Gamer

Na página 68 da edição 71 da EGM Brasil — Resident Evil: Umbrella Chronicles na capa — há uma matéria que me chamou muito a atenção. Curiosamente, não é uma matéria escrita por um profissional, seja ele parte da equipe ou colaborador, mas sim pelo leitor Douglas Martins Oliveira. A matéria foi chamada “A discriminação e a afirmação gamer” e publicada na seção EGMZine (pra quem não sabe, uma seção onde são publicados textos enviados por leitores).

Como percebe-se pela metade final do título, a matéria fala sobre afirmação. O autor dá o exemplo clássico da mesa de bar: se você está numa roda de amigos, papo animado, gatinha/garoto em vista, se divertindo, e alguém fala sobre cinema, literatura ou música, você traria à tona o assunto games, como se fosse apenas outra forma de entretenimento normal? Muito provavelmente não.

Os games ainda são tratados como coisa de criança, diversão de nerd, perda de tempo de quem não tomou jeito na vida. Falar isso é chover no molhado e depois ainda derrubar mais um pouquinho de água. A matéria do Oliveira traz à tona a questão do orgulho e da afirmação. Ele fala, basicamente, que nós precisamos deixar de ser frouxos, criar um par de bolas e admitir com o peito inflado que somos gamers. Que a aceitação do nosso hobby pela sociedade deve partir de nós mesmos.

Mas isso é o que ele diz.

» Minha opinião
O que eu acho é o seguinte: ele não poderia estar mais certo. Sim, concordo com o cara (e esse é meio motivo de eu ter escolhido esse assunto para a Discussão deste Fim de Semana, obviamente). Em vez de nos resignarmos a ficar de cabeça baixa quando falam merda da nossa diversão, nós devemos nos manter superiores, conscientes que somos das virtudes dos games. Eu sei e você sabe que nada pode ser mais idiota do que afirmar qualquer coisa parecida com “videogame é perda de tempo”. Cada jogo, mesmo os mais idiotas, te ensinam alguma coisa. Pode ser algo simples como uma palavra nova em inglês, ou algo bem mais complexo, como mitologia grega ou conceitos de física.

Quando estiver em uma mesa de bar com seus amigos cool e um deles comentar como é sensacional a construção de personagem de tal livro, fale sobre a incrível maneira como GLaDOS se relaciona com a personagem principal. Quando falarem sobre a inacreditável fotografia de um filme chinês qualquer, não esqueça de citar a ambientação perfeita que a 2K Games conseguiu para a metrópole submersa de Rapture. Quando disserem This is Sparta ou Pede pra sair, rebata com The cake is a lie ou You crack me up, little buddy.

Compre camisetas com estampas gamer, faça tatuagens, cole adesivos no seu carro ou no seu notebook. Influencie seus amigos a fazerem o mesmo. Mas não deixe que as pessoas que você conhece continuem achando que jogar um videogame vale menos do que ler um livro ou assistir um filme. Nós sabemos que vale no mínimo tanto quanto (em muitos casos até mais), mas eles não sabem. E se nós não tomarmos a frente para explicar, quem vai?

Quando a “tribo gamer” — que já existe — mostrar que está unida e crescendo cada vez mais, começarão a surgir os programas de TV que farão justiça aos games; começarão a surgir as matérias de jornais que não tratarão dos jogos no diminutivo; as empresas vão se dar conta da oportunidade de negócios; o dinheiro vai fluir cada vez mais… E vai ser level up pra todo mundo.

» A sua opinião
Nós aqui do Continue valorizamos muito a opinião. Esse é o nosso principal conteúdo exclusivo. Você pode ir a qualquer outro site para descobrir que a data de lançamento de The World Ends With You é 22 de abril, mas só no Continue você lê a versão do Lipedal para o fato. E depois a versão dos leitores, nos comentários. Dê uma passeada por outros blogs e sites de games por aí e depois responda: quantos têm comentários tão legais, de gamers sérios e apaixonados, quanto o Continue? São poucos, e é graças a você que eu posso dizer isso.

Digo tudo isso para dizer que a sua opinião é tão importante quanto a minha ou a de qualquer pessoa que poste ou venha a postar alguma coisa aqui. Você tem todo o espaço e as ferramentas para deixar a sua opinião aí embaixo, então vamos lá:

Qual a sua opinião sobre o tema de hoje?

Créditos da imagem: sunlitrain @ Flickr
Não tenha vergonha de mim.

»

Douglas Martins Oliveira: se você por algum acaso do destino acabar um dia lendo isso, saiba que eu te parabenizo pela matéria publicada na EGMZine.
Ficou bem legal mesmo. =)

Posts Relacionados:
  1. Ops, nenhum post relacionado. Este post deve ser bem único!