Assim que a conferência da Microsoft acabou, eu tive que tirar um tempinho para respirar. Talvez por eu ser facilmente empolgável, ou talvez por eu não ser tão íntimo da Microsoft como empresa de games (não faz nem um ano que eu tenho um videogame dela), eu não estava esperando muito.

Na minha cabeça, teríamos muito Halo, muito Gears of War 2 e o anúncio de um novo hardware ou controle com sensores de movimento. E talvez um redesign da Dashboard do console. Não tivemos tudo isso, mas tivemos um montão de outras coisas.

Ao entrar no palco, Don Mattrick (chefe da divisão de entretenimento eletrônico da Microsoft) não saiu destrinchando muitos números. Não, ele foi direto à ação. Em cinco minutos, estávamos assistindo ao primeiro trailer.

» Fallout 3

Confesso que a série Fallout é uma ilustre desconhecida para mim, mas só de ver o nível de empolgação que os fãs atingem, eu sempre tive curiosidade em relação a ela. Depois de ver o trailer e a demonstração ao vivo, no palco, por um membro da Bethesda Software, eu posso dizer com pequena margem de erro que Fallout 3 tem tudo para ser o novo BioShock. Um FPS lindo, com cenários e inimigos arrasadores, mas também com muito senso de humor e ironia, apesar da história densa e complexa sobre um mundo devastado por explosões nucleares.

O personagem principal de Fallout 3 (você, oras) é equipado com um relógio/máquina multiuso no braço, e nele é possível selecionar uma frequência de rádio e, assim, escolher a música que se quer ouvir enquanto joga — o que me lembrou um pouco das rádios de GTA. Outra coisa interessante foi o sistema de mira. Apertando um botão, você pausa a ação e tem controle total sobre a mira, podendo explodir qualquer parte do inimigo. Para assistir é o máximo, mas o meu medo é de, na hora do jogo, isso se revelar tedioso demais.

Em mais um golpe baixo contra a igualdade de conteúdo adicional para todos, a Bethesda confirmou que, assim como GTA IV, o DLC de Fallout 3 nos consoles é exclusividade do Xbox 360. Lançamento: Outubro de 2008.

» Resident Evil 5

O próximo jogo a ser demonstrado (pelo produtor Jun Takeuchi) foi o novo capítulo da saga Resident Evil. A demonstração começa com Chris Redfield, fortemente armado, matando uns zumbis que podem ser descritos definitivamente como (1) não negros, (2) não parecidos com zumbis e (3) não fortemente armados.

A câmera e o sistema de mira parecem exatamente iguais aos de RE4, sem tirar nem pôr.

Logo no início, Chris encontra um vão muito largo para que ele consiga atravessar pulando. É a deixa para ser anunciado o novo modo cooperativo online, no qual o segundo jogador controlará a misteriosa nova personagem Sheva Alomar. Ela logo chega onde Chris está empacado e, com uma “mãozinha” dele, consegue impulso para pular para o outro lado, sendo prontamente atacada por uma horda de zumbis. Enquanto ela pistoleia a galera putrefata, Chris fica de Sniper lá de trás.

Resident Evil 5 não fez feio mas também não (me) impressionou. O que na real não importa muito. Só por ser sequência do elogiadíssimo RE4, já está com seu hype garantido. Lançamento: 13 de Março de 2009

» Fable 2

O próximo a adentrar o bonito palco da Microsoft é PeterMolyneux, nosso querido Pedrinho Molinete. Ele fala um pouco de seu Fable 2 (apaixonadamente, como sempre), e então inicia-se um trailer em CG. Um passarinho é focado, então ele levanta vôo e sobrevoa lindos campos, bucólicas cidades e poéticas planícies até que, *plrft*, ele caga e a câmera — em um autêntico efeito Bullet Crap Time — põe-se a seguir o cocozinho, até que este caia na cabeça de um infeliz infante. Infante este que, segundo explica Molyneux, é o herói do jogo, você. “Fable 2 é a história de como esse menininho se transforma em um herói aventureiro completo, pelas suas mãos”.

Agora com um controle em mãos, Molinete mostra um pouquinho do jogo. Ele quase começa a se empolgar falando sobre o famoso cachorro do jogador, mas lembra que não é esse o assunto e vai direto ao ponto. Ele quer mostrar o modo cooperativo online (sim, ele também). Este modo tem uma característica impressionante. Ao andar pelo jogo, você pode avistar esferas roxas flutuando pelos caminhos. Estas esferas são, na verdade, os seus amigos que estão jogando o modo single player naquele momento e passando por ali nos seus respectivos mundos. Ao encontrar uma delas, você pode convidar o amigo para o seu mundo e, se ele aceitar, *pzinn*, materializa-se na sua fente.

Daí em diante o convidado pode andar junto a você pelo jogo, conhecer os habitantes do seu mundo, a sua família, ser mordido pelo seu cachorro, cutucado pela sua criança e ficar bêbado no bar perto da sua casa.

Fable 2, o jogo que mais provocou o uso de onomatopéias iniciadas com “p” na extensa história deste blog, tem marcado o seu lançamento para Outubro de 2008.

» Gears of War 2

Ok, o próximo é um velho conhecido da galera, Cliff Blezinsky, produtor de Gears of War. Ele mal chega e já taca um teaser trailer estilosíssimo, após o qual começa a demonstração do seu joguinho. Olha, uma coisa eu vou te contar sobre Gears of War 2: não sei como eles conseguiram, mas está mais bonito que o primeiro. Bem mais.

Ao que parece, a jogabilidade continua intacta, apenas sofrendo as adições de novas armas (inclusive um lança-chamas com um fogo tão lindo que dá vontade de se atirar dentro) e a possibilidade de usar Locusts como escudo humano. Os cenários estão gigantescos, os inimigos são mais variados e as situações são empolgantes. Marcus e Don estão dentro de um prédio quando ele desaba, tendo que pegar o elevador DE LADO para escapar pelo terraço!

Um novo modo multiplayer cooperativo foi revelado, no qual um time de cinco jogadores (o Delta Squad inteiro, portanto) enfrenta hordas e mais hordas de Locusts. Isso tem potencial pra ser ÉPICO. Lançamento? 30 de Novembro de 2008.

Depois disso o mestre de cerimônias Don Mattrix voltou ao palco e iniciou-se a aula de matemática (ou aritmética, como diria Mestre Linguiça). Números, porcentagens e estatísticas para provar por X+Y que a Microsoft, basicamente, manda muito bem.

Na sequência, anúncios relacionados à Xbox Live (que tem uma nova assinatura a cada cinco minutos, segundo ele). As redes de TV NBC e Universal formaram parcerias de conteúdo em vídeo para a Xbox Live, assim como a Netflix — grande locadora de filmes por encomenda –, que vai passar a disponibilizar seus filmes por download via Live. Com esses anúncios, a oferta de conteúdo multimídia da Live vai mais do que dobrar.

» Doce de olhos

E então chega a grande notícia da conferência, para mim. John Shappert, Vice Presidente da Xbox Live Services, vem com vários papos que eu não lembro, mas queriam dizer “estou estou enrolando porque vou fazer uma revelação que vai explodir as cabeças de vocês”. E logo ela veio: por meio de um simples update de firmware, a interface do seu, do meu, do nosso Xbox 360 irá mudar completamente. Da água para o vinho. Não vai ficar pedra sobre pedra da atual interface baseada nas “Blades”.

Em matéria de navegação, a nova interface é bastante similar à Cross Media Bar, presente no PSP e no PS3. Dependendo do item selecionado em uma lista vertical, as opções disponíveis para serem selecionadas horizontalmente mudam. Mas é parecido só na navegação, não na aparência — que lembra mais o Media Center do Windows Vista.

E, claro, teremos os Avatars. Projetados pelo pessoal da RARE, os bonequinhos serão uma mistura de Miis com The Sims com os avatares da PlayStation Home. E servirão para essas mesmas atividades também. Além de servir como a sua game picture (que será aposentada), o seu avatar poderá ser usado em alguns jogos e no novo modo Live Party, que consiste em convidar mais alguns amigos que estiverem online (até 7) e fazer algumas atividades juntos. Bate-papo? Claro, mas também vai dar para jogar, ouvir música, ver fotos e assistir a vídeos junto com estes amigos; e se enjoar de fazer uma coisa, você parte para a outra sem ter que montar o grupo todo de novo.

Uma coisa ruim sobre os avatares é que você terá que usar os seus suados Microsoft Points para comprar peças adicionais de roupa e toda sorte de badulaques para personalização. Espero que os jogos resolvam começar a distribuir ao menos umas camisetas em seus discos. Se isso acontecer, meu avatar vai ter uma camiseta do Banjo. Ou do N+.

» Live Arcade

Foram mostradas algumas novidades excitantes para a Live Arcade, em termos de catálogo. A começar por Uno, que vai ganhar uma nova versão (Uno Rush) com participação dos avatares. Uno é um joguinho que tu não dá nada por ele até jogar e ver que é muito bacana. Talvez seja porque eu nunca joguei Texas Hold’em, mas acho Uno um dos jogos de cartas mais divertidos.

Outro que foi anunciado é um novo Galaga. Sim, o clássico pré-histórico Galaga em versão nova, High-Def e a palavra chula para órgão sexual masculino a quatro. Geometry Wars 2 também faz uma aparição relâmpago. Multiplayer, lasers coloridos, 98.4% da tela coberta de tiros e inimigos. Não preciso dizer mais nada.

Em determinado momento o auditório fica escuro e uma conhecida voz toma conta do ambiente. É GLaDOS, aquela que “Ainda Está Viva”, e que vem para anunciar Portal: Still Alive, um pacote de expansão (novos mapas, desafios e um novo modo de jogo) para o jogo mais cult do Orange Box.

A maior surpresa pra mim, no entanto, foi outro remake (ou port): Banjo-Kazooie. O original do N64. Na Xbox Live Arcade. É ou não é de se questionar em que ponto o contínuo espaço-tempo foi tão drasticamente alterado?

» Mais variedades

Depois de um breve (e bonitaço!) trailer de Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts e um deveras sem graça de Viva Piñata: Trouble in Paradise (explicando rapidamente o conceito de escanear cartões com a Câmera Xbox Live Vision para ganhar novas piñatas), foi a vez de Scene It! Box Office Blast ganhar os holofotes. É a sequência de um trivia/party-game focado em perguntas sobre cinema e que usa um controle especial. Dessa vez ele terá suporte aos Miis Avatars.

Então é mostrado outro jogo novo nos mesmos moldes: You’re In The Movies. É um party game que usa a câmera Live Vision em vários minigames e depois usa as cenas gravadas para montar um trailer de filme “inventado” na hora pelo jogo. Por exemplo: em um minigame você tem que ficar de lado para a câmera e correr no mesmo lugar. Quanto mais rápido você se movimentar, mais pontos ganha. Depois de terminada a rodada de minigames, o jogo constrói um trailer e pode usar o trecho filmado durante o minigame para fazer uma cena em que você corre de um monstro, ou de um carro. O resultado final é muito engraçado, e os minigames parecem ser o que se esperaria de um WarioWare que usasse uma câmera como periférico. Só menos nonsense.

» Batalha musical

Quem esperava ver o circo pegar fogo entre Rock Band 2 e Guitar Hero World Tour viu no máximo um nariz de palhaço chamuscado. Ambos os jogos tiveram apresentações beirando o medíocre, com poucas novidades. Primeiro veio o japa da RedOctane representando GH, depois veio Alex Rigopolus vestindo a camisa fictícia de RB; porém, nenhum dois fez mais do que dizer “ah, meu jogo tem essa e essa banda com exclusividade”.

Posso estar errado, mas a minha opinião é que a música em si é importante, mas não é o fator mais importante nesse momento. Uma tracklist “marromeno” se corrige com DLC. Modos de jogo sem inspiração, falta de opções, características que só o outro jogo tem… isso é mais grave. E nesse campo ninguém pisou.

Sorte que tivemos Lips depois, o karaokê high-tech da iNiS. O próprio criador de Elite Beat Agents (que também é da produtora) veio apresentar o jogo. Nada precisou ser dito de muito específico, bastou apresentar o trailer e mostrar a cantora Duffy (quem?) cantando a sua música “Mercy” (qual?), que estará no jogo. É como eu disse antes: um karaokê mega high-tech, que pode ser usado com as músicas do seu iPod ou Zune (ou outros dispositivo, eu assumo). Obrigatório para quem gosta de ser o vocalista no Rock Band, ou quem já comprou ou quis comprar qualquer jogo da série Singstar.

» A quadrada

Pra terminar o evento, chegou ao palco Yoichi Wada, da Square-Enix. Ele falou sobre três RPGs da empresa para o Xbox 360: The Last Remnant, Star Ocean: The Last Hope e Infinite Undiscovery. Nada muito novo, e tal, aí foi embora. Mattrix retorna ao palco e encerra a conferência, ao que é interrompido por Wada, que quer mostrar só mais uma coisinha.

Trailer de Final Fantasy XIII é exibido. Cabeças explodem. Mais detalhes aqui.

» O que NÃO rolou

Halo: Dá pra acreditar? Uma coletiva da Microsoft sem a palavra “Halo” ser dita nem um vez? É quase como conceber um show do Padre Marcelo Rossi sem a palavra “Amém”!

Controle com sensor de movimentos: Esse aqui todo mundo estava dando como certo e não rolou. Nem uma mençãozinha. Mas também não mostraram praticamente nada de Banjo-Kazooie, que segundo os rumores seria o jogo a utilizar a novidade. Então talvez haja esperança. Mas não sei, acho que não.

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