Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes
Ah, Rare, Rare… O quanto eu te devo. Mais do que qualquer Yoshi’s Island, Sonic 2 ou mesmo Chrono Trigger (ainda que eu tenha jogado estes à exaustão), no meu íntimo eu sei que a minha verdadeira era de ouro dos videogames foi no Nintendo 64, com GoldenEye 007, Banjo-Kazooie, Donkey Kong 64 e, claro, o meu adorado Conker’s Bad Fur Day. Ver tal empresa ser tirada debaixo das asas da mãe Nintendo foi uma dor para o então nintendista inveterado, mas uma dor que eventualmente passou. No entanto, houve uma segunda dor, mais forte, que ainda dói: ver que a Rare até hoje não recuperou a sua notoriedade e o seu sucesso.
Quer dizer, Viva Piñata é um ótimo jogo. Ótimo mesmo, não falo só por falar. Perfect Dark e Kameo são bons também, mas nem tanto — embora para eles possamos dar um desconto ao ver que foram jogos de lançamento de um console novo. Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts é bem feitinho, mas tentou inventar moda demais. E teve todo o lance deles terem feito todo o sistema de avatares do 360, que hoje é usado por 100% dos Xboxes conectados à Live. Mas, mesmo assim, a Rare certamente não tem mais um status como o de antigamente. Para efeito de comparação, pensar na Rare em 2000 era como pensar na Infinity Ward ou no Team ICO hoje em dia: não importa qual venha a ser o seu próximo jogo, ser foda é o mínimo que se espera dele.
Peter Molyneux — o nosso amigo Pedrinho Moli… nah, já ficou velha a piada — parece concordar comigo. Veja o que ele disse ao GamesIndustry.biz, em uma entrevista sobre o seu novo cargo como chefe criativo geral de todas as equipes que formam o Microsoft Game Studios:
Uma das coisas que eu realmente quero fazer é ajudar a Rare a ter uma maior identidade. Fazer com que o povo de lá seja mais visto dentro da indústria. Eu fiquei impressionadíssimo com a quantidade de talento que existe na Rare, mas o que acontece é que eles vem de um passado onde a Nintendo exigia que eles fossem essa empresa totalmente cheia de segredos. Eu quero dar a eles a confiança de dizer ao mundo no que eles estão trabalhando. Eu espero que você veja mais coisas da Rare, e eu quero ajudá-los a ficarem mais conhecidos. Mas você definitivamente ainda vai reconhecer de cara um jogo da Rare.
Eu já gostava do Molyneux. Agora, então… =)
E aí, quem quer um jogo da Rare pro Natal?
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