Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Quando o Phantom foi anunciado, em 2002, a promessa de uma biblioteca de games inteira sendo distribuída apenas em formato digital, sem opção de usar mídia física, parecia algo diferente demais para ser verdade. Diferente demais para dar certo. Hoje, apesar do Phantom estar sentado à direita de Duke Nukem Forever no reino do vaporware, ninguém em sã consciência pode negar que a distribuição digital de games veio para ficar. No mínimo.
A questão principal que preocupa os gamers sempre que se fala disso é a coleção. A prateleira ou gaveta cheia de caixinhas brancas, verdes, pretas, altas e baixas que todo jogador hardcore tem e se orgulha tanto em exibir. Eu sei porque sou assim também. Tanto é que em 2002 eu fui um dos que torceu o nariz ao conceito de distribuição digital.
“Ter os jogos e não ter uma caixinha, não poder folhear o manual? Nah!”
O lance é que isso é uma questão puramente cultural. É algo estranho, por isso causa uma repulsa automática. Quando eu assinei a Xbox Live e, agora, quando comecei a usar o Steam (tardiamente, eu sei), a distribuição digital simplesmente se estabeleceu na minha rotina, sem fazer nenhum alarde, como se fosse já uma coisa costumeira. Quando parei para pensar nisso, semana passada, vi que eles já haviam se tornado uma realidade definitiva tanto na minha rotina quanto no mercado de games como um todo.
A ficha caiu mesmo quando eu estava pensando em Left 4 Dead. Até então eu só havia pensando em coisas como N+, Braid, LostWinds e Audiosurf, jogos que foram concebidos para distribuição digital e nem têm versões em disco. Mas Left 4 Dead é um jogo de grande porte, que não apenas será vendido em caixinha como esta caixinha é tão foda que mereceu um post só pra ela aqui no blog. E eu aqui, pensando em comprá-lo via Steam no fim do ano.
Ainda mais para nós, que vivemos fora do grande eixo comercial dos games (EUA/Europa/Japão), a distribuição digital traz muitas vantagens. A maior delas é o preço. Obviamente, ao comprar um jogo desta forma, você não paga impostos, frete, roubo taxa de importação, lucro do lojista e da importadora. Todo o dinheiro que sai da sua conta vai para a distribuidora digital (no caso do Steam, a Valve) e para quem realmente fez o jogo, que provavelmente lucra ainda mais vendendo um jogo a 39.99 por download do que a 59.99 numa loja. E você ainda recebe o jogo no mesmo dia, sem ter que esperar semanas até o correio entregar.
Isso que eu nem falei da vantagem ecológica. Cada jogo vendido é um pedação a menos de plástico e algumas gramas a menos de papel jogadas no mundo.
No entanto, esse é um assunto que não se resolve assim de maneira tão simples. Ainda há algumas pessoas que não simpatizam com esta forma de compra, pelos mais variados motivos. Então eu queria saber de vocês:
- Você se sente confortável comprando um jogo e não podendo segurá-lo nas mãos?
- Você já optou por comprar por download um jogo que estava disponível em disco? Por quê?
- Você acredita que chegará um futuro em que não haverá mais jogos vendidos em mídia física?
- Ou, pelo contrário, você acredita que é a própria distribuição digital que se tornará coisa do passado?
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