Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Assim é complicado: a gente nem pode tirar férias coletivas forçadas que a TecToy já aproveita para lançar um console. Ficamos jogando WoW, Team Fortress 2 e outras tranqueiras e não pudemos noticiar em cima do lance um dos acontecimentos mais relevantes da indústria nacional em 2008. A essa altura do campeonato, outros sites já publicaram tudo o que se sabe sobre a nova plataforma e a gente ficou para trás, certo?
Errado.
Depois do Continue você confere com exclusividade mundial tudo o que não foi dito antes sobre o Zeebo.
Concebido como Genie, o projeto que deu origem ao novo videogame da Tectoy nasceu em 2006 e envolveu empresas de sete diferentes países: Brasil, Estados Unidos, Argentina, China, Israel, Japão e França. Seus principais diferenciais estão na aposta em mercados emergentes (em especial os assolados pela pirataria) e na distribuição de jogos por download via rede 3G.
Com hardware produzido pela Zeebo Inc., empresa sediada em San Diego, Califórnia, e formada pela Tectoy of America e pela norte-americana Qualcomm, e com o suporte de vários publishers respeitáveis como Activision, Namco, Capcom, Sega e a brasileira Tectoy Digital, o Zeebo almeja o posto de quarta plataforma da atual geração de videogames.
Para saber se ele chega lá, acompanhamos tudo o que foi revelado e batemos um longo papo com nossa colega tecneira Suzana Bueno, que, além de ser colaboradora aqui do Continue, também trabalha no departamento de qualidade da Tectoy Digital em Campinas. Os detalhes picantes (sobre o Zeebo, não a Suzana) você confere aí embaixo, mas é bom lembrar que todos a parte técnica está sujeita a alterações até o lançamento do console no primeiro trimestre de 2009.
Não, mas parece, né?
Vamos combinar: a pronúncia correta é Zibo — ou, indo mais além na pronúncia, Zíbou. Chamar de Zebu é tirar sarro dos nossos amigos bovinos e os indianos podem ficar chateados. O nome final do produto foi definido nos Estados Unidos, é bem esquisito e substituiu o simpático Genie, mas em compensação é fácil de lembrar e de pesquisar: digite Zeebo no Google e você só vai encontrar o videogame da Tectoy. E até aí, Revolution era um nome muito mais legal do que Wii e deu no que deu.
O Zeebo não é um concorrente do PlayStation 3, do Xbox 360 ou do Nintendo Wii. A “quarta plataforma” visa um público crescente e que costuma ser relegado a produtos defasados ou de qualidade duvidosa: a nova classe média dos países do BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. É um mercado de aproximadamente 800 milhões de pessoas. Diz Fernando Fischer, CEO da Tectoy:
“Esses consumidores estão ávidos por uma opção de entretenimento e educação de altíssima tecnologia e preço acessível, e o Zeebo oferece isso.”
De fato, são consumidores que desejam o PlayStation 2 e muitas vezes ou compram o console da Sony no mercado paralelo, isso quando não adquirem aparelhos de qualidade e procedência duvidosa como os famigerados PolyStation. O Zeebo, com seu preço na faixa de R$500,00 e jogos com preços acessíveis, tem tudo para atrair os jovens entre 13 e 18 anos que estão em busca de seu primeiro videogame ou de substituir o Super Nintendo que até hoje ocupa lugar especial na frente da televisão de muitas famílias brasileiras.
Além do preço acessível, vários detalhes do Zeebo foram planejados para esse consumidor: não há uma conta na ZeeboNet (A rede 3G do console, saiba mais logo abaixo) pois o brasileiro em geral não tem paciência com cadastros. O videogame acompanha dois controles, porque no Brasil é assim que funciona. E o controle é com fio porque nós, gamers calejados, podemos até achar normal e aceitável trocar as pilhas do controle a cada oito horas de jogo, comprar recarregadores, play & charge ou painéis solares para o joystick, mas o consumidor comum iria reclamar: ÔoOoOoOo quê?! Tem que comprar pilha pra esse negócio?
Não é uma plataforma para gamers hardcore, mas, assim como o Nintendo Wii, o console da Tectoy pode fazer uma ponte de entrada para novos jogadores. Além de ser uma plataforma anti-pirataria, graças ao sistema de venda e armazenamento digital de seus jogos, o que pode ser não uma boa, mas a melhor arma que já surgiu contra a resistência cultural que o povo ainda tem contra pagar “mais caro” por jogos originais.
Vídeo do iG Tecnologia, mostrando o hardware do Zeebo
O Zeebo não precisa de modem, conexão banda larga, não ocupa a linha telefônica e não exige o pagamento de nenhuma assinatura. Ainda assim seus jogos são vendidos por download. Como? Via rede 3G da Claro. Pega essa, Wii/PS3/X360! Explica Suzana Bueno, com exclusividade:
“A rede 3G será mantida em parceria com a Claro e não será cobrado NADA dos usuários quanto à rede. O usuário só pagará para comprar o jogo e só o preço do jogo mesmo, nada mais. Nem precisa se conectar. É sinal da rede celular, então ele se conecta sozinho.”
Os jogos serão comprados diretamente pelo console, via ZeeboNet, uma rede de servidores dedicados para a plataforma. De um lado ficam armazenados os games, do outro são realizadas as transações. O pagamento é feito com créditos, bem ao estilo Wii Points, que podem ser comprados em quantidades predeterminadas usando cartão de crédito, débito em conta ou boleto bancário. Perfeito para quem ainda é novo e não consegue pegar emprestado o cartão de crédito da mãe.
Mas caso o usuário more em uma cidade que não tem cobertura 3G, como ele fica?
“O Zeebo funciona também com outros protocolos mais antigos de transferência de dados, que a própria Claro oferece, como EDGE e GPRS. Sem 3G fica mais lento, mas funciona também. Onde você estiver, ele vai funcionar”, garantiu Suzana. Provavelmente será mais demorado, mas dado o tamanho dos arquivos, não será mais do que algumas horas em um local sem cobertura 3G.
E aí entra a limitação do HD. Muita gente chiou quando soube que o disco rígido do Zeebo é de apenas 1GB. Perto de outros consoles com seus discos de 20, 60, 120 GigaBytes, é um espaço bem reduzido. Mas seus jogos se encaixarão nesse espaço, até para evitar longas horas de download que resultariam em um custo operacional absurdo para a Tectoy.
O maior problema do espaço limitado é que se um dia você lotar o seu HD, terá que deletar alguns jogos para armazenar os novos. E como o Zeebo não tem nenhum tipo de conta ou perfil de usuário no servidor – todo o conteúdo fica registrado no console, ligados ao número de série para evitar cópias ilegais – se você deletar um game e quiser joga-lo de novo depois, terá que comprar o jogo novamente. Mancada feia, Tectoy! Esperamos que isso mude até o lançamento no ano que vem. Não pode ser tão difícil assim atrelar os jogos comprados ao número de série do console ou coisa assim.
Este é do UOL Jogos, com um tour geral pela interface
As especificações técnicas do Zeebo você encontra facilmente por aí, mas elas por si só não dizem muito. O CEO da Tectoy, Fernando Fischer, acredita que alguns meses após seu lançamento comercial, teremos jogos do nível de Resident Evil 4 para a plataforma. Talvez ele tenha exagerado um pouco. Mas olhando as espeficações do Zeebo, vemos que ele é superior ao Nintendo DS e bem superior ao PSOne.
É difícil determinar antes mesmo do lançamento o potencial máximo de um console. Compare os jogos dos primórdios do Super Nintendo e os últimos grandes sucessos dele. Mesmo o PS2, depois de um tempo, teve produções inacreditáveis para as limitações de seu hardware.
Por ser uma plataforma dirigida para toda a família, o Zeebo tem jogos de vários tipos, desde educativos, como um de treinamento cerebral ao estilo Brain Age, até os gêneros tradicionais como tiro, luta, corrida e futebol. Um detalhe importante é o controle, que possui um acelerômetro desenvolvido pela Tectoy. Ou seja, alguns jogos farão uso de sensor de movimentos. A Suzana me adiantou que o sensor funciona com o orientação e incluinação do controle, de forma similar ao que vemos hoje no iPhone.
A máquina da Tectoy pode ser comparada ao portátil da Sony, o PSP. Ou seja, um pouco inferior ao PlayStation 2, seu principal concorrente. A plataforma precisa evoluir, e com o tempo os desenvolvedores inevitavelmente farão jogos mais potentes. Quake, o clássico da id Software, foi mostrado como um dos jogos que acompanham o console, mas há vários outros títulos no forno, mais complexos e com gráficos muito melhores. Um exemplo é a versão de Crash Bandicoot, que tem gráficos entre os de um DS e um PSP.
Ainda não há jogos desenvolvidos exclusivamente para o Zeebo, mas já existem ports de Dreamcast, PSP, PC, Xbox Live Arcade e celular, para citar alguns. É certo que veremos jogos clássicos como Sonic, por exemplo, no Zeebo. Alguns títulos já confirmados para o console, além do já citado Quake: Crash Bandicoot Nitro Kart (Activision), Action Hero 3D (Com2US) e FIFA 08 da EA, inteiramente em português (até mesmo narração) e com gráficos renovados.
Parece pouca coisa para você? Pense no filho do cara que vai nas Casas Bahia comprar um Polystation…
“É um console cujo objetivo é ser anti-pirataria num mercado em que tudo é pirataria e vai dar um gás na indústria nacional de desenvolvimento de jogos!” concluiu animada Suzana Bueno.
Por enquanto ficam aqui registrados nossos parabéns a iniciativa da Tectoy que insere o Brasil de uma vez por todas no mapa da indústria dos jogos eletrônicos. E em dezembro vai rolar o VIP Teste do Zeebo. Pode apostar que vamos conferir a nova plataforma de pertinho e contar tudo pra vocês.
Se eles não enfiarem o evento em local remoto e totalmente inacessível via metrô.
Posts relacionados:
- Tectoy sobre o Zeebo: “O melhor sistema de jogos de todos os tempos”, “gráficos mais incríveis já criados”
- Wild Zeebo appears! Pré-venda no Submarino!
- Resident Evil 4, Prey, Sonic Adventure e até Street Fighter Alpha no Zeebo
- [Discussão de Fim de Semana] Zeebo: FAIL ou WIN?
- Primeiro jogo exclusivo do Zeebo é… legal pra caramba?! Pelo menos parece!