
Em semana de resenha do Super Smash Bros. Brawl, óbvio que continuamos em ritmo briguento – como se ele fosse nos deixar tão cedo.
Semana passada falei do game cancelado que originou o espivetado Lucas, desta vez discorro sobre o berço original de mais um figura de SSBB: o mal encarado Wolf O’Donnel, um dos vilões da série Star Fox.
A galera veterana da época do Super Nintendo deve partilhar comigo a decepção pelo cancelamento de Star Fox 2, uma continuação altamente promissora de um dos jogos mais divertidos e impressionantes do console.
Recordo com nostalgia das Ação Games com preview do game que eu lia quando pequeno. De tanta vontade, eu ia na locadora várias vezes pegar o Star Fox original pra tentar terminar mais uma vez — era tão difícil pra mim que demorei umas boas locações pra chegar ao final. No Easy, ainda.
O segundo Star Fox viria com uma versão melhorada do chip Super FX, jogabilidade não linear, fases com movimentação totalmente 3D e até modos de jogo multiplayer. Um luxo total.
O enredo não era nada que se diga “nossa, que beleza de história”: o macacão malvado Andross ressurge das cinzas fedidas para onde Fox e companhia o mandaram no jogo original para novamente tentar conquistar e reinar soberano sobre o sistema Lylat.
A diferença crucial ficava por conta do sistema de fases. Aqui contemplaríamos a galáxia inteira. As naves inimigas (e mísseis) seriam vistos se movendo em tempo real e ficaria à critério do jogador selecionar para onde ir, que missão realizar primeiro coisa e tal. Um nível de liberdade, creio eu, jamais visto em shooters espaciais que foi reproduzido de maneira rudimentar em Star Fox 64, que permite escolher o próximo nível dependendo da sua competência para cumprir certos objetivos.
Amplitude de opções também na seleção de personagens. Aqui dispomos não apenas de Fox, mas também do restante da equipe Star Fox – Slippy, Peppy e Falco — assim como duas novas integrantes — a lince Miyu e a poodle (WTF?) Fay.
Cada um possui características distintas, como maior poder de fogo, quantidade de bombas ou turbo prolongado e até os modelos de nave variam um pouco entre cada um.
Conforme se perambula pelo mapa, uma série de chefes recorrentes cruza seu caminho, dentre eles a incursão original do Star Wolf. O time apresenta quase a mesma formação vista no N64 – Wolf, Pigma e Leon. A diferença reside em Algy, substituído depois por Andrew.
O motivo para o cancelamento de tal pérola jamais foi totalmente explicado. Especula-se sobre problemas internos no estúdio Argonaut e até altos custos de desenvolvimento, mas fato é que ele chegou a ser completado. Faltaram apenas alguns bugs a serem corrigidos e uma tradução completa para inglês — detalhes que os hackers de ROMs e emuladores já deram conta há tempos, veja só.
A galera que estava desenvolvendo Star Fox 2 era a mesma equipe que havia desenvolvido o primeiro. Ou seja, a exata trupe que fez também Stunt Race FX para SNES, X para Game Boy (que tem até música no SSBB) e inventou o tal chip Super FX. O diretor era novamente Katsuya Eguchi (responsável mais recentemente por Wii Sports e Animal Crossing). Quanto às canções, eram de responsabilidade de Hajime Hirasawa e creio que boa parte delas eram originais, ainda que remetessem diretamente ao estilo épico e pomposo do primeiro.
Na verdade, acredito que aconteceu o mesmo que viria a suceder mais tarde com outro Star Fox, o Adventures. Ele começou como Dinosaur Planet no N64 e demorou tanto pra sair que acabou transferido para o GameCube. O mesmo que rolou com Resident Evil Zero, Eternal Darkness e tantos outros.
Star Fox 2 estava previsto para sair em 1995. Nessa época, a Big N já havia consolidado a vitória na geração 16-bits um ano antes com Donkey Kong Country, lançaria Super Mario World 2: Yoshi’s Island e uma temporada depois ainda colocaria no mercado o fabuloso Super Mario RPG: Legend of the Seven Stars. Ok, dá pra entender o lado mercadológico da coisa.
Ah, e Star Fox 2 acabou sendo embrião para o mega-galáctico-frenético-adrenalina-master Star Fox 64, pelo qual tenho muito apreço. Muito mesmo.
O legado de SF 2 se reflete nos episódios posteriores da franquia. A própria versão 64-bits apresenta elementos como o Star Wolf, a possibilidade de carregar tiros teleguiados, arenas tridimensionais e multiplayer (o qual, devo atestar, é realmente tosco). Rolava no início da produção boatos de que o game de SNES teria jogatina cooperativa para vários jogadores. Teria sido uma melhor opção para o SF 64. Star Fox Command do DS, por sua vez, carrega a opção de escolher dentre diversos personagens e o lado estratégico focado no mapa em tempo real.
A alcunha “Star Fox 2″ reapareceu na E3 2004 para designar o episódio de GC, mas (seria medo de zica?) acabou sendo renomeado para Assault. Bem que a Nintendo poderia ser tomada por um espírito natalino fora do comum e disponibilizar essa raridade histórica no Virtual Console.
Pra quem ficou curioso, abaixo alguns vídeos mostrando um pouco do jogo.
Para aqueles ainda mais totalmente interessado, a seguir um vídeo com um maluco terminando Star Fox 2 de cabo a rabo.
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