
O dia dos namorados foi quinta e o aniversário da minha namoradinha (oi, querida!) foi ontem. Sendo assim, não consigo pensar em nada muito diferente disso para discutir aqui com vocês — mas isso não significa que o assunto seja chato.
Muito pelo contrário, muitas vezes é legal dar um tempo nas grandes discussões filosóficas e acaloradas e simplesmente contar alguma história, um causo, e ouvir os outros contarem as suas.
Então lá vai: a proposta da discussão de hoje é contar uma história que envolva games e a sua, ou seu, namorada, ou namorado. Ou esposa/marido. Ou a/o namorada/namorado de outra pessoa que você conheça. (Caralho, quem foi que determinou que a língua portuguesa precisa diferenciar masculino de feminino em tudo?)
Como a sua pessoa especial começou a jogar? Há um jogo em que ela seja infinitamente melhor do que você, apesar de ser n00b em todos os outros? Ou ela simplesmente odeia o seu hábito de jogar e isso já rendeu alguma história digna de ser contada? Você já filmou ela rebolando no Wii Fit e colocou na internet?
Eu tenho várias, mas vou contar três aqui só pra fazer a coisa andar. Depois do continue.
O único jogo que a minha namorada realmente zerou com 100% em toda a vida dela foi Super Princess Peach, no DS. Eu já tinha terminado o jogo antes dela (coé maluco, é legal!), portanto pude ajudar em um ou outro chefe mais difícil, ou explicando que tinha que achar três Toads perdidos por fase para completar o jogo de verdade e tal.
Só que nessas ela começou com os papos de que viu uma “estrelinha de óculos” andando numa fase, e que achava que era um inimigo. Eu pensei “bebeu”, né. Tinha jogado o jogo inteiro e não vi nada sequer parecido com isso em fase nenhuma, só podia ser viagem da cabeça dela.
Ela bateu o pé que tinha visto mesmo, e no dia seguinte procurou no Google e me mandou um link de um FAQ do GameFAQs. No fim das contas a tal estrelinha era a Stafi, e era mesmo super rara de encontrar no jogo. Acho que ainda no mesmo dia ela voltou com o DS na mão, pausado num momento que a Stafi aparecia, e derrotou ela na minha frente. 100% completo.
Super Princess Peach pode ter sido o jogo que ela terminou com 100%, mas acho que o jogo que mais conseguiu viciar a Érika foi Ragnarök Online. Até hoje eu não entendo como. Será a fofura dos gráficos e personagens? Será a jogabilidade repetitiva e fácil de aprender? Será os bichinhos de estimação? Não sei, nunca soube.
Só sei que o jogo viciou tanto a menina (e eu também, na época), que ela instalou na máquina do serviço e almoçava em dez minutos pra ter os outros cinquenta para jogar. Eu acompanhava aqui de casa, muitas vezes. Ela tinha uma arqueira muito legal, e eu um gatuno (thief). A mesma coisa se repetia no fim do expediente. O chefe dela achava que ela estava fazendo hora extra, mas lá estava ela passeando por Rune-Midgar e matando Presentes na oficia de Lutie.
Hoje em dia eu acho o jogo um porre, mas na época a gente se divertiu pra caramba com ele.
Já até cogitamos (de brincadeira, admito) fazer cosplay num desses eventos de anime. Ela iria de arqueira, e eu, de Lunático. Seria bizarro.
Outro jogo que ela joga muito (desde que eu comprei até hoje) é Animal Crossing: Wild World no DS. Essa história na verdade é bem triste. No início a gente jogava parelho, mais ou menos a mesma quantidade de tempo, e juntava dinheiro pra pagar o mercenário do Tom Nook e evoluir a nossa casinha. Eu era craque em colecionar móveis e fósseis, enquanto ela mandava muito bem na pescaria e no cultivo de flores. Ela tinha até lido na internet sobre como conseguir flores híbridas, era uma beleza.
Sem contar que ela simplesmente adorava a Maple, uma ursinha que morava na casa ao lado. Ia conversar com ela todo dia, ver se não estava doente (se estivesse, lá ia ela comprar remédio) e principalmente ver se não tinha dado a louca na Maple de querer sair da cidade. Quando dava, ela ficava lá insistindo para ela não ir embora. Era bonito de ver.
Até que um dia ela ficou dois dias sem jogar e, quando ligou o DS, havia se passado, sei lá, uns dois meses no jogo. Até hoje eu não entendi o que aconteceu, só pode ter sido bug. Ninguém mexeu no relógio do sistema, nem foi época de entrada ou saída de horário de versão (se bem que isso não afetaria em nada), só sei que a cidade estava em ruínas. A caixa de correio lotada, ervas daninhas por toda parte, flores mortas, baratas pela casa e o pior: sem Maple. Ela havia se mudado. Nunca vi a Érika tão triste olhando pro DS. Pô, ela tinha acabado de conseguir o regador de ouro por deixar a cidade perfeita!
Não jogou por meses, muitos meses (acho que passou de um ano, talvez um ano e meio), até que eu ameacei vender o jogo e fiz uma pressãozinha. Aí ela voltou. Todo santo dia, sem falhar um, ela liga o DS por uns dez ou quinze minutos antes de dormir para regar as plantas e conversar com os vizinhos. Mas ainda reclama que não tem mais tanta graça sem a Maple.
E as suas histórias, quais são? Não vão me deixar falando sozinho, né? Quero ouvir!
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