
Uma das palavras mais ditas pelos executivos da Nintendo hoje no palco de sua conferência (sem contar “sales”) foi “smile”. Eles falaram e repetiram que a empresa deles é a que traz mais sorrisos aos rostos das pessoas, e que o objetivo deles é continuar trazendo estes sorrisos a todos. Bem, Nintendo, you FAIL.
Enquanto vocês falavam de vendas e de como o DS e o Wii
imprimem dinheiro, nós só queríamos saber de novidades. Alguns de nós queriam ver um modelo novo do portátil, outros queriam Pikmin 3, outros (eu!) queriam Pilotwings Wii, um novo Zelda (um que seja realmente de Wii, dessa vez), Kid Icarus ou mesmo mais detalhes sobre alguns jogos que vocês prometeram e se calaram a respeito, como Disaster: Day of Crisis.
Muitos de nós tinham praticamente certeza de que ao menos uma solução para o problema de armazenamento vocês ofereceriam — nós achamos que a Nintendo não era burra o suficiente para não anunciar algo tão necessário e reinvindicado quanto isso. Uma outra parcela ainda tinha fortes esperanças (e motivos para tê-las) de que Kingdom Hearts 3 fosse anunciado.
Mas todos nós estávamos errados. E agora não estamos sorrindo.
Um semi-resumo do evento.
Tudo começou com Camme Dunaway, nova executiva de marketing da Nintendo, enrolando uns cinco minutos para falar que se machucou praticando snowboard, aproveitando então para anunciar Shaun White Pro Snowboarding, um novo jogo de esporte que usa a Wii Balance Board. Apesar de parecer um jogo legal, eu logo pensei “mas que maneira mais sem sal de começar a conferência!”. Mal sabia eu.
Em seguida, o presidente Satoru Iwata entra no palco e fala por vários minutos sobre números e coisas que não nos interessam, então o criador de Animal Crossing aparece no telão e anuncia Animal Crossing City Folks (mais detalhes em um post à parte, mais tarde). O jogo traz novidades (voice chat, por meio de outro periferico), mas não arranca um mísero UAU de ninguém em nenhum momento. De fato, ele parece até demais com a versão para DS.
Depois aparece o famoso Reggie Fils-Aime, ídolo das massas nintendistas (provavelmente não mais, depois de hoje), com mais aula de matemática. Foi o discurso mais chato que eu já vi numa conferência de E3. Quando finalmente ele termina a ladainha e as luzes diminuem, você acha que vai ver um monte de jogos incríveis, mas tudo que aparece é a gangue dois dois-pontos: Star Wars: The Clone Wars, Call of Duty: World at War e Rayman Raving Rabbids: TV Party. Tudo bem, podem até ser jogos bons, mas todos nós já sabíamos da existência deles. E os seus trailers foram bem pouco inspirados, também.
Cammie volta ao palco e traz com ela mais números. Credo, Nintendo, ninguém quer saber que a porcentagem de mulheres que compram o Nintendo DS subiu de 12% para 48% em dois anos! Aí aparece o Spore Creatures do DS (sem mostrar nada, sem empolgar ninguém), e então anunciam um novo Guitar Hero para o DS. O nome é Guitar Hero On Tour Decades, e não é só no nome que ele se parece com o que foi lançado há pouco. É o mesmo jogo! Só com músicas diferentes, e a possibilidade de trocar músicas com a versão antiga e vice-versa.
(PS.: Ouvi falar que teve um dia, ao perguntarem sobre a possibilidade de um novo Zelda ser mostrado nessa E3, que Reggie disse “Mas nós acabamos de ter um Zelda!”. Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer “Bom, Reggie, nós acabamos de ter um Guitar Hero On Tour!”)
Em seguida, anunciam um novo Pokémon Ranger. Eu nem lembro o que falaram porque, mesmo estando acordado, preferi me convencer que estava dormindo.
Neste momento parecia que iria melhorar. Do nada, sem preparar ninguém, o nome Grand Theft Auto aparece no telão. Trata-se de um jogo para DS da série com o subtítulo Chinatown Wars. O público aplaude forte pela primeira e única vez. Na hora até me empolguei (mais pelo fator “Meu Deus, GTA no DS”), mas agora já somei 2+2: jogos em 3D nunca ficam bons no DS. Nunca.
Cooking Navi, aquele software que ensina receitas e te ajuda na cozinha, vai ser lançado nos EUA depois de ter ficado OLD no Japão. Enquanto isso, Daigasso! Band Brothers DX, um jogo ridiculamente bom, é esquecido em terras nipônicas. Isso aí, Nintendo. Joinha.
Reggie volta e fala um pouco sobre o Wii MotionPlus, sem empolgar ninguém. Também sem surpreender viv’alma, anuncia o jogo que virá com ele na caixa: Wii Sports Resort. Assim como o primeiro Wii Sports, é um jogo muito difícil de dar errado. Mesmo assim, eu não sei se o jogo foi mal demonstrado ou é sem graça, mas a impressão foi muito inferior à que eu tive quando mostraram Wii Sports pela primeira vez. Mais detalhes em um próximo post.
Depois da rapida demonstração de Resort, as luzes apagam e um crescendo toma conta do ambiente. A vibração do ar certamente precedia um grande anúncio. Eu imaginei Kingdom Hearts 3, mas também poderia ter sido Kid Icarus ou qualquer coisa do tipo. Era Wii Music. Um holofote iluminou um carinha sentado num banquinho e tocando “air bateria”. Os pés estavam na Balance Board, que servia como bumbo. Em vez de dois Wii Remotes, como seria mais bacana, o Nunchuck fazia a vez de segunda baqueta. E o cara não conseguia tocar num tempo certo, apesar de ser baterista de verdade, o que demonstra que o treco não é preciso o suficiente para ser tocado com muita rapidez.
Miyamoto aparece depois, tocando um saxofone com o Wii Remote. O som não é bonito como o da bateria, parece midi. Ele também não consegue tocar no ritmo. Fico desconfiado. Tudo que aparece na tela são alguns Miis tocando seus instrumentos em um fundo preto, sem cenário nem nada.
Depois vem todo mundo para o palco tocar junto, como uma banda. Eles tocam o clássico tema de Super Mario Bros e tudo parece bem divertido (ainda que um tanto ridículo), mas um desastre rítmico. Cada um tocando no seu próprio ritmo. Wii Music é um jogo que tem um super potencial, mas acredito que não tenha convencido ninguém na apresentação de hoje.
E aí acabou.
Sem nem um anúncio para os “core gamers” que a Nintendo tanto prometeu que não iria decepcionar. Nada de Metroid, nada de Zelda, nenhuma franquia nova de ação ou aventura… o máximo que se chegou perto foi o GTA de DS que, justamente por ser de DS, provavelmente não vai ser tão hardcore assim.
A conferência da Nintendo na E3 2008 foi uma carta de amor aos gamers casuais. E, por mais que eu goste dos jogos casuais da Nintendo, não é justo que eles recebam 95% da atenção em um evento acompanhado por uma audiência predominantemente hardcore como a E3. Depois dessa, a Nintendo merece cada fã desapontado e se decidindo por um Xbox 360 ou PS3 nessa geração. E eu sei que tem muitos.