Atualização importante em 11/06/2008: foi trazido à minha atenção por um leitor do Continue o fato de que este texto, publicado pela Suzana Bueno, é “praticamente uma tradução” do texto Are all videogames doomed to irrelevance?, do blog Controler Freak, cujo crédito não foi dado. Com o intuito de preservar a transparência que este blog sempre teve para com os seus leitores, quero informar que já dei uma “bronca” na Suzana — que disse que, “na pressa, simplesmente esqueci de linkar” — e agora estou aqui dando o crédito onde é merecido.

Fabio Bracht, editor e apagador de incêndios.

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[Fabinho viajou, então estou tomando conta da Discussão, e decidi abri-la mais cedo pois o feriado vai ser longo, assim podemos fofocar mais intensamente (ui!). Créditos da imagem vão ao Platy, um de nossos comentaristas diários. Valeu!]

Se Laranja Mecânica, do gênio Stanley Kubrick, tivesse sido lançado hoje, em vez de em 1971, eu tenho certeza absoluta que ele seria aclamado pela crítica como um dos maiores filmes de todos os tempos, com o mesmo fervor e polêmica que causou trinta e poucos anos atrás. É uma obra de arte atemporal, tal como quadros de Leonardo da Vinci ou as igrejas medievais européias.

Mas peguemos Super Mario Bros. É um jogo impressionante, mas e se ele fosse lançado hoje, em vez de em 1985? Ele teria sido o fenômeno que foi há exatos 23 anos? Provavelmente não.

Nós nos divertimos muito com ele, mas em grande parte é porque o vemos com um olhar de nostalgia, lembrando como foi legal jogar a tartaruga espinhuda na lava e salvar a princesa. Também porque temos contexto; nós sabemos o que esperar de jogos lançados nos anos 80 para aquela determinada plataforma e sabemos o quanto ele foi revolucionário, excedendo todas as expectativas que teríamos sobre esse encanador bigodudo. Baseando-me nas espectativas que temos de jogos hoje em dia ele se sairia razoavelmente bem, pois afinal ele traz um enredo diferente e divertido com uma jogabilidade simples e viciante, mas que ao mesmo tempo pode se tornar extremamente complexa. Mas, lançado em 2008, ele seria considerado superficial, seus controles seriam básicos demais e seu enredo seria muito bobo para ser declarado um grande jogo.

A razão pela qual jogos não envelhecem tal qual outras formas de entretenimento artístico — e talvez nunca o farão — é porque eles não são julgados, ao menos não primariamente, pelos seus enredos, personagens ou roteiros. Em vez disso, eles são julgados por elementos que estão gradualmente evoluindo com o meio. Design, mecânica e, em menor escala, gráficos.

Para ser considerada atemporal, uma obra de arte precisa necessariamente influenciar sua audiência da mesma forma e intensidade em qualquer época. Super Mario Bros (e praticamente qualquer outro jogo já com alguma idade) falha pois pessoas que o jogam hoje já jogaram vários outros jogos modernos e sabem que praticamente tudo que esse jogo tinha de bom — seja seu sistema de pulo, as moedinhas etc — foi melhorado em várias outras obras para as plataformas mais diferentes. Eu respeito Super Mario Bros ter servido de inspiração para tantos outros jogos, mas temos que admitir que vários deles superaram sua inspiração original.

Podemos até mesmo pegar algum exemplo mais recente, como Halo. O original, quando lançado, foi considerado uma grande revolução nos FPS; já o Halo 3 é tão melhor que o primeiro que quando voltamos ao antigo Halo ficamos com uma sensação meio “meh”. Não há o grande impacto, mas sim no máximo um sentimento de nostalgia.

Todo jogo novo é guiado pela ânsia de ser melhor que os seus predecessores, e os poucos que conseguem atingir isso são os chamados “obras primas”. Mas só o fato de que a preocupação primária de um jogo é inovar e melhorar um jogo já existente condena todas essas “obras primas” a se tornarem datadas, e eventualmente, até mesmo irrelevantes.

Jogos eletrônicos precisam superar esse grande fardo se quiserem ser considerados uma real forma de arte.

Honestamente? Eu acho que nunca vai acontecer. E você?

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