular e uma aula de cultura, vá à sua loja de preferência imediatamente e compre essa maravilha. 

Okami é um jogo produzido pela Clover Studios, publicado pela Capcom. Foi adaptado para o Wii pela Ready at Down. Jogado até a cena final, deixando vários extras para trás por pura preguiça. Compre no MercadoLivre ou Submarino.

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