…Gustavo Vasconcelos!

Não teve jeito, o cara mandou tão bem que mesmo nos comentários do post da promoção já tinha outros leitores fazendo coro de “Já ganhou! Já ganhou!”. E, de fato, ganhou mesmo.

Gustavão, manda um email pra fabiobracht ARROBA gmail.com e a gente agiliza o teu exemplar de Os 100 Melhores Jogos. ;)

Fiquem agora com a mensagem do Fabio Santana (editor do livro, pra quem não tá sabendo) aos participantes da promoção, e, depois do continue, a reprodução do arrepiante texto vencedor.

E o Continue agradece a participação de todos!

"Uma das diretrizes de Os 100 Melhores Jogos, herdada da edição britânica e preservada por nós desde o início, foi a abordagem diferenciada dos textos. A ideia não era fazer uma análise nos moldes consagrados, mas sim ensaios que tentassem compreender e fazer compreender a importância de cada título, fosse abrindo o foco para um contexto maior, fosse fechando-o para uma única qualidade distintiva.

Na avaliação da promoção, me pautei por essa mesma diretriz. Entre os participantes, muitos fizeram análises realmente interessantes, alguns conseguiram destacar pontos fortes com muita lucidez, mas o Gustavo Vasconcelos fez tudo isso com sensibilidade e precisão. Exaltou as qualidades de Fallout 3, calculou o efeito que melhor definisse a obra, preparou o campo para valorizá-lo e desfechou com majestade. Vencedor com mérito!"

E agora o texto dele, que, sem brincadeira nenhuma, mais do que qualquer outro texto ou review, foi o que realmente me fez decidir que eu ainda jogarei Fallout 3 nessa vida, custe o que custar:

“Meu nome é Bob Stevens. Eu e minha família nos abrigamos na câmara de drenagem, não muito longe da torre de relay. Meu filho está doente, precisa de ajuda médica. Se você puder nos ouvir, por favor, nos ajude. Estamos esperando contato, em 39,50kHz.”

A mensagem é repetida continuamente e, enquanto você procura a câmara de drenagem pela força do sinal de rádio, não pode deixar de ouví-la. Cada nova iteração aumenta sua a angústia, a ponto de tornar seu o sofrimento daquele pai. Não importa que o mundo acabou em uma hecatombe nuclear 200 anos atrás, o que uma pessoa só pode fazer pelos mais de 4 bilhões de mortos? Mas uma criança, necessitando de remédios, este é um problema que você pode resolver. Então você esquece todas as pessoas que morreram enquanto as bombas caíam ou nas décadas depois, pelo lento envenenamento radioativo, e se foca em resolver uma questão que você pode conceber.

Foi assim que eu passei dois dias de minha vida real jogando Fallout 3. Não é fácil localizar a origem do sinal, então várias vezes desisti e cumpri outras missões, mas sempre entre uma e outra voltava àquela torre e tentava por mais uma, duas horas.

Não sei dizer o que aquela “quest” em particular tinha de especial. No meio do jogo tantas pessoas precisam de ajuda que uma criança possivelmente com um resfriado é por demais frívolo. Ainda assim, eu sempre voltava para lá.

Fallout 3 acontece 200 anos depois de um holocausto nuclear. A população da terra foi dizimada, séculos de radiação tornaram a própria mãe-natureza uma sádica e obscena aberração. Pequenos animais tornaram-se monstros e os grandes tornaram-se bestas sanguinárias. Os próprios seres humanos foram corrompidos por ela, tornando-se uma versão contemporânea dos mortos-vivos do cinema antigo.

As paisagens, a grande maioria reais, são retratadas à fidelidade, causando um incômodo indescritível quando são reconhecidas. Fallout 3, tal qual sua versão hollywoodiana “The Day After”, sai da tela da TV e entra no coração e estômago do jogador.

Este não só é um dos melhores jogos da história da indústria de videogames como também é um aviso sobre como as ações têm consequências, e como estas podem ser difíceis de medir no instante do ato. É um jogo que precisa estar em qualquer lugar de onde possa ser observado com destaque.

Se para você, leitor, ainda não ficou claro o que há de tão especial neste simples item de entretenimento, saiba que eventualmente eu encontrei a câmara de drenagem.

Lá, estava uma pilha de ossos. Ninguém entrara naquele lugar a, pelo menos, 50 anos. Eu fui até o rádio, que ainda estava transmitindo e desliguei-o, o que deixou um silêncio sepulcral no lugar.

Após revistar tudo e me dirigir para a saída da câmara, apenas uma única coisa me impedia de perder a cabeça e abandonar toda e qualquer esperança: no meio das ossadas não havia nenhum esqueleto de criança.

Mereceu, hein?

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