Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes
BioShock foi o meu primeiro jogo de Xbox 360 (descontando os lixos que vieram no kit nacional do console). Eu comprei no Play-Asia, meio que de impulso, junto com Mass Effect e Assassin’s Creed. Não sabia muita coisa sobre o jogo, só que era em primeira pessoa, tinha elementos de horror e poderzinhos legais para se utilizar. Mesmo assim encomendei por algum motivo, já que queria um jogo de tiro e não estava animado a comprar Halo 3 por causa das fases “Library” que eu odiei nas edições anteriores. Duas semanas depois, o jogo chegou em um pacote separado dos outros.
E que jogaço. O choque de entrar em Rapture pela primeira vez foi grande e eu simplesmente não conseguia parar de jogar, ignorando minha rotina e tudo o mais. Acabei terminando em três dias, e mais uma vez quatro dias depois. Até hoje é o meu jogo favorito entre os consoles “grandes” dessa geração, e achei que dificilmente conseguiriam superá-lo.
Aí eu lembrei que estavam fazendo uma sequência já há algum tempo.
Dez anos após os eventos do primeiro jogo, em 1970, Rapture está ainda mais caótica. Uma nova líder, Sofia Lamb, tomou o controle da cidade. Com uma filosofia diferente do líder original e um chefe religioso, padre Wales, para arrebanhar os Splicers dentro de um culto de fácil compreensão venerando sua líder, tudo está sob seu controle.
Durante o seu domínio, uma Little Sister salva no primeiro jogo, obcecada por sua vida antiga em Rapture, consegue voltar à cidade sob uma armadura similar a dos Big Daddies. Ela começa a raptar meninas em praias ao redor do mundo para transformá-las em uma nova geração de Little Sisters e fazer a metrópole submarina voltar a ser como era. Sofia parece ter gostado da ideia, já que aparentemente desenvolveu um exército de Big Sisters para tomar conta da cidade. Só que, misteriosamente, a original sumiu.
Em BioShock 2, você é Subject Delta, o protótipo dos Big Daddies que seriam produzidos nos anos posteriores. Você acorda sem conhecimento do que aconteceu nos últimos dez anos. Tudo o que você quer é a Little Sister com a qual originalmente foi vinculado, e em busca dela você acaba entrando em conflito com Lamb, que aparentemente também quer encontrá-la.
Realizar essa missão não será fácil, é claro, já que além de você, os Big Daddies finalizados do primeiro jogo, Bouncer e Rosie, ainda estão vagando por Rapture guiando suas próprias Little Sisters. Um novo modelo, Rumbler, focado em combate defensivo, também estará presente. E além deles, você encontrará novamente os Splicers, mais poderosos do que nunca. Uma variedade, inclusive, é um monstro gigante que sobreviveu a dez anos de uso intensivo de ADAM, e dará mais trabalho ao protagonista do que seus equivalentes menores. Eu também espero todas as variedades de Splicer do jogo anterior, como os que se teletransportam, Houdini Splicers, e aqueles ASSUSTADORES que andam no teto.
Sendo o Big Daddy protótipo, várias características problemáticas de Delta serão vantagens para o jogador em BioShock 2. Além de ter livre arbítrio (os modelos finalizados não sabem fazer nada além de proteger Little Sisters), Delta consegue usar ADAM e, consequentemente, Plasmids. As “magias” do primeiro jogo estão de volta, e podem ser utilizadas ao mesmo tempo que as armas convencionais, que incluem a furadeira do Bouncer, a Rivet Gun do Rosie, um lançador de arpões (ora, os Big Daddies são homens em escafandros, de qualquer jeito), uma minigun… o arsenal de Delta parece ainda mais divertido que o de Jack, de alguma forma, e observem que o Jack tinha um lançador de GEL ELÉTRICO. Gel. Elétrico. Awesome.
Outra novidade na jogabilidade é a expansão da interação do jogador com as Little Sisters. Em vez de simplesmente salvá-las ou explorá-las (não, não nesse sentido), Delta poderá adotá-las e levá-las por aí. A função de um Big Daddy é proteger uma Lil Sis enquanto ela “colhe” o ADAM dos “anjos”. Em outras palavras, retira a substância de cadáveres com uma seringa. Em BioShock 2, essa é principal forma de se obter o produto. Não pense que será fácil: quando Delta deixa uma Little Sister “colhendo”, dezenas de Splicers sentirão o cheiro do corpo sendo violado e tentarão roubar a garotinha , e cabe a você protegê-la. É claro que com armas e plasmids-armadilha como Cyclone Trap, Trap Spears e minas de proximidade, isso não deve ser difícil, certo?
É, até que aparece uma Big Sister. Essas criaturas são como Big Daddies, mas em vez de proteger as pequenas dos Splicers, a função delas é impedir que apenas uma criatura tenha muito ADAM. No caso, você. Em combate, elas são muito ágeis e resistentes, usam Plasmids (principalmente Telekinesis, o de controlar objetos com a mente, elevado na décima potência) e arpões, têm sua própria seringa para coletar ADAM… um inimigo poderoso, até mesmo para Delta e os outros Daddies. E aparentemente isso não é tudo, mas a 2K não revelou muita coisa até agora.
Uma adição curiosa será o multiplayer. Tomando uma decisão estranha, mas previsível, a 2K adicionou um modo para vários jogadores na segunda edição do jogo. Inicialmente parecia desinteressante, mas o blog do jogo criou um bom hype em cima e agora eu estou animado para testá-lo. Tem até uma história, que nem interessa muito. O fato é que teremos os modos tradicionais que existem em todos os FPSs multiplayers, mas com um “BioShock Twist” neles. Para começar, os jogadores são splicers que podem usar Plasmids e armas de fogo (mas não ao mesmo tempo, como Delta), lembrando muito o primeiro jogo. Às vezes um pode se transformar em um Rosie e abdicar das “magias” para maior resistência e acesso à Rivet Gun. No CTF do jogo, um time tenta capturar a Little Sister do outro, que é protegida por um Big Daddy, e por aí vai. Desnecessário, mas bacana.
Para completar, a minha única decepção por ora é que o jogo é mais linear. Rapture tem ambientes gigantescos e alguns trechos até se passam fora dela, no fundo do oceano. O problema é que, no final de cada “área”, Delta pega um trem para a próxima e não tem a opção de voltar. Ou seja, ou você pegou tudo o que tinha que pegar na última área ou já era. Se isso não piorar a progressão do jogo, não tenho nada contra: Delta parece estar mais “determinado” que Jack, então faz mais sentido ele não voltar atrás. E as Little Sisters – os “itens” mais importantes de cada área – aparecerão na próxima se você não as encontrar antes de sair da atual.
BioShock 2 será lançado dia 9 de Fevereiro, daqui a menos de um mês, para Xbox 360, PS3 e PC, e está ficando surpreendentemente melhor que o primeiro, até agora um dos melhores jogos da geração. Quem mais está ansioso?
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