Scribblenauts

Ao longo dos anos, eu tive diversos sonhos dos quais eu me tornei ciente da situação e tomei controle. Era legal porque eu podia simplesmente dizer “lhama violinista” e, puff, uma dessas criaturas aparecia, tocando um arranjo em jazz para Canon em Ré. Em uns outros sonhos, eu conseguia resolver pequenos problemas desse jeito: materializar uma escada para pegar algo no topo de uma árvore, por exemplo. Ou, sendo mais radical, uma motoserra para derrubar a árvore. Depois disso, voltava a materializar coisas aleatórias para me divertir.

Isso tudo é muito legal, e eu, por algum motivo, nunca pensei em transformar em um jogo. Porém, para a felicidade dos gamers por aí, o designer Jeremiah Slaczka pensou nesse conceito e, com a ajuda da 5th Cell, transformou em Scribblenauts, jogo de DS que será lançado daqui a pouco mais de dois meses.


Scribblenauts01

Como já deu para perceber, Scribblenauts é mais um jogo do gênero que chamamos de sandboxes, aqueles jogos “faça o que quiser”, popularizados pela franquia GTA a partir do terceiro jogo, mas fundido com puzzle no lugar de tiroteio sem motivo. No jogo, o jogador tomará o controle de Maxwell, um simpático homem ruivo com um headset e um bloco de rascunho. Sua tarefa é cumprir objetivos para coletar objetos chamados “Starites” em cada fase. Para realizar essas tarefas, o jogador será auxiliado pelo bloquinho do protagonista. Ele é acessado através de um ícone na tela inferior do DS e faz exatamente o que eu fazia nos meus sonhos: materializa qualquer coisa que for escrita nele, desde que seja um substantivo concreto, não-vulgar e não-patenteado.

Mas do que adianta falar desse conceito? Dê uma olhada no vídeo abaixo:

Fodinha, hein? Imaginem isso com uma roda de cinco ou seis pessoas em volta dando sugestões. Mas divago.

Um ponto interessante do vídeo acima é aquele momento em que o demonstrador materializa Cthulhu (que, antes que alguém pergunte, não é patenteado), o famoso deus-monstro criado por H.P. Lovecraft. A conclusão que chegamos é que, além de objetos e personagens comuns, teremos referências à cultura popular e de internet, o que torna o jogo ainda mais fantástico.

Temos no jogo, por exemplo, uma longa lista de “memes” de Internet, aquelas “piadas internas recorrentes” que vemos por aí, como o Keyboard Cat e similares, como podemos ver nesse outro vídeo, lançado pelo GamesRadar:

E eu falei que o jogo vai ter suporte a português brasileiro? Pois é. Serão mais de 10.000 palavras possíveis de serem escritas e inseridas no jogo, cada uma delas com a sua versão na nossa língua.

Mas enfim, estamos falando muito sobre a parte sandbox do jogo. Existem fases, também! Duzentas e poucas delas, aliás. Afinal, sem pelo menos um mundinho base, sandboxes deixam de existir. Enfim, essas fases vêm em duas variedades, as de Ação e as de Puzzle. Nas de Ação é tudo bem básico: a fase contém X obstáculos que devem ser ultrapassados por Maxwell para pegar o Starite, que é controlado apenas com toques da Stylus. Já nas de puzzle a coisa fica mais interessante: o jogo te dá uma dica, um empurrãozinho, e depois disso é necessário pensar em como cumprir a tarefa para o Starite aparecer.

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Na teoria, tudo isso parece muito legal, mas será que vai funcionar na prática? Afinal, apesar de o jogo te recompensar a cada vez que você cumpre uma fase de forma diferente, não posso deixar de pensar que uma hora isso pode enjoar. Mas sinceramente espero que não, pois esse é um dos maiores potenciais no console. Principalmente por causa da relação que a 5th Cell está tendo com os seus consumidores.

Para quem não sabe, Jeremiah Slaczka se cadastrou no fórum NeoGAF para responder dúvidas sobre o jogo. Eis que, na quinta página de um tópico de discussões sobre o jogo, mais especificamente no post 217, o membro “Feep” contou uma história interessante sobre quando testou o jogo. Ele narrou que, em uma das fases do jogo, uma horda de robôs-zumbi ficavam o matando. Tochas, armas laser, machados, nada funcionava. Na frustação, ele tentou escrever “Máquina do Tempo”, e uma apareceu. Ele não esperava isso, é lógico (TOLO! HAHA… ahem). Quando tentou usá-la, foi parar na era triássica ou coisa assim, e lá se encontrou entre vários dinossauros. E uma surpresa: ele podia montar em um deles. Um tiranossauro, para ser específico. Após montar, ele voltou para o presente e saiu esmagando os robôs-zumbis.

…ok, pode não parecer grande coisa, principalmente porque ele poderia ter escrito “dinosaur” desde o início mas, se você clicou no link do post, sabe que o Feep narrou de maneira tão apaixonada que chamou a atenção dos outros membros, e logo o post virou um meme. E isso chamou a atenção do nosso amigo Jeremiah, que providenciou que o artista do jogo, Edison Yan, fizesse a ilustração que abre este post — se você reparou, é o protagonista saindo de uma máquina do tempo, montade em um dinossauro, pisoteando robôs-zumbi. Além disso, os termos “NeoGAF” e “Post 217″ foram incluídos no jogo, para a felicidade do pessoal de lá.

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Se Scribblenauts for metade do que promete, já vai ser uma experiência sólida e robusta no DS, etc, adjetivos de avaliador imparcial. Agora sim, a minha opinião: o jogo vai ser foda. Demais. Dia quinze de setembro não chega! Não posso negar que estou hypeado, e tenho certeza que vai compensar. E, se alguém disser o contrário nos comentários, eu juro que materializo um Leviatã para matar todos. Graur.

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