
Desde pequeno eu sou Nintendista — nasci com um SNES, e através da minha infância me tornei fã de jogos como Mario e Bomberman, e nunca me esqueci deles. Comprei um N64, aproveitei uma ótima galeria de jogos e, embora tenha comprado um PSX, nunca abandonei a Nintendo.
Eu tive um GC e um PS2, e quando o Wii finalmente foi lançado, fiquei tremendamente feliz, e aqui está ele me servindo fielmente até hoje. Então, dá pra dizer que sou Nintendista e “closet Sonyfag”… mas, sabem, ultimamente eu não tenho concordado com muitas das decisões da Nintendo.
Não é exatamente pela notória postura casual que a empresa vem adotando, pois eu sei que, como seus dois consoles anteriores não venderam bem, ela precisava de uma maneira para manter a sua presença na indústria dos games, ao invés de se deixar cair como a SEGA, e conseguiu isso através de uma jogabilidade inovadora e um hardware barato. Eu até gosto de alguns jogos casuais, e acho que as pessoas deveriam parar de se importar com “hardcore games for hardcore gamers such as myself” e passar a gostar, simplesmente, de jogos bons.
Não, são algumas decisões mais específicas que tem a ver com o atual presidente da Nintendo of America, Reggie Fils-Aime.

Por exemplo, a decisão dele de não localizar Disaster: Day of Crisis, um jogo que eu considero muito bom e que me divertiu por bastante tempo, ou então a visão de que o público hardcore tem um apetite insaciável quando a empresa só lançou um ou dois jogos naquele ano. Mas até aí, nenhuma empresa é perfeita, e eu guardei minhas críticas para mim.
Só que esse ano eu não pude mais ficar quieto.
Acho que muitos aqui devem ter visto a cobertura da E3, não é mesmo? Microsoft foi genial, e todo mundo estava empolgado para o dia seguinte, onde provavelmente teríamos notícias do novo Super Mario Galaxy (anunciado meses antes pelo próprio Miyamoto, então não entendo como certas pessoas duvidaram), do novo Zelda, talvez de Pikmin… coisas assim. E tivemos!
Mas, porém, todavia, entretanto, a conferência da Nintendo, ao meu ver, teve um problema gravíssimo: falta de empolgação. Ficamos por uma hora vendo a perpétua cara de bunda do Reggie e escutando as palavras robóticas e sem emoção da nossa querida psicóloga frustrada, Cammie Dunaway, e o irritante ar de superioridade de ambos. Céus, aquele nerd gordinho conseguiu ser mais empolgado que os dois juntos, e aposto que ele não estava nem tentando! Cada anúncio era feito como se fosse “só mais um” — mesmo New Super Mario Bros. Wii, com o qual estou super empolgado, na hora da E3 me passou a sensação de “tá, tá, agora fala dos jogos grandes”.
Pensamento positivo: aquilo, sem dúvidas, era culpa do Reggie e da Cammy.

Errei. Satoru Iwata, o figurão da Nintendo, entrou, passou os minutos seguintes falando que a Nintendo era foda, com um ar absoluto e estagnante de superioridade ainda maior do que de seus lacaios, e falou também dos “maybe gamers”… então, veio esse tal de Wii Vitality Sensor Wii-Dedo. Decepção total.
E foi aí que eu percebi: estava tudo muito quieto. Eu percebi desde o começo a falta de música, mas até então não havia notado a falta de aplausos — o público estava no mais absoluto silêncio, com uma eventual piadinha e muitos suspiros. Fiquei desiludido com a empresa que eu tanto amava… é essa a postura que ela quer passar, é assim que ela pretende levar a indústria pra frente? Em nenhum momento a Nintendo falou em abandonar seus fãs, e de fato eu não acredito que ela vá fazer isso, mas se for pra ser desse jeito, eu é que não sei se quero continuar sendo fã.
Por fim, veio Super Mario Galaxy 2 e o surpreendente Metroid: Other M. Fiquei empolgado, gritei, tremi, mas, diferente de muitos, não esqueci o resto da conferência. Nintendo delivers, but not quite the way I want.
Horas depois, teve a mini-conferência do meu eterno ídolo, Shigeru Miyamoto, e pelo que eu pude ver nela e em outras entrevistas, ele também pareceu decepcionado com a E3, talvez até com a Nintendo em si, embora concorde com as visões atuais da empresa. Assim, passei a focar mais nele, visto que, na minha humilde opinião, o cara ainda sabe fazer jogos, ainda sabe o que diverte as pessoas — mesmo que não todas as pessoas. Tive muito tempo pra comparar as conferências, e em conteúdo a Nintendo foi ótima, mas as outras duas tiveram música, empolgação, cenas hilárias até, todas coisas que nos deixam felizes em ver. Não foram tediosas, não foram decepcionantes, foram boas.
Terminando, eu ainda sou Nintendista — o Wii continua sendo meu console favorito, mesmo que eu ainda queira outros, minha paixão pelos jogos da empresa permanece, e eu ainda a defendo se acho necessário. Dizer que nada mudou, porém, seria uma grande hipocrisia.
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