Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes

Eu nem sei porque estou escrevendo esta resenha. Sério mesmo. A definição de uma resenha é um texto escrito por um suposto especialista, analisando os defeitos e as qualidades de um produto ou serviço, com o único intuito de instruir os consumidores a tomarem uma decisão informada sobre comprar ou contratar o determinado produto ou serviço. Em resumo, o objetivo da resenha é ajudar o leitor a responder a pergunta “isso merece o meu dinheiro?”.
Agora me digam: quantas pessoas você conhece que estão em dúvida entre comprar ou não comprar Super Smash Bros. Brawl? Resenhar jogos com muito hype, como esse, é uma tarefa ingrata. Quem já comprou ou decidiu comprar o jogo muito antes dele sair vai querer ver você falando bem, enquanto quem se recusa a entrar na onda vai te xingar se você der a boa nota que todo mundo espera.
No fim das contas, estou resenhando este jogo porque eu quero. Vai ser divertido. E porque eu prometi a vocês que faria. Quem quiser saber a opinião deste blog a respeito do jogo mais esperado da história do Wii, siga-me após o continue!
[Mas antes, uma palavra aos nossos patrocinadores: quero agradecer ao Igor Balero, meu camarada que é mestre no Photoshop, por fazer as artes que aparecem nas resenhas. Ia agradecer na semana passada, mas fiquei tão ansioso pra colocar o texto no ar que esqueci. Valeu! Vocês não têm idéia de como aquele painelzinho no final seria feio se não fosse por ele.]
[Segundo aviso: pensando naqueles que não estão nem aí para Smash Bros e querem ver outros assuntos no blog, esta resenha está substituindo a coluna Brawleando nesta semana. A partir da semana que vem, continuaremos normalmente.]
Como eu havia dito, um dos motivos pelos quais estou escrevendo esta resenha é porque eu prometi que faria isso. Prometi especificamente em um comentário aqui mesmo, não lembro em que post, respondendo a um leitor que perguntou algo como “e aí, quando vai ter review do Brawl?” A minha promessa foi algo do tipo “48 horas depois que eu botar as mãos no jogo”. Deixe-me tirar isso logo do caminho: depois de jogar eu descobri que… no way que eu conseguiria analisar esse jogo em 48 horas. Há muito conteúdo em Brawl. Talvez (talvez!) eu conseguisse se pudesse jogar durante o período inteiro, sem parar nem parar comer ou dormir.

Para vocês terem uma idéia, durante as primeiras 48 horas eu nem cheguei a jogar o esperado modo online. Tem muita gente por aí que compra os jogos e não aproveita por completo, tipo um cara que compra um Winning Eleven e passa anos jogando só o modo Exibition ou World Cup sem nunca descobrir a Master League. Pelo que eu vi, tem alguns caras que acham que Brawl é só multiplayer, e não é. Pode acreditar, não é.
Só o modo Subspace Emissary, que poderia ser considerado algo como um quinto do jogo, um quarto no máximo, me manteve ocupado por umas boas dez horas (e eu planejo terminá-lo de novo). E que modo. Pode não ser o sonho de consumo de todo mundo que esperava jogar o próximo grande beat’em up, mas para um jogo de luta tão descompromissado como Smash Bros., é mais do que qualquer pessoa não delirante poderia esperar. Embora as fases em si não sejam um primor de level design e a jogabilidade senha um pouco “solta” demais para um jogo de plataforma, nem de longe o modo é decepcionante. Só não é surpreendente. E vale muito pela oportunidade de jogar um pouco com cada personagem.
Ao contrário das cutscenes que rolam entre um trecho e outro da aventura. Elas certamente não ficam devendo em nada às criadas pela Square Enix ou pela Blizzard. E a história que elas contam também não faz feio. O fato de não haver nenhum diálogo entre os personagens dá um charme nostálgico inegável à apresentação. Sem contar que é simplesmente bizarro, um momento único, ver coisas como o Pikachu e a Samus encontrando Snake “encaixotado” em um corredor da base inimiga. Ou a cena em que o Sonic aparece, que é curta mas fenomenal.

Depois que você terminar o Subspace Emissary, ainda tem os modos Classic (mata-mata tradicional, estilo Street Fighter), Events (desafios temáticos como “Derrote os dois ágeis Diddy Kongs com o lento do Ike em menos de um minuto senão um Donkey Kong gigante aparece para acabar com as suas chances”), Stadium (que abriga quatro sub-modos: Target Smash, Homerun Contest, Multi-Man Brawl e desbloqueável Boss Battles) e Training (pegue um personagem, escolha as condições de luta e bata à vontade em um oponente que não revida). Só aí você já tem diversão o suficiente por horas e horas. E horas.
Por mais que SSBB tenha muitos e bons modos single-player, não dá pra negar que a cereja do bolo é o modo Brawl. E este também tem opções a rodo. É possível fazer a luta que você quiser, com as regras que quiser (inclusive coisas malucas como movimentos na velocidade da luz ou lutadores invisívels) e com o número de pessoas que quiser. É verdade que apenas quatro podem se enfrentar de cada vez, mas os modos Tourney e Rotation dão conta da logística quando se tem até 32 pessoas querendo jogar. E isso é muito importante, certo? Eu sempre quis que um jogo tomasse conta da logística pra mim nas vezes em que eu tive 32 pessoas em casa querendo jogar o mesmo jogo na mesma hora.

Tá, tá bom. Esta resenha está chata, só falando dos modos de jogo. Que tal falar um pouco do jogo em si? Beleza!
É que é difícil falar sobre uma coisa que a maioria das pessoas supostamente já conhece. A jogabilidade de Smash Bros é a coisa mais simples do mundo: você e mais alguns oponentes, controlando personagens clássicos da Nintendo, em uma arena flutuante, se batendo. Não há barras de energia. Quanto mais você apanha, mais longe você voa a cada golpe. O objetivo é evitar ser arremessado do cenário, enquanto tenta impor este destino aos outros. Uma fórmula mega-simples, sem regras adicionais ou golpes complicados para decorar. A sensação de acertar um golpe certeiro e mandar um oponente em linha reta para o horizonte é… esfuziante.
E tem também os itens. Ah, dezenas de brinquedinhos que caem o tempo todo durante a luta e podem ser arremessados, explodidos, comidos e equipados, trazendo felicidade e júbilo aos pelejantes e mudando o rumo das pelejas. Eu que o diga, quando sem querer arremessei uma Smart Bomb para cima e simplesmente me esqueci dela. Quando vi, estava preso em uma explosão causada por mim mesmo. Ou quando bati em um caixa com rodas para que ela certasse o meu oponente à frente, mas vi ela não conseguindo vencer a elevação do terreno em Green Hill Zone e voltando direto na minha cara. Jogue quatro crianças em uma sala com dezenas de brinquedos diferentes e divertidíssimos e observe as possibilidades de diversão que elas criam. Assim são as possibilidades de diversão durante as lutas de Brawl.

Possibilidades estas que, pela primeira vez na série, não se restringem apenas à sua sala. Depois de se divertir a valer digitando um código de doze dígitos para cada amigo seu e combinando via MSN um horário para embate, é só entrar no jogo e procurar seus amigos online em uma lista. Até aqui eu fui somente elogios com o jogo, mas este é o momento em que as reclamações se fazem necessárias. Apesar do online funcionar muito bem contra os amigos registrados, simplesmente não dá pra não desejar que a experiência não fosse tão limitada pelas escolhas técnicas e filosóficas da Nintendo. A falta de um chat por voz, nem que fosse apenas fora das lutas, é ridícula. Ter que depender de uma interface externa ao jogo para combinar uma pardida dentro dele ou comentar a jogatina recém realizada é praticamente uma ofensa à paciência dos jogadores. A Nintendo realmente precisa rever os seus conceitos online, tenho cada vez mais certeza disso. E o pior é que consigo me ver fazendo exatamente as mesmas reclamações na resenha dos futuros jogos online da empresa, como Mario Kart Wii.

Olha que eu ainda nem falei da pior: tentar jogar com estranhos é impossível. Não estou exagerando, é um fato. Imagino que qualquer pessoa que tenha o jogo pode confirmá-lo (pelo menos todos os que eu conheço podem). Ao tentar começar uma partida online com estranhos, o jogo te manda esperar uma tela de treino enquanto procura pessoas para colocar no teu jogo. Mas isso simplesmente nunca acontece. Você fica lá esperandopor vários minutos, até que o jogo dá um erro e te desconecta da WFC. Incrivelmente frustrante. Se você não tem amigos registrados, não tem jogo online; simples assim.
Curiosamente, o modo Spectator funciona. E mais curiosamente ainda, é bem divertido! Você basicamente faz download do replay da luta entre alguns estranhos e pode assistí-la. Com a diferença que você pode apostar umas moedas em algum deles. Aí que a coisa fica meio viciante, porque você sempre quer ver o o seu lutador escolhido ganhar. Não é um modo que eu fico louco de vontade de jogar, mas sempre que acabo entrando nele, fico um bom tempo.

Por falar em viciante, ainda há a tela de Challenges. Daria para comparar com as Conquistas dos jogos de Xbox 360, mas aqui elas realmente dão um prêmio ao jogador. No início você tem um painel com dezenas de quadros azuis fechados. Assim que você completar um dos challenges sem querer (e você vai fazer isso rapidinho), um dos quadros se quebra e você ganha um item que estava lá dentro. Pode ser uma fase nova, um personagem novo, mais peças para o modo de construção de estágios, um Trophy, uma música etc. Além disso, os dois quadros vizinhos ao que você abriu passam do azul opaco para um vermelho semi-transparente. Assim você pode ver o que te espera dentro deles quando você conseguir quebrá-los, e ainda ganha uma dica sobre o que fazer para botar as mãos no prêmio. Se o jogo já não fosse viciante por si só, este modo conseguiria te manter preso até conseguir pegar tudo.
No fim das contas, Super Smash Bros. Brawl é bem mais do que um jogo de luta absolutamente divertido. Já valeria o seu investimento mesmo se fosse “só” isso, mas a verdade é que é também um presente da Nintendo para os seus fãs. A quantidade absurda de personagens, referências, cenários e músicas é incrível. Não importa o jogo que você goste, se for da Nintendo você vai encontrar alguma referência aqui. Nem que seja um Sticker ou um Trophy (os objetos colecionáveis que você acumula enquanto joga). A trilha sonora é um marco na história dos videogames. Tem mais de 300 músicas, entre rearranjos, composições originais e trilhas sonoras clássicas intocadas, e na opção My Music você pode determinar quais tocam em cada estágio, de acordo com o seu gosto pessoal.
Aposto que há coisas que eu não mencionei. Como eu disse, este jogo é enorme. É o tipo de jogo que eu ainda estarei jogando daqui a quatro, cinco anos, sem dúvida.

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