Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Em 2004, um desenvolvedor de jogos japonês com muito tempo livre, auto-denominado Kikiyama, abriu o RPG Maker 2003 e deve ter resolvido que seria uma ótima idéia criar um jogo para deixar as pessoas que o jogassem um tanto perturbadas. O resultado foi que, algum tempo depois, surgiu Yume Nikki, um dos jogos mais bizarrões que eu já tive a oportunidade de jogar.
No jogo, que foi descrito como “Silent Hill encontra Earthbound para tomar uma ceva”, o jogador encarna Madotsuki, uma “Hikikomori” (pessoa que se exclui socialmente e passa a viver sozinha) que, sendo o que é, se recusa a sair de casa. Quando o jogo é aberto, você se encontra no apartamento da protagonista, que é muito simples: uma televisão com um videogame (que roda o minigame mais deprimente da história), uma mesinha e a cama da garota. Só. De cara, você tenta sair pela porta, mas ao pressionar o botão de ação, o sprite da garota balança a cabeça em negação, o fazendo ir testar os outros móveis.
A cômoda tem uma cadeira que o permite salvar o jogo. Na cama, ao pressionar o botão de ação, Madotsuki se deita. Uma contagem regressiva de três segundos inicia no canto da tela e o jogo começa.
Yume Nikki se passa inteiro nos sonhos da garota. Não há nenhum objetivo definido para o jogador no começo: ao dormir, você vai se encontrar no mesmo apartamento, mas desta vez a porta se abrirá, o levando a um hall com outras doze portas, dispostas em um círculo. Cada uma leva a um mundo, um mais bizarro que o outro (e, explorando um pouco, é possível descobrir ligações entre eles).
Em poucos minutos, você encontrará um NPC ou objeto que, ao ser acionado, o dará um “efeito”, que são poderes variados dentro do mundo do jogo. Poucos são realmente úteis, sendo a maioria modificações visuais na protagonista. Mas também são eles o “objetivo superficial” do jogo: é necessário conseguir os vinte e quatro efeitos do jogo para terminá-lo.
Porém, Yume Nikki é mais do que isso. O jogo é todo sobre explorar a perturbada mente da protagonista. Você verá os NPCs mais bizarros, os cenários mais absurdos e as situações mais perturbadoras. Para completar, um clima de nervosismo, por incrível que pareça, o acompanhará nesse jogo feito em uma plataforma simples como o RPG Maker. E, se duvidar, algumas coisas podem causar medo e uma vez ou outra você levará sustos. Eu levei um, pelo menos.
Há também um pequeno elemento nostálgico. Uma área toda é uma homenagem ao primeiro Mother, por exemplo, mas só com muita exploração é possível acessá-la. Ou indo no GameFAQs, é claro.
O jogo, obviamente, é freeware. Você pode baixá-lo aqui. Aviso que é algo bem diferente e nem todas as pessoas vão gostar, mas ao menos deem uma chance. Não temos nada a perder, pelo menos.
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