jorgehardcore

Ah, a pergunta que aflige todos os gamers. Na acalorada discussão que vem acontecendo nos comentários do post da lineup do Wii, muitas vezes essa palavra foi jogada pra lá e pra cá, mas ninguém realmente sabia o que significava.

Será o jogador hardcore melhor que os outros? Será ele apenas um nerd gordo no porão da mãe? Será que esse título não é algo feito apenas para inflar pintos virtuais? Ou será que é uma definição válida nos tempos atuais?

Não só na cultura gamer como também em outras, o título de hardcore (ou alguma outra palavra equivalente) é dado àquele que está no topo do que faz, aquele que não mede esforços ou consequências. E, na minha época, era esse o jogador hardcore: aquele que jogava bastante, aquele que era tão bom que era até um tanto idolatrado. Por ter morado no mesmo prédio de um mestre dos games (sério, o cara jogava muito), sei bem como era isso.

MadWorld

Uma diferença crucial daquela época pra de hoje é que não era o jogo que recebia o título de hardcore — o pessoal do meu prédio jogava muito Mickey, jogava Power Rangers, todos pro SNES. Claro, tinha os clássicos também, como Super Mario, Final Fight, Choplifter, Bomberman… mas não havia o jogo hardcore, havia apenas o jogo bom e o jogo ruim. E poucos eram considerados realmente ruins, talvez por sermos crianças sem senso crítico.

Hoje, como bem sabemos, não é bem assim. Existem os jogos hardcore e os jogos casuais, existem os jogadores hardcore e os jogadores casuais. Hardcore não encosta no que é casual e casual não encosta no que é hardcore — ou ao menos, é o que se gosta de pensar.

Pergunto: o que faz um jogo ou jogador ser merecedor da definição “hardcore”?

Animal Crossing: City Folk

Alguns dizem que jogos hardcore são jogos “maduros”, com sangue e violência. Eu digo que não necessariamente: o jogo hardcore, pra mim, é aquele que desafia o jogador. Ora, não somos estúpidos! Nunca fomos, e um pouco de dificuldade é sempre bom. Jogo hardcore é aquele que, independente de ter fuzileiros espaciais carecas ou personagens de sexualidade duvidosa, são desafiantes para terminar. Só isso.

Já os jogos casuais, esse é outro dilema, consequência direta da ignorância de jogadores e developers. Existe uma coisa na indústria dos jogos chamada shovelware; um jogo é shovelware quando é feito às pressas, por dinheiro rápido, e por isso tem pouca ou nenhuma qualidade.

Foi bem o caso do Wii: algumas empresas, vendo que aquele estilo de jogo era supostamente fácil e bem mais barato de produzir, foram na onda, e por isso temos um bando de porcarias e periféricos. Esse foi o início da confusão, foi o que fez as pessoas começassem a confundir o tal shovelware com casual — o que, claro, está errado. Jogo casual é aquele que tem uma premissa básica, simples, que a pessoa pode jogar sem muita experiência e ainda se divertir um bocado. Não costuma ter uma jogabilidade tão profunda quanto os jogos hardcore, pois é feito para quem nunca antes encostou em um controle — e o próprio Wiimote reflete isso. No entanto — e isso é muito importante –, os jogos casuais podem ser bons ou ruins, e os bons divertem até mesmo os jogadores “hardcore” que o experimentarem.

Imagine: Party Babyz

E shovelware, bem, shovelware é apenas uma bela porcaria, enfeitada para vender, mas sem conteúdo algum, e infelizmente a estratégia dessas empresas, ao menos no começo, funcionava, pois o jogador casual ainda é ingênuo, e consequentemente está mais propenso a cair na armadilha das capas coloridas e nomes chamativos. Felizmente, isso já não acontece tanto: talvez a experiência os tenha educado, talvez eles estejam cansados. Talvez até tenham vindo para o grupo hardcore. Independente do que houve, temos que considerar o que está por vir: não só a Nintendo como também a Sony e a Microsoft já viram o potencial desse mercado até então inexplorado.

Ele vai crescer.

Antes disso, porém, eis a minha opinião: não existem jogos casuais ou jogos hardcore, existem apenas jogos. Impossível ignorar que existem dois mercados, muito menos que há jogos feitos com um lado ou outro em mente. Porém, todavia, entretanto, jogos são, e sempre serão, bons ou ruins, casuais ou hardcore, jogos. Mesmo com aquele povo do “JOGOS MADUROS PARA JOGADORES MADUROS COMO EU”, que só se importam em parecer mais másculos diante do seu grupinho testosterônico.

E pra você, o que é hardcore?

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