O leitor Daniel Trezub prometeu que vai continuar com a há muito tempo abandonada série Os Incansáveis (já tem até o jogo escolhido para escrever, e é um dos preferidos da galera, que eu sei), mas por enquanto ele resolveu traduzir um texto ótimo que encontrou no Ars Tecnica, sobre os problemas enfrentados atualmente pela Microsoft com o Xbox 360.

Uma leitura muito interessante e que pode gerar boas discussões. Mesmo que o Fim de Semana tenha acabado do terminar.

» Uma torre que cai: Sony cerca os pontos fracos do 360

Por Ben Kuchera | Publicado: 17 de Agosto, 2008 - 09:00PM CT

Não seria correto dizer que o céu está caindo para o único console da Microsoft, o 360, mas talvez seja hora de dar uma olhada no que a empresa está fazendo certo… e o que está fazendo errado. O PlayStation 3 começa a ultrapassar a liderança do 360 tanto nas vendas de hardware como de software nos EUA, e o sistema parece estar apenas tomando fôlego. Em contrapartida, o 360 não parece ter tido muito movimento ultimamente.

Enquanto é difícil encontrar maneiras para a Microsoft conseguir sua glória de volta, podemos identificar facilmente algumas áreas problemáticas que estão tornando-se claras enquanto o 360 envelhece. Essas são as fraquezas na estratégia da MS que têm que ser opontadas antes que o sistema possa sequer ter esperanças de retomar seus dias de glória. Vamos dar uma olhada.

» Você tem que achar seu lugar

Quando o PS3 foi lancado, o 360 era o sistema com mais e melhores jogos, e a melhor estratégia online. Microsoft também fez um ótimo trabalho angariando algumas das maiores franquias do mundo dos games. Ela até trouxe essa vantagem até a E3: nós temos GTA, Devil May Cry e agora Final Fantasy! Vejam como nós pegamos a Sony de jeito!

O problema é que esses jogos ainda estão no PlayStation 3, e a MS não está oferecendo muito no sentido de melhorias para esses títulos. De fato, tendo em vista que ela apostou no formato ótico errado, não sabemos quantos discos Final Fantasy XIII ocupará quando o título chegar ao 360. O que mais a MS tem na linha de exclusivos? Halo é um vendedor de consoles, com certeza, mas Metal Gear Solid 4 ainda é exclusivo do PS3. A Microsoft tem muitas franquias fortes de corrida, mas nada comparado à força que Gran Turismo traz ao sistema da Sony.

Xbox Live é um grande serviço, mas não está claro que todas as suas funções são necessárias. Enquanto o jogador hardcore reclama dos Friend Codes da Nintendo, a maioria dos jogadores não está nem aí para eles. E os competidores da Microsoft não estão parados; A Home pode ser a bala de prata que finalmente dará à Sony a liderança na jogatina online. O PS3 tem um dos mais aguardados jogos casuais de todos os tempos com LittleBigPlanet, e o apelo do sackboy já é incrivelmente forte.

Adicione jogos peculiares, como Flower, que estão chegando ao PS3 e a absoluta liderança da Nintendo ao mercado casual, e você tem um mundo onde escolher velhas franquias a dedo não é mais suficiente. Gears of War 2 parece ótimo, mas Resistance 2 e Killzone 2 parecem tão bons quanto em termos de escala, gráficos e jogabilidade online.

A Microsoft precisa aumentar seus esforcos para manter sua marca forte. O novo Viva Piñata parace bom, mas esse foi um jogo que não comoveu multidões em sua primeira aparição. Lips parece ok, mas com Rock Band 2 e Guitar Hero: World Tour chegando, um jogo que apresenta apenas voz não parece encontrar espaço na coleção da maioria dos jogadores.

A Microsoft gastou tanto tempo tentando igualar a glória passada da Sony em termos de seleção de jogos que agora ela encontra-se em desvantagem, já que a Sony conseguiu manter alguns jogos como exclusividades, ao mesmo tempo desenvolvendo outros novos. O novo update do firmware que vai dar uma refrescada na UI do 360 parece forte, mas a imprensa foi bastante fria em sua recepção durante a E3; o plágio total do conceito dos Miis da Nintendo fez muitos dos observadores rirem alto. Não foi um momento confortável.

Halo será suficiente no futuro? Com a Bungie independente, essa é uma grande pergunta em aberto. Está na hora da Microsoft encontrar seu próprio lugar e dar a si mesma um sentimento único do mercado. Seus velhos truques e a vantagem do “primeiro a lançar” não são mais o bastante.

» Encontrar uma casa no mundo

Nós tendemos a focar nos EUA, porque vivemos nos EUA. Mas o mercado de games é um negócio internacional, e a Microsoft viu quase todo seu sucesso nos EUA. Tanto a Nintendo quanto a Sony vão muito bem, obrigado, no Japão e na Europa, enquanto a MS sempre agonizou nesses mercados. Caramba, no Japão o negócio são as vendas do PSP.

A Microsoft depende do mercado americano, e enquanto o sistema vê picos de vendas em outros territórios quando há um lancamento específico de grandes títulos, ele tende a afundar em outras épocas. É difícil de imaginar uma maneira da Microsoft deslanchar no Japão, mas a Europa tem que ser vista como um campo de batalha dos grandes. Tanto a Nintendo quanto a Sony possuem múltiplos sistemas que estão gerando ótimos negócios pelo mundo afora. A MS tem um sistema que vai bem em um mercado. Talvez seja muito tarde para a Microsoft agarrar um pedaço do mercado dos portáteis, e o Zune nem pode ser uma oportunidade nessa área, então a empresa de Redmond fica com apenas uma opcão: o 360 simplesmente tem que melhorar fora dos EUA.

» Leve a vantagem do PS3 a sério

Tenha ou não consertado o problema do Anel Vermelho da Morte (a popular 3RL, ou RRoD), o fato é que a maioria dos gamers acha que o hardware do 360 não é confiável. Você lê em foruns, em lojas de games, até mesmo de jogadores casuais… todo mundo ou teve um aparelho que deu pau ou conhece alguém que teve. O PlayStation, por outro lado, é quase tão sólido quanto uma rocha. A Microsoft tem que comecar a espalhar a notícia de que consertou os problemas de confiabilidade; fingir que esse problema nunca aconteceu não é a solucão.

Ela também tem que prestar atenção ao disco rígido do PS3. Os drives são grandes, aumentando conforme novos sistemas padrão são lançados, e qualquer um pode trocar o HD por um de maior capacidade. Caceta, a Sony sugere isso e ainda publica tutoriais do tipo “faca-você-mesmo”. A Microsoft, por outro lado, insiste em drives caros e proprietários. É uma situação que fica mais frustrante pelo fato de que sem HDs grandes e padrão a Microsoft não pode sequer iniciar a igualar os esforços da Sony em lancar jogos completos através de seu portal online.

Tem também a questão dos servicos online da Sony serem gratuitos. Sim, a Live é melhor. Mas quão melhor? Há uma penca de gamers por aí que simplesmente não vão pagar por jogatina online e muitos mais estão felizes com o que a Sony oferece. E daí se você não puder mandar uma mensagem de voz durante um jogo? A Sony lancou há pouco o XMB in-game adicionando uma tonelada de funcionalidades, e os troféus parecem estar ganhando popularidade; conheco muita gente que está re-jogando velhos títulos apenas para bater os desafios. Já discuti sobre tornar a Live grátis, mas não parece importar; quanto mais poderosa a Sony fica com o PS3, menos a Microsoft pode contar com a Live como geradora de receita.

Além disso há também o fato da Sony ter o drive Blu-ray, prover boas funcões multimídia no sistema em geral, e o servico de venda e aluguel de video funcionar integrado com o PSP se você quiser levar seu conteúdo passear. A conexão PS3-PSP traz tanta funcionalidade legal que faz os consumidores quererem ter os dois para ter uma grande experiência de mídia. A Microsoft não tem competidor para isso agora.

» Não oferecemos solucões, só problemas

Como a Microsoft deve arrumar essas questões? Essa é uma pergunta seríssima, e pode ser discutida por dias. Seja qual for sua resposta preferida, esses problemas são reais, estão piorando e comecando a impactar nos números das vendas. Ela não tem hoje a vantagem que tinha no mercado há apenas um ano atrás, e já passou da hora de acompanhar a competição.

A empresa tem um plano viável para fazê-lo? Veremos quando chegarmos no fim do ano. O que está claro é que a competi?ão está muito mais forte, e isso é ótimo para os gamers.

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