Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Eu não sei como é com vocês, mas eu não tenho tanto tempo quanto gostaria para jogar videogame. Quando era pequeno, o mundo era mais simples e livre de responsabilidades. Chegava o fim de semana, era hora de passar na locadora: meu pai pegava uns filmes, e meu irmão e eu alugávamos um jogo cada um. E assim tinha algumas horas do sábado e do domingo para me divertir com o bom e velho Nintendinho. Nas férias de julho, nas quais eu não viajava, passava a semana toda debulhando joguinhos em frente à televisão. Minha mãe tem fotos da gente jogando Punch Out! e Battletoads, no verso das quais está escrito “Férias de Julho de 1990″.
Saudosismo inútil? Nostalgia inglória de dias mais simples? Talvez. Mas servem para ilustrar o ponto que gostaria de discutir nesse fim de semana.
Quanto mais adultos ficamos, menos temos tempo para jogar. Estudos, trabalho, outras ocupações e compromissos consomem nosso tempo. No meu caso, além do Continue e do Hardgamer, também há os prazos da EGM Brasil, um emprego não-relacionado aos jogos eletrônicos, um casamento prestes a se concretizar e claro, outros interesses como livros, cinema, shows e encontros com os amigos. O tempo para jogar é mínimo e eu tento aproveitá-lo ao máximo, selecionando o que jogar e principalmente, quando jogar.
Por exemplo, de manhã cedo, geralmente a faxineira aqui de casa está arrumando o escritório e não deixa que eu me aproxime do computador enquanto ela não tiver terminado. O que fazer durante as próximas duas horas? Por um lado não dá para jogar nada muito complexo ou que exija tempo demais, e por outro minha noiva já saiu para o trabalho. Aproveito então para me dedicar aos jogos de corrida, atualmente Forza Motorsport 2. Por que? Porque minha mulher não gosta de jogos de corrida e fazendo umas duas ou três provas por dia, me divirto até começar a trabalhar.
Durante a semana, eu estabeleci que nas noites de quarta-feira eu fico em casa para jogar videogame. É o meu momento pessoal. É aí que eu sento para jogar títulos mais hardcore, RPGs demorados ou extensos jogos de ação. Até essa semana, quarta-feira era noite de Bioshock. Agora é a vez de um certo jogo de luta com espadas, bastões e sabres de luz.
Nas tardes de domingo, se não temos nada programado, eu e a Janaína jogamos algo juntos ou, com mais frequência, eu fico assistindo ela jogar e dando palpites… o que não deixa de ser “jogar junto” de uma certa forma. Atualmente, ela tem jogado Blue Dragon e eu fico por ali, observando e dizendo coisas como “usa a magia de fogo” ou “tem um baúzinho ali no canto, ó”. É divertido e ocasionalmente ela me pede ajuda com algum chefão ou trecho mais complicado. Mas normalmente eu fico só assistindo mesmo.
No livro Um Grande Garoto, de Nick Hornby, o personagem Will (que tinha tempo demais nas mãos), costumava organizar os seus dias em blocos de meia hora, que ocupava com as mais diversas tarefas. É mais ou menos o que eu faço.
É assim que eu organizo meu tempo para continuar jogando tudo o que gostaria, mesmo com a tumultuada correria da vida adulta. E vocês, leitores? Como vocês lidam com o tempo? Como organizam seus blocos de meia hora de jogatina? O que vocês jogam e quando vocês jogam?
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