Neste início de ano, a Ubisoft soltou dois DLCs para o seu jogo mais cheio de italianos treinados em assassinato do ano passado, Assassin’s Creed II. Anunciados como “as sequências de memória perdidas, 12 e 13″, eles cobrem dois capítulos da história ausentes do jogo, que são nove anos na jornada de Ezio. Bastante coisa, hm? É o que acontece quando uma empresa quer fazer mais uma grana em cima de um jogo, principalmente um lançado em novembro de 2009.
Após o cremoso e interativo “continue lendo”, minha opinião sobre as tais sequências de memória. Alguns pequenos spoilers à frente, nada que incomode quem tenha chegado à sequência 14 do jogo.
O primeiro DLC se passa em 1488, logo após Ezio ter recuperado a Apple of Eden e de os outros Assassinos terem se identificado. O italiano de nome baddass, o tio dele, Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel se reúnem para discutir como protegerão a Piece of Eden, uma cena que se torna bem interessante porque o artefato é ativado e, como era de se esperar, só Leonardo consegue compreendê-lo com a mente ilesa. Fica decidido, após isso, que tal poder não pode cair em mãos erradas e que Catarina Sforza, regente da cidade-fortaleza Forli, a protegeria em seu forte úmido cheio de crianças ranhentas. Quando Ezio chega lá, porém, descobre que uns tais de Irmãos Orzi estão atacando a cidade a mando de Rodrigo Borgia, e é aí que a missão começa.
Em primeiro lugar, este DLC infelizmente expõe as falhas na jogabilidade de AC2. Ao entrar em Forli, há uma grande batalha, envolvendo dezenas de soldados inimigos e aliados, além dos amigos de Ezio. O complexo sistema de combate do jogo, que se baseia principalmente em contra-ataques e combos, vira pouco menos que pressionamento aleatorio do botão de ataque. Isso acontece porque a maioria dos oponentes está em duelo com um aliado, então um único golpe pelas costas com qualquer uma das armas basta para matá-los. Outro problema é que às vezes a inteligência artificial parece “se confundir”, e aliados se atacarão ou empurrarão os outros para o lado, o que fica BEM estranho quando acontece com o Maquiavel e o Ezio.
Alias, é uma pena terem desperdiçado TANTO o potencial do Maquiavel. Um dos maiores gênios do Renascimento é reduzido a um mero NPC com uma espada em AC2. Fiquei bem chateado com a Ubisoft por causa disso.
Uma missão secundária também está disponível, e envolve aquela máquina voadora legal do Da Vinci. É, basicamente, voar por Forli e derrubar todos os arqueiros com chutes. Apesar do sistema do vôo do jogo ser bem legal, principalmente por causa do visual, a missão em si é bem chata. Pontos bônus pela possibilidade de aterrissar em qualquer ponto do mapa, resultando em vários cidadãos com expressões memoráveis.
A décima terceira sequência do jogo começa nove anos depois da missão em Forli. Girolamo Savonarola (infelizmente não Saconarola, como eu tinha falado), que tomou posse da Apple em um evento passado, tem Florença sob seu controle e está fazendo da cidade o seu centro de destruição de arte e livre arbítrio pessoal, mais um evento baseado em fatos e personagens reais, como eu acabo de ver na Wikipédia. Aliás, a expressão “fatos reais” merece um prêmio da Academia Brasileira de Letras como o pleonasmo mais utilizado da língua.
Bonfire of the Vanities consiste em nove missões, sete delas bem difíceis, de assassinato dos “tenentes” de Savonarola, meros fantoches sob o controle do monge com o uso da Apple of Eden. Certamente muito mais divertido que Battle of Forli, as missões são bem elaboradas e, como na maioria delas Ezio não pode ser detectado por soldados, bastante difíceis. Uma em especial tem um arqueiro com oito olhos circulando o crânio, e o único jeito de tirar ele do caminho é executar uma elaborada manobra usando uma canoa… mas divago. Este evento também providencia ao jogador um dos Quick Time Events mais prazerosos desde a morte da Hidra em God of War. Quem jogar vai entender.
Este DLC vem em dois sabores, aliás: o normal e o com creme. No segundo, os três “ninhos de Templário” inclusos da edição de colecionador do jogo são adicionados às cidades de Florença e Veneza. São três missões bem básicas de infiltração, similares aos “túmulos de Assassinos” da campanha principal, mas em locais pequenos. Certamente, não vale a graninha a mais.
Os dois DLC custam 320 Microsoft Points no Xbox 360, e 560 por Bonfire com as localizações secretas, pacote que eu realmente não recomendo. Cada um deles ocupa algo em torno de 1GB no HD e juntos rendem mais umas três horas em Assassin’s Creed II. Em geral uma experiência bem bacana, que pelo jeito dá um fim definitivo na história do jogo. Requiescat in pace.
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