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Há alguns anos, quando eu ainda era ainda mais piá do que já sou, me lembro de ter feito uma festa de aniversário cujo tema era Pokémon TCG. Obcecado pelo jogo como eu era, esperava que todos os meus amigos me dessem boosters de cartas, que na época (e ainda hoje, pelo que eu sei) eram caros pra caramba, e eu não podia comprar.

Um dos meus amigos, porém, levou outra coisa. “Te trouxe uma revista, cara. Não sei escolher cartinha”, ele disse. “Seu filho da puta…”, eu pensei, pegando a revista envolta em um papel metalizado com uma espécie de robô todo laranja e amarelo na capa. Lia-se “Nintendo World” no topo. “Ah, sim, a Nintendo World especial de aniversário. Valeu, Maurício”, eu agredeci, mas ainda pensando “Eu poderia estar encontrando um Scyther EX agora”.

Eu mal sabia que o “robô” da capa era a nossa familiar heroína Samus Aran, protagonista de Metroid, e que aquela Nintendo World também comemorava o anúncio de Metroid Prime e Metroid Fusion, após oito anos sem nenhum novo título na série. Um detonado de Super Metroid foi escrito para celebrar, e a partir deste detonado eu comecei a minha jornada por Zebes, com o auxílio de um emulador qualquer, já que na época não se via mais cartuchos de SNES para vender ou alugar.

Depois daquele dia, eu fiquei obcecado por Metroid. Joguei todos os jogos da série e finalizei a maioria. Pokémon TCG ficou para trás, mas as aventuras de Samus continuam presentes no meu cotidiano.

Mas o que diabos tem isso a ver com Shadow Complex?

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A Nintendo parece ter esquecido completamente do velho Metroid 2D. Nos últimos anos, a empresa se focou totalmente na franquia Metroid Prime, da second party Retro Studios. Eu realmente adoro Prime, vocês sabem. Nada mais legal do que explorar cenários como Magmoor Caverns e Sanctuary Fortress por trás do visor da Samus. O problema é que Metroid em duas dimensões e uma experiência totalmente diferente e até mais legal. O último lançamento nesse estilo foi Metroid Zero Mission, de 2004. Desde então, a heroína nunca mais visitou planetas bidimensionais. Pô, Nintendo, fazem quase seis anos!

É exatamente aí que Shadow Complex entra em cena. Desenvolvido pela Chair Entertainment (Undertow) em associação com a Epic Games (Gears of War), o jogo foi anunciado na conferência da Microsoft na última E3 e lançado dia 19 de Agosto. O jogo sempre foi conhecido como “Metroidvania em 2.5D” – aparentemente, durante o desenvolvimento do jogo, os produtores jogaram todos os Metroid diversas vezes para se ambientarem, e a influência é sentida jogando. Um dos primeiros cenários é, inclusive, uma uma versão ampliada e em 3D da área onde se pega a Morph Ball no primeiro Metroid. Mas divago.

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Em Shadow Complex, você é Jason, um cara normal que veste abrigo e tênis. Em um fim de semana qualquer, ele vai explorar uma caverna com Claire, sua namorada de aparência extremamente exagerada. Durante a aventura, ele se perde da garota e acaba descobrindo uma grande porta de metal. Após ouvir passos, ele se esconde em uma pequena abertura na rocha e vê Claire sendo arrastada para além da porta por um grupo de soldados vestidos com armaduras cibernéticas. O jogo é a pequena jornada de Jason dentro desse complexo para salvar sua namorada, basicamente.

Ao entrar no lugar e passar por uma defesa por algum motivo fraca, Jason adquire sua primeira arma do jogo, uma pistola, e então a jogabilidade se torna clara. Apesar de ser em 2D, Shadow Complex aproveita a profundidade do cenário de forma muito interessante. Os inimigos podem vir pela frente e, nesse caso, basta atirar neles (de preferência na cabeça) com o gatilho direito do controle do Xbox. O interessante é que eles também podem aparecer no background, seja alguns metros para trás ou então lá no fundão. Para acertá-los, basta direcionar a alavanca analógica direita na direção geral do inimigo o protagonista irá mirar para o fundo do cenário. Não apenas tiros normais, mas também todas as outras armas do jogo funcionam dessa maneira. É muito bacana ver um grupo de soldados vindo de um portão no fundo do cenário e atirar uma granada lá, fazendo-os voar para todos os lados. Essa profundidade do cenário também é aproveitada em alguns lugares nos quais é possível operar metralhadoras e lança-mísseis estacionários. Nesses momentos, o jogo se torna um shooter em terceira pessoa tradicional, lembrando Gears of War. Uma adição bacana e divertida.

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Todos os inimigos são variações de soldados humanos com diferentes armas, lembrando um pouco um FPS. Temos alguns que usam pistolas e outros que vão com tipos de metralhadora e rifles. Alguns inimigos têm equipamentos especiais, como um que pode se segurar ao teto e atirar granadas e outro que tem um escudo e uma minigun. O destaque vai para os chefes: todos são robôs gigantes muito divertidos de se derrotar. Todos eles podem ser derrotados apenas atirando, mas da mesma forma eles têm jeitos especiais de serem abatidos… o que me lembra que eu não descobri como desabilitar o campo de força de um deles e matei na marra. Vou ter que jogar de novo. [Nota do Bracht: Eu e um amigo meu também não conseguimos. Estou começando a achar que possa ser um bug...]

Falando em armas, Shadow Complex é cheio delas — como não poderia deixar de ser, considerando a inspiração em Metroid. Muitas inclusive são versões baseadas no arsenal da Samus. Temos as já citadas granadas, mísseis, mísseis de espuma congelante (?) e um super útil cabo com gancho. Até uma versão bem mais legal do Speed Booster de Super Metroid, disparado um dos meus equipamentos favoritos da série, e vários outros facilitadores de locomoção para Jason, como botas a jato (para pulos duplos e triplos), aparecem ao longo do jogo.

Outra adição interessante na jogabilidade são os golpes físicos. Chegando  perto de um inimigo e apertando o botão B, Jason executará uma pequena sequência de golpes para imobilizar o oponente. São muito úteis em trechos nos quais há muitos inimigos fortes e é necessário passar despercebido.

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A lanterna, primeiro equipamento adquirido no jogo, também desempenha um papel importante na aventura. Como todo bom Metroidvania, Shadow Complex conta com diversas passagens e itens escondidos pelo enorme complexo. Em Metroid, bombardear cada canto de um cenário era costume dos jogadores mais experientes, visando encontrar locais ocultos. Em Shadow Complex, isso não acontece: se Jason está com a lanterna focada em um item, há a possibilidade de ele ser destacado com uma cor, como laranja, vermelho ou roxo. Essas cores identificam itens quebráveis por armas específicas — laranja para a arma normal, verde para granadas, vermelho para mísseis e por aí vai. As portas também usam esse sistema, novamente lembrando muito todos os Metroids que seguiram o terceiro título.

Shadow Complex também tem um visual surpreendente para um jogo de menos de um gigabyte lançado na Live Arcade. Tirando a namorada do protagonista, que tem uma aparência super estranha, lembrando uma versão exagerada da Zoey de Left 4 Dead, tudo no jogo é muito bonito e bem modelado. Os cenários em especial são bastante detalhados e têm um trabalho de iluminação ótimo.

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Shadow Complex é um jogo essencial para qualquer um que tenha um Xbox 360. Por 1200 MS Points, você experimentará um jogo que, se tivesse sido lançado há uns três anos, viria em uma caixinha. São em torno de oito horas de gameplay pegando os itens escondidos mais óbvios, além do modo “Proving Grounds”, que traz vários desafios ao jogador. Recomendado para todos que olham para a Nintendo e se perguntam onde está o próximo Metroid 2D… aliás, espero que o pessoal do Team Ninja jogue Shadow Complex. Muitas novidades daqui poderiam ser aplicadas em Other M, né?

É foda!

[++] Jogabilidade. Um legítimo Metroidvania, mas em 2.5D.
[++] Gráficos. Surpreendentes para a plataforma. Talvez apenas Trials HD seja mais bonito.
[+] Equipamentos. Variados e divertidos, como deve ser em qualquer jogo do gênero.
[+] Dublagem muito boa e autêntica, tirando um momento ou outro.

É foda…

[-] Enredo bem fraco e dispensável, lembrando o que acontece em Mirror’s Edge.
[-] Claire. MALDITA CLAAAAIRE!
[-] Batalha final. Não vou dar spoilers, mas ela é bastante frustrante.
[-] Fica bastante fácil no final.

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