Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Se eu te perguntasse qual é o jogo eletrônico mais jogado no mundo inteiro, talvez você pensasse, sei lá, em Super Mario World ou Tetris. Mas na verdade estaríamos muito provavelmente falando de Paciência. Sim, Paciência. Aquele joguinho que você sempre vê os atendentes de repartições públicas jogando em vez de te atender.
Cada cópia do Windows lançada nos últimos 19 anos contém o jogo, e é seguro dizer que a grande maioria dessas unidades rendeu ao menos uma partidinha. Isso sem contar as inúmeras versões para celular, coletâneas eletrônicas de jogos de tabuleiro estilo Clubhouse Games.
Eu não falo da popularidade do Paciência da mesma forma que falaria da popularidade de World of Warcraft — do ponto de vista de quem analisa, mas não participa. Eu sou ruim que dói no jogo de cartas, e não faz muito tempo que o descobri e aprendi a jogar, mas hoje em dia o Solitaire City é o jogo mais jogado no meu iPhone.
O legal é que existem muitas coisas que as pessoas em geral não sabem sobre o jogo. Por exemplo: o nome dele está errado: “Paciência” refere-se a toda uma família de jogos de raciocínio para um jogador – nem sempre de cartas. O nome que a gente usa, Paciência, é provavelmente emprestado de Portugal, que deve ter traduzido do inglês britânico, onde o jogo se chama Patience, igual à música do Guns ‘n’ Roses. Nos EUA, o troço se chama Solitaire, um nome que eu considero mais adequado.
No entanto, como eu disse, Paciência é o nome da família de jogos. É quase como se a gente achasse que o nom»e dos jogos do Mario fosse “Plataforma”. A Paciência mais comum e famosa — e a que vem no Windows desde a versão 3.0, em 1990, quando foi incluído no sistema para ajudar a ensinar as pessoas a usar o mouse com desenvoltura — chama-se Klondike. A própria Klondike tem as suas variações, entre elas a Deal 3 (onde você vira três cartas de cada vez, mas só pode usar a do topo) e a Deal 1 (que deixa o jogo mais fácil ao permitir que você vire as cartas uma por uma).
Os próprios FreeCell e Spider, que também acompanham as versões do Windows, não passam de variações da Klondike. Elas podem parecer completamente diferentes, mas na verdade basta dedicar alguns minutos para aprender a jogar, que você vai perceber que são praticamente o mesmo jogo. Spider, por exemplo, é o nome-Windows da variação Spiderette, que consiste em ordenar as cartas pelo naipe, em vez de em ordem decrescente com cores alternadas. A variação consiste na quantidade de naipes diferentes em jogo: a maneira mais fácil é jogar com as cartas de um único naipe (nesse caso são usadas as cartas de mais de um baralho).
Um pouco de história para terminar: muito antes do Windows resolver incluir a Paciência nos seus sistemas, ele já era jogado no mundo todo. Segundo a Wikipedia, que não teria porquê mentir sobre isso, o jogo teve a sua origem provavelmente na Alemanha ou Escandinávia, apesar de os primeiros registros dele terem sido na França, por volta de 1765. E, completamente sem relação com nada, queria deixar registrado que o livro O Dia do Curinga é sobre o jogo Paciência é um dos livros mais fodas que eu já li.
Apesar da popularidade, há muitas pessoas que olham para uma tela de Paciência e não sabem o que fazer. Talvez você não seja uma dessas, mas, se for, dê uma olhada nos vídeos abaixo e aprenda. Ou assista simplesmente para ver como ficaram os jogos no Windows 7.
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