O Argus me enchia o saco pra eu baixar o Criador de Criaturas do Spore. Eu não queria. Sei lá, achava basteira perder tempo baixando e instalando um pedaço de um jogo que eu provavelmente já iria comprar inteiro de qualquer jeito. Mas como eu não resisto a uma boa interface, no fim cedi, baixei. E fiquei me achando o maior paspalho depois, por quase ter perdido toda essa diversão. Mas quem iria adivinhar que simplesmente ficar criando uns bichos esquisitos renderia tanto entretenimento?
Depois do continue eu falo mais sobre o que achei do “jogo” e você ainda aproveita para conhecer a edição especial que vai chegar ao Brasil (caso ainda não tenha ficado sabendo).
Talvez seja o famoso toque mágico do Will Wright (parente do Phoenix?), mas a verdade é que o Criador de Criaturas do Spore, mesmo só com 25% das partes presentes na versão Trial — ou seja, a versão demo da versão demo) –, consegue ter um efeito terapêutico, relaxante, que é quase inexplicável. Da primeira vez eu abri, criei o Becky Wards, achei massa pra caramba, aí fui dormir achando que era isso. No dia seguinte eu senti uma vontade inexplicável de criar outro bicho. E hoje de novo.
A interface criada pela Maxis para esse jogo tem aquela característica especial presente em muitos dos jogos da Nintendo para o Wii. É o tipo de coisa na qual você não pode se considerar bom só porque é acostumado a jogar videogame. Tanto é que a minha primeira criatura ficou com a cabeça no lugar da bunda e vice-versa (por que você acha que o nome dela é Becky Wards?) e a primeira desenhada pela minha namorada ficou super bonitinha e direitinha, bem melhor. É aquela lá da abertura do post. Só ficou meio vesga, mas isso foi de propósito (”pra não ficar com cara de mau”, segundo ela).
Brincar de Deus é super fácil no Criador de Criaturas (adoro esse nome). Você começa com um pedaço de carne parecido com uma coxinha de boteco. Passando o mouse por cima você vê algumas vértebras. É por elas que a brincadeira começa. Você tem total liberdade para esticar, entortar, encurvar e fazer o que quiser com as vértebras, inclusive incluindo mais (”quero uma centopéia!”) ou tirando algumas (”quero um anão de jardim!”). Com a rodinha do mouse você aumenta ou diminui o tanto de carne ao redor daquele ponto, a fim de fazer um bicho gordão ou magrinho. Isso pode ser feito com todas as partes, aliás.
Depois de determinar a forma corporal do monstrengo é hora de fazer a festa com as partes. Combinar braços, pernas, patas, olhos, antenas, folhas, barbatanas, ouvidos, tentáculos do jeito que a sua mente insana achar mais aproriado bizarro. Mesmo com o pouco que tem disponível, dá pra fazer uma variedade enorme de coisas, e tudo com uma facilidade incrível. Basta arrumar a câmera num ângulo aproriado para aquilo que você quer fazer e arrastar as partes para a sua criatura. O jogo as posiciona certinho, de maneira simétrica, e a sua criaturinha vai criando vida e personalidade bem diante dos seus olhos.
O Criador de Criaturas do Spore é bem sucedido em várias áreas, mas a principal delas é justamente aquela para o qual ele foi criado: deixar a gente louco de vontade de jogar a versão completa do jogo. Ainda mais quando você lembra que nela vai poder criar não apenas bichos, mas construções, veículos e sabe-se lá o que mais a Maxis preparou.
Ontem de madrugada, logo antes de ir dormir, depois de ter criado a minha mais nova criatura diária, eu estava tão empolgado com o jogo que resolvi ver na Wikipedia a data de lançamento, que eu não lembrava. Sem pensar, digitei “spore” na barra de endereço do Firefox e, em vez da Wikipedia, acabei caindo no site oficial do jogo. Conferi a data — 05 de Setembro –, mas acabei vendo bem mais do que isso.
Talvez isso seja de conhecimento público, mas eu nunca tinha visto ou ficado sabendo da Versão Galáctica, a edição especial do jogo que está disponível em pré-venda no Brasil. (Segundo o site oficial, essa versão só estará disponível durante a pré-venda.) Além de uma caixinha super bonita, igual às dos boxes de séries de TV, a versão ainda inclui um DVD de Making of do jogo, que deve ser interessantíssimo, um pôster em tamanho A3, um “Manual Premium” com 100 páginas coloridas (eu amo manuais de instrução) e um potencialmente curioso Art Book. Também vem com um Cartão de Fidelidade Spore, seja lá o que isso seja. Tudo isso por 140 reais, a metade do preço de um lançamento para Wii ou PS3.
Eu não ia comprar, mas um anjo veio à mim durante a noite e disse que eu deveria fazer isso, então garanti o meu essa manhã. Mentira, eu ia sim.