Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Há uns dez dias recebi uma carta estranha. Um envelope fino, cuja área onde deveriam estar as informações do remetente só trazia um carimbo especificando uma caixa postal anônima em São Paulo/SP, no CEP 04602-970. Sem nome.
Logo acima, fechando o envelope, um adesivo retangular, totalmente transparente exceto por um par de asas longas e finas. O conteúdo se resumia a uma folha A4 dobrada em três faces, como um folder desses que te entregam pela janela do carro nos sinais de trânsito. A primeira face visível trazia seguinte frase, escrita à mão, em letra de forma, com caneta hidrocor de ponta grossa:
“Vikings used to wear them for protection.”
Desdobrando o papel, a segunda frase:
“They’re coming.”


Estas são as duas únicas frases da misteriosa correspondência, que ainda continha um outro adesivo com as mesmas asas que selavam a carta — só que maiores.
Há alguns anos, uma correspondência dessas seria o suficiente para qualquer pessoa em sã consciência requisitar proteção policial, mas nestes tempos de marketing viral, a única coisa que se deve fazer é jogar no Google e no Twitter. Assim descobri que a carta misteriosa já havia sido entregue a vários outros blogueiros por aí, que já haviam feito um ótimo trabalho em decifrar os significados. Segundo as pesquisas do pessoal:
Corta para o fim da semana passada, quando recebi outra correspondência — desta vez um pacote amarelo do Sedex. No campo do remetente, a mesma caixa postal da outra vez, porém, um nome: “AESIR”.
O conteúdo, ainda mais estranho: uma caixinha de papel contendo dois frascos de um líquido azul com cheiro esquisito. A caixinha avisa, em uma das abas interiores, que não se deve ingerir ou mesmo ter contato com o líquido. Também na caixinha, há uma incrição feita à mão, com a caligrafia idêntica à da carta, onde se lê a palavra “VALKYR”, e também, em outra face, um carimbo com a palavra “LUPINO”.


Os frascos exibem, em um lado, um adesivo com o logo de uma empresa chamada “Aesir Pharmaceuticals”; do outro, a inscrição:
SERUM # 292 - 50700 VALKYRDEPARTAMENT CODE: 11 NON DISCLOSURED

Novamente o pessoal foi mais rápido que eu nas investigações (malditos três empregos que tomam o meu dia inteiro!), e já descobriram, por exemplo, que o número no frasco é um telefone. Quem descobriu foi o pessoal do blog Warpzona, que ligou e descobriu que o telefone é da agência de comunicação iChimps, que obviamente está por trás disso tudo, mas — mais obviamente ainda — não deu nenhum detalhe iluminador adicional.
Mais algumas curiosidades:
Bom, pra começar não há a menor dúvida de que é algo relacionado à franquia Max Payne.
Partindo daí, a primeira conclusão a que a maioria dos “investigadores” (inclusive eu, que não investiguei porra nenhuma) chegou é que, como já foi divulgado pela Rockstar que Max Payne 3 vai se passar em São Paulo, podemos estar presenciando o início de um grande ARG ou ação de marketing viral, talvez até de alcance global. Faria sentido, e seria legal demais da conta, se uma ação global para um jogo tão esperado estivesse começando no Brasil — e bateria com a história do jogo, aquela coisa toda de San Paolo Brazil.
No entanto, é claro que, quando a esmola é demais, o santo desconfia. Eu pessoalmente considero bastante improvável que um negócio dessa magnitude esteja mesmo rolando a partir daqui. O que não quer dizer, pelo amor de Deus, que eu não quero que isso esteja acontece. Quero e quero muito!
Mas dois pequenos fatores apontam em uma direção contrária e bem menos emocionante. O primeiro é o recente adiamento de Max Payne 3, que, junto com uma sacola de outros jogos da Take-Two (Mafia 2, Red Dead Redemption e BioShock 2), só chegará em 2010. E o segundo é a aproximação do lançamento do DVD do filme Max Payne.
Por um lado, várias evidências dessas correspondências misteriosas apontam para o filme Max Payne, e nenhuma para o jogo, colaborando com a tese que o viral é para o lançamento do DVD. Outro fator que reforça essa hipótese é que a carta e os frascos de Valkyr foram entregues também a blogs que não falam sobre games. Por outro lado, porém, fico pensando se valeria a pena fazer toda uma campanha viral para o DVD tardio de um filme que, cá entre nós, foi um fracasso de bilheteria.
Então, a resposta à pergunta acima é “não sei”. Mas, tal qual o pessoal de Arquivo X, eu quero acreditar.
Mais detalhes em breve — provavelmente.
Posts relacionados: