Ontem, no post sobre a super bacana conferência da Nintendo, eu só citei por alto os nomes dos jogos anunciados, sem entrar em detalhes. Como prometi um post com mais detalhes sobre eles, aqui está.

» Animal Crossing: City Folk

Não vou mentir, eu estava esperando MUITO por esse jogo. Achei que fosse ser mais uma reinvenção da série, cheio de novidades, completamente diferente. Quando a série pulou do GameCube para o DS, usou com maestria todos os elementos novos que teve à disposição. A impressão passada é que o jogo foi moldado em torno desses novos elementos, como a tela de toque, microfone, duas telas, portabilidade e wi-fi.

Era isso que eu esperava da versão Wii. Que fosse moldada ao redor das características únicas do Wii. E é claro que isso ainda pode se revelar verdadeiro (afinal, sabemos muito pouco sobre o game até agora), mas certamente não foi o que deu a entender pela apresentação do jogo na conferência da Nintendo.

Só temos duas novidades realmente interessantes. A primeira é a divisão entre Town e City. A Town é a sua vila, exatamente como nos jogos anteriores. Literalmente tudo igual, até os gráficos são essencialmente os mesmos do DS, apenas apresentando texturas e modelos 3D condizentes com a capacidade gráfica do Wii. A City, no entanto, é uma área separada, acessível por um ônibus amarelo, com vários estabelecimentos. Basicamente aquilo que você já tinha na vila: o correio, o salão de beleza, cabeleireiro, museu… A única novidade real que já foi divulgada nessa área é a Casa de Leilões (Auction House), onde você poderá comprar itens postos à venda por outros jogadores. Ouvi falar também de uma sala onde você pode entrar e conversar por voz com outros jogadores ao acaso, mas isso parece exatamente o tipo de coisa que a Nintendo não faria.

A outra grande novidade é justamente o chat por voz. O jogo suportará o novo acessório mostrado pela Nintendo, o WiiSpeak. É um microfone para voice chat, mas não um headset como o do Xbox 360. Ele será encaixado na Sensor Bar, de modo a ficar perto da TV, e o seu objetivo é captar as vozes de todos na sala. É um conceito novo, de chat “grupal”. Interessante, mas tem tudo para dar errado. Especialmente para quem tem cachorros barulhentos em casa, como eu. Ou para quem costuma jogar à noite, tomando o cuidado de não acordar a namorada, como eu. Ou para quem mora de frente para uma retífica de motores, como eu (morava).

O legal é que esse WiiSpeak é ligado ao TV por uma porta USB. Se ele funcionar no computador também, deve ser perfeito para gravar um podcast! :P

Agora a bomba: ao que se sabe, o WiiSpeak não será incluído na caixa do Animal Crossing. Terá que ser comprado separadamente, e não é exatamente barato: 30 dólares.

» Wii Sports Resort

Logo antes da conferência da Microsoft, a Nintendo soltou a sua primeira bomba: o Wii MotionPlus, uma pequena extensão que você liga no Wii Remote para aumentar consideravelmente a precisão dos seus movimentos. Se você ainda não está por dentro, leia aqui.

Como era de se esperar, a Nintendo aproveitou o evento para anunciar um jogo que utilizasse esse add-on e o incluísse na caixa. E assim veio ao mundo Wii Sports Resort. Essencialmente, Wii Sports 2 – Um Dia na Praia.

Somente três jogos foram mostrados, e pela simplicidade deles, eu não me surpreenderia se dessa vez a Nintendo incluir uns dez jogos em vez de só cinco como no primeiro Wii Sports. O primeiro mostrado foi Disc Dog, um jogo onde você lança um freesbie para o seu cachorro pegar. Já li uns hands-on dizendo que a perfeição com que o MotionPlus capta o seu movimento torna esse jogo bem mais difícil do que parece.

O segundo foi um de Jet Ski que eu não lembro o nome. Pense em Wave Race com Miis. Você segura o Wii Remote e o Nunchuck como se fosse o guidon do Jet Ski, e torce os punhos para acelerar, vira os braços para fazer as curvas… exatamente como num veículo real. Reggie foi quem demosntrou esse jogo, e, pela performance patética dele, dá pra concluir que o jogo também não é muito fácil. Ou ele é muito ruim mesmo.

Por fim, tivemos o mais promissor e o que mais demonstrou as capacidades do Motion Plus, um jogo de batalha de espadas. Imagine o Boxe do Wii Sports, só que com espadas de espuma. Você golpeia o oponente e defende-se dos golpes dele usando movimentos reais 1:1, sem botão nenhum. Ganha quem bater tanto no oponente a ponto de conseguir fazer ele cair de uma arena circular.

Wii Sports Resort com certeza vai (1) ser muito divertido, (2) vender que nem água e (3) popularizar o MotionPlus, abrindo caminho para que outras empresas usem a funcionalidade em seus jogos. No entanto, tem algumas coisas aí que me dão medo: só um MotionPlus por jogo? Acho difícil a Nintendo incluir dois em cada caixa (apesar de ser um acessório pequeno), fazendo com que todo mundo precise comprar um avulso para curtir multiplayer, que é a alma do negócio. E mesmo com isso, ainda fico com medo que esse MotionPlus acabe tendo o mesmo destino que o Expansion Pack do Nintendo 64. Um acessório legal, que realmente fez a diferença nos jogos, mas que, por não ser usado por todos os jogadores, limitou muito a quantidade de jogos que foram lançados com suporte a ele.

» Wii Music

Agora que Miyamoto já terminou Wii Fit, precisa se ocupar com outra coisa. E lá vamos nós para o Wii Music. O mais fraco entre três jogos, na minha opinião — e olha que eu adoro jogos musicais, de Guitar Hero a Elektroplankton.

Wii Music, para quem não sabe, é um jogo musical completamente descompromissado. Você não é avaliado depois de tocar uma música, nem mesmo ganha pontos. Você apenas toca pelo prazer da música, depois pode gravar sua apresentação e montar um videozinho (do seu Mii tocando). Na conferência foi dito que o jogo teria uns 50 instrumentos diferentes, mas já vi sites dizendo que seriam mais de 60.

Por que eu achei decepcionante? Em primeiro lugar, pela aparente falta de precisão. Isso foi mostrado logo de cara, na demonstração da bateria. Funcionar, funciona, mas não dá pra querer tocar muito rápido, ou num ritmo muito complexo. Ela simplesmente não é precisa o suficiente. Sem contar que precisa da Balance Board para ser completa.

Quando todos os executivos inventaram de tocar o tema do Mario, cada um num instrumento, eu senti muita vergonha alheia. Foi tudo fora do ritmo! Bizarro mesmo. Não vou dizer que não é divertido, porque eles pareciam estar se divertindo, e eu dei risada assistindo também. Mas de que adianta? Um jogo musical que não consegue manter um ritmo não serve para nada.

No fim das contas, nada disso que eu escrevi adianta muita coisa. Quem é dono de Wii, dificilmente vai deixar de comprar ao menos dois desses três jogos. Eu incluso. :P

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