Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Algumas semanas atrás eu lancei a proposta: uma Eleição Social Blogueira para escolher os melhores do ano no mundo dos games em três categorias. Tivemos um número relativamente baixo de participações, mas, por outro lado, ainda tem alguns dias até o fim do ano – que é a data limite. Ou, por ainda um outro lado, pode ser que a iniciativa não tenha feito mesmo muito sucesso. Acontece.
No post em que eu propus a coisa toda, vocês começaram a deixar as suas opiniões nos comentários, aí eu interferi e disse para guardarem elas para um post que eu faria especialmente para isso. Bom, este post é o que eu estava falando na ocasião!
Depois do continue, a equipe atualmente ativa deste blog deixará seus votos para a eleição e, mais importante, o leitor do Continue estará convidado a dar os seus votos nos comentários. Eles não contam para a votação (afinal, é uma eleição blogueira, então só valem os votos dos blogs de games do Brasil), mas com certeza podem render uma daquelas boas discussões que a gente de vez em quando tem aqui.

A escolha mais difícil. Por um lado, vários jogos excepcionais em todos os quesitos. Por outro, a obrigação de escolher um só. Ganhou aquele que me fez comprar um console novo, no qual eu passei muitas, mas muitas horas em uma vida paralela. Me meti em muitas roubadas, fiz grandes amizades, cruzei as ruas de Liberty City a toda velocidade em carros roubados, ao som de Smashing Pumpkins e The Who. Durante meses eu e Niko Bellic fomos um só, e mesmo com todo o perfil psicótico do imigrante esquisitão, só de escrever sobre o assunto já bate saudade do jogo que eu sempre enrolei para terminar, porque não queria chegar ao fim. Por isso, pra mim, Grand Theft Auto IV é o melhor do ano.

Iron Man, Hulk, Golden Axe, todos são ruins e a gente já sabia. Ok, alguns são piores do que era possível imaginar. Mas Alone in the Dark não. Até uns dias antes do jogo chegar, tudo que se sabia sobre ele parecia realmente muito bom. Perseguições automobilísticas com a rua desabando, rapel em um prédio em chamas, mistura de survival com GTA. Parecia promissor pra você também? Eu fui até seco nessa porcaria, só para me deparar com gráficos medianos, jogabilidade truncada, câmera horrível, física ridícula na fase do carro, inventários inovadores que não funcionam e tantos outros defeitos que as “melhorias” listadas pela Atari quando foi lançada a versão para PS3 foram tantas que dava pra fazer um jogo novo só com elas. O subtítulo dessa nova versão se encaixa como uma luva na primeira: “Inferno”.

Não votei no Zeebo pelo console em si, mas pela aposta da Tectoy. É a coisa mais audaciosa que alguém já fez por essas bandas. E principalmente, é uma aposta na identidade do mercado brasileiro. Eu explico: de que adianta ter as três fabricantes de consoles oficialmente aqui, ou mesmo fabricando videogames aqui? Na prática, só o que temos são anúncios mais bonitos em revistas especializadas. A MS está no México faz tempo e eu nunca vi um jogo mexicano. Agora observem a Coréia do Sul, pátria amada dos MMO. Os coreanos estão se lixando para o PS3, o Xbox 360 e o Wii. Eles criam seus próprios jogos! Eles exportam máquinas de Pump It! para o mundo todo. O Zeebo vai dar muito mais espaço para o desenvolvedor nacional de jogos do que o estúdio da Ubisoft. E é o primeiro grande passo para uma indústria, um mercado e uma cultura brasileira de jogos eletrônicos. Ou pelo menos, é o que eu acho.

Nesta categoria eu tive problemas para escolher. Fiquei em dúvida entre dois títulos, mas meu coração bateu mais forte para MGS4. O jogo conseguiu ser mais do que eu esperava do mestre Kojima-san. Tecnicamente perfeito, não vi ainda gráficos nem história melhores. Ainda não terminei, porque trata-se de um jogo para ser degustado aos poucos. Só jogo quando tenho certeza que não serei interrompido, de preferência de madrugada. Se você é daqueles que gostam de sair correndo, matando tudo que se move, e pulando todas as cutscenes dos jogos, passe longe. Um dia você cresce.
Só pra constar: o outro título que disputou o meu voto foi o viciante LittleBigPlanet. Menção honrosa para ele!

Decepção a gente tem que esquecer logo, e eu mal posso esperar para esquecer Spore. Alguém ainda joga? Depois de anos de desenvolvimento e um dos maiores hypes da história, o jogo deixou a desejar. É raso, faltou coisa, empolga nos primeiros três dias e depois você nem lembra que existe mais. Ainda bem que não comprei.

A melhor notícia do ano para o mercado brasileiro de games foi a de que a Sony estaria autorizada a fabricar PS2 e prensar seus jogos na Zona Franca de Manaus. É só pro ano que vem, mas foi anunciada esse ano, então está valendo. Espero, mesmo, do fundo do meu coração, que isso venha realmente a acontecer. Pensa comigo: seria a primeira grande empresa de videogames a instalar-se no país, e com uma fábrica instalada fica muito mais fácil chegar para nossos queridos deputados e dizer “pronto, temos uma fábrica, agora queremos aquela redução nos impostos”.

Não tem jeito: eu sou uma gamer de um jogo só, e dificilmente acabo me virando com gosto para outros jogos, pra realmente jogar constantemente e fechar inteiro, ou fazer todos os bônus. Apesar disso, Audiosurf conseguiu me pegar. Comprei ele em fevereiro e até hoje jogo ele direto. Sempre que consigo uns discos novos eu faço questão de jogá-los nas pistas multicoloridas — exceto pelo meu álbum de megamix do Moby que é um tanto longo demais; maldito colocou tudo numa faixa só e o Audiosurf só lê faixas de até uma hora.
Nada melhor que um jogo que tem um bom valor de replay mesmo depois de quase um ano de compra; portanto meu voto é pro Audiosurf.

Comprei na pré-venda — o sistema de jogo e a aparente inovação, assim como a data de lançamento quase mais adiada que Duke Nukem Forever, talvez mostrassem que esse jogo iria ser do caralho. E sem dúvida ele foi! Comprei, instalei e joguei… até que eu fiquei com uma imensa sensação de WTF quando fechei o jogo em menos de dez horas. Tanto tempo e tanto dinheiro pra um jogo que eu consegui explorar inteiro tão rápido? Fora que eu gosto de jogar maximizando as capacidades dos meus personagens, e acabei no final das contas ficando com um bicho que era a cara de um sapo.
Spore é um jogo interessantíssimo pra quem quer um criador de criaturas e construções; deve ser a felicidade de arquitetos, mas o criador de coisas, apesar de ser fantástico, não foi o suficiente para me prender nele. Eu queria explorar e jogar, não ficar montando bichinho. Gostei e me diverti, mas foi minha grande decepção pelo fato de que paguei caro pra jogar muito pouco; fator de replay praticamente zero.

Difícil não ser tendenciosa, mas quer saber? Vou ser mesmo! Trabalho neste projeto como estagiária de controle de qualidade há um ano e pude ver de perto como ele funciona. Eu acredito nele! Sim, acredito que o Zeebo vai ser a grande revolução do mercado brasileiro.
Lá no hemisfério norte, mais especificamente naqueles países que podem comprar hambúrguer bem mais barato que uma banana, videogame é uma coisa barata. Por lá você pode desencanar de comprar um almoço e comprar um jogo de DS com a mesma grana. Você pode cortar a grama do vizinho e comprar uma puta placa de vídeo depois de ajeitar meia dúzia de jardins. Aqui, você tem que ter um bom emprego e juntar grana por meses pra comprar um videogame e mais meses pra comprar um jogo para o videogame. Aqui, videogame é uma coisa elitizada.
Se ele der certo — e todos rezamos que sim, porque trabalhar durante um baita tempo na coisa e ela dar errado é no mínimo triste –, o Zeebo tem chance de trazer para o Brasil uma cultura gamer. Num país onde até jogos de azar pagam menos impostos que videogames, precisamos virar a mesa. Nada melhor do que algo feito aqui, acessível e sob medida para as necessidades da maioria da população. Nossa chance de deixar de ser cultura de ricacinho está bem perto de nós, vamos agarrá-la!

Admito: não joguei muitos jogos dignos de concorrer a esta posição em 2008. Talvez porque as plataformas a que tenho acesso (Wii, PC e DS) não tenham recebido uma linha de títulos tão estelar quanto PS3 e Xbox 360, talvez porque eu esteja deveras pessimista com os novos lançamentos. Fato é que Left 4 Dead (o demo dele, veja só) foi a experiência mais memorável que eu tive entre os títulos que saíram este ano. E além de ser bastante divertida — e assustadora — é um daqueles jogos que possui intensidade do começo ao fim. E o melhor: proporciona isso de forma inovadora, através do aproveitamento sem precedentes da jogabilidade cooperativa.

Acho que a única característica inerente a uma grande decepção é a expectativa — a não ser que você seja tão otimista quanto o Bracht, é meio difícil se decepcionar com um jogo do qual já não se espera muita coisa. Não era o meu caso com Guitar Hero: World Tour — especificamente, a versão para PS2.
“Ah, vai passear num brechó!”, diz o querido leitor. Vai te catar, eu respondo. Para ter lançado uma versão porca e desleixada, era melhor que a Activision nem tivesse feito uma versão para o console de velha guarda, o que faria infelizes como eu se conformarem de que já está mais do que na hora de se atualizar. Em vez disso, me senti enganado ao comprar um jogo com gráficos e áudio mal trabalhados, loadings intermináveis, personagens quadradões, e uma interface mais porca que a das versões anteriores. Mas talvez parte da minha insatisfação também se deva aos novos rumos “Rock Bandeados” que a Activision decidiu tomar com o jogo, tendo tantas outras possibilidades legais…

Olha, tive que refletir bastante antes de me decidir nesta categoria. Isso porque acredito que o mercado de games brasileiro este ano só regrediu: proibições, aumento de preços, e alta do dólar fazem com que toda a nossa torcida por uma indústria nacional forte pareça ingênua e irrelevante.
Assim, mesmo entre os principais concorrentes que temos à melhor notícia do ano para o Brasil, não há nada de espetacular. Nada concretizado, como sempre, só esperanças para o povo que não desiste nunca. Ubisoft no Brasil? Como se uma empresa fizesse diferença para toda a geração de jovens que gostaria de trabalhar no mercado. Zeebo? Por enquanto, nem as promessas animam o mercado. Portanto, acho que o PS2 “no Brasil”, ao menos na minha visão, é o pseudo-passo mais significativo deste ano para um setor mais desenvolvido. Se a vinda da Sony estimular suas concorrentes a produzir consoles aqui no país (de preferência não do século passado), o barateamento dos custos e o rápido crescimento do papel da ditribuição digital no mundo dos games pode fazer com que o videogame deixe de ser um hobby para classes selecionadas e se torne um pouco — eu disse um pouco – mais acessível para os brasileiros.

Se eu pudesse, votava em Team Fortress 2. Nenhum jogo me deu tantos bons momentos esse ano quanto ele, mas infelizmente o dito cujo foi lançado ainda em 2007. Como não posso, então, eu diria que o jogo do ano, pra mim, foi uma mistura entre Rock Band 2, Left 4 Dead, Grand Theft Auto IV, LittleBigPlanet, Smash Bros. Brawl e Boom Blox. Mas também não posso fazer isso.
O que eu posso fazer, apesar de provavelmente não ser recomendado, é votar em Braid como melhor jogo do ano.
Quem jogou, sabe: o jogo é simplesmente uma aula de game design. Perfeito em tudo o que oferece. Inteligente. Sutil. Sabe quando você termina de assistir um filme muito foda, ou livro sensacional, e sente uma necessidade absurda de comentar com outra pessoa que também tenha assistido/lido? Poucos jogos dão uma sensação igual a essa, e Braid definitivamente é um deles. Um dos maiores.
Não tem muito o que dizer a quem não jogou (além de “jogue, pelo amor da entidade que é considerada sagrada na sua família!”), e quem jogou deve estar balançando a cabeça em sinal de que concorda comigo. Braid é foda e nada mais.

Assim como Suzana, comprei em pré-venda (de fato, acredito que a última parcela ainda está para cair no cartão de crédito). Achei maravilhoso no primeiro dia e ótimo no segundo. No terceiro, já achava falhas. No quarto, já joguei bem menos. Depois de chegar à fase espacial, achei que ia melhorar, mas simplesmente perdi o interesse sem perceber. Algumas semanas depois lembrei dele e fui jogar de novo. Foi quando caiu a ficha: Spore é chato pra cacete.
É uma mistureba mal feita de meros pretextos para colocar a sua criatura pra fazer alguma coisa, já que você já se deu o trabalho de criar uma.
Spore demorou vários anos para ser lançado, mas dá pra dizer com toda certeza que o melhor seria ter demorado ainda mais um ou dois. Esse não tem expansão que resolva.

O Zeebo é um grande achievement para o país, assim como o o lance da Sony começar a fabricar PS2 por aqui, mas a vinda da Ubisoft é ainda melhor que tudo isso. Por quê? Porque o mundo está pouco se lixando se o Brasil tem um console que baixa jogos via 3G, muito menos se finalmente teremos uma linha de montagem aqui que vai montar algo que todo mundo já tem há uns oito anos.
Mas o mundo conhece a Ubisoft. Junto com a EA, ela é a maior empresa de games do mundo. A instalação de um estúdio dela no Brasil, por causa da criatividade que todos sabemos ser tão presente no nosso povo, é um enorme “joinha” que a Ubisoft está dando para o Brasil perante os olhos do mundo. Podem ter certeza que outras empresas tomaram nota dessa investida da Ubi, e, se der certo, daqui a um ou dois anos podemos estar presenciando uma invasão de outros estúdios.
A não ser que eu esteja errado, o que é uma possibilidade igualmente provável.
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