
Pra quem não sabe, rolou essa semana o lançamento do WiiWare, o canal de “games pequenos” da Nintendo. É aquela coisa: joguinhos que não são necessariamente casuais nem necessariamente hardcore, mas que simplesmente não justificariam a prensagem de um CD. Como a plataforma é livre paravirtualmente qualquer desenvolvedora, é natural que comecem a aparecer as primeiras “jóias indies”. Jogos interessantes feitos por empresas que nunca ouvimos falar.
LostWinds, um dos games de lançamento do serviço, é o primeiro deles. Saiba o que achamos após o continue.
Uma idéia na cabeça e um Wii Remote na mão foi tudo que o pessoal da desenvolvedora inglesa Frontier precisou para dar luz ao primeiro hit do WiiWare. Que idéia é essa? Controlar o vento com os movimentos das suas mãos.
Em LostWinds, você controla Toku, um menininho com chapéu estranho (as meninas vão achar “fofo”, certeza) e que, ao se perder em uma caverna, encontra uma pedra mágica que aprisionava o bondoso espírito do vento, Enril. Juntos, Toku (controlado pelo Nunchuck) e o espírito dos ventos (cursor do Wii Remote) devem partir em busca de uma série de itens que, como sempre, darão os poderes necessários para impedir os planos de um outro espírito lá, um bem malvadão.
Apertando o botão A e traçando uma linha na tela, você cria uma rajada de vento naquela direção. O jogo todo é construído ao redor desta mecânica. Nem mesmo um botão de pulo o nosso infante-herói tem. Para saltar, você cria uma rajada de baixo para cima, passando pelo moleque. Com o tempo, obviamente, Enril ganha novos poderes (redemoinhos, brisas etc) e passa a soprar com muito mais desenvoltura.
Só de ler este último parágrafo é possível deduzir: LostWinds é parente de Okami. Irmão caçula, ou talvez um primo mais novo. A sensação de soprar os ventos é exatamente como a de usar o pincel mágico no clássico da extinta Clover. Fui lembrado também de Kirby Canvas Curse, um dos jogos da leva inicial do Nintendo DS, que te põe a desenhar caminhos na tela para que a bolota rosa avance.
O parentesco com Okami é tão grande, na minha opinião, que se estende para os gráficos. Não, LostWinds não é cel-shaded, muito menos tem textura de papel e tinta, mas os cenários lembram muito. Aquelas árvores tipicamente orientais, com copas avermelhadas, estão por toda parte, assim como casas com rodas d’água e outros detalhes. Da mesma forma que quase tudo interagia com o pincel de Amaterasu, você também vai sentir todas as plantas se balançarem na direção que você fizer o vento soprar. Folhas caem, água espirra, pessoas seguram os seus chapéus, tudo de forma bonita e poética. Graficamente, LostWinds impressiona, e muito. Quer dizer, se você considerar que é um jogo de dez dólares.
O preço do jogo também é importantante de se ter em vista na hora de considerar outro aspecto do jogo — um que deixa a desejar: a longevidade. Eu terminei o jogo em cerca de duas horas e meia, pegando 21 das 24 estátuas escondidas opcionais (que não parecem servir para nada). O jogo começa, você passa por duas ou três “quase dungeons” e enfrenta um chefe interessante. Fim. E o pior: a história nem acaba. A busca pelo espírito Belasar (o Bad Guy principal) só se concluirá — talvez — em LostWinds2, anunciado no dia seguinte ao lançamento do primeiro. No fim das contas, LostWinds passa a sensação de ser uma demo muito boa, mas nunca um jogo completo. Acho que o nome mais correto seria LostWinds – Episode 1.
Não me entenda mal, foram duas horas e meia de jogabilidade incrível em um jogo muito bonito, mas cabe a você decidir se isso vale ou quase vinte reais. Eu paguei e acho que vale, mas também acho que um simples minigame de fazer High-Score usando a mecânica do vento cairia como uma luva e poderia dobrar ou triplicar o tempo de aproveitamente do jogo. Com Leaderboards, então, seria incrível.
De acordo com boa parte da mídia especializada por aí (eu incluo alguns blogs nessa), LostWinds é algo como a segunda vinda do Messias de tão bom. Sério, eu li uma meia dúzia de primeiras impressões e análises, e todas elas variavam do “dificilmente você não vai gostar” ao “LostWinds é a minha nova paixão e eu quero ter filhos com ele”. Não, sério, teve um cara que disse mais ou menos isso mesmo.
Apesar de ter excedido as minhas expectativas e de ser realmente um jogo incrível e merecedor dos meus 1000 Wii Points, me sinto no dever de dizer a vocês que não se trata de um jogo perfeito. O que não quer dizer que você não deva sair correndo daí agora e baixar, porque é exatamente isso que eu acho que você deve fazer. Boas idéias devem ser apoiadas.

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