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Gráficos de vender TV na loja, história complexa e emocionante, mecânicas novas ou consagradas, multiplayer infinito e competitivo. Todos esses, e muitos outros, são motivos que levam as pessoas a comprarem um jogo. E, se você olhar as prateleiras de uma boa loja de games hoje, verá que há uma boa oferta de jogos que atendem a cada um desses interesses.

Eu, no entanto, tenho um interesse que é atendido por uma parcela mínima de jogos: o humor. Humor puro, simples, bobo e escancarado. Mas também inteligente e, principalmente, engraçado. Cadê os jogos assim?

O humor é tão ausente dos games que eu não consigo nem mesmo achar muita coisa no Google sobre o assunto. Como disse Stephen Totilo neste artigo de 2004 (percebe-se que o problema não é de hoje, nem mesmo desta geração), se as lojas de games organizassem os jogos por gênero como as locadoras fazem, não haveria uma prateleira de comédia.

Há alguns anos havia um gênero prolífico para quem gostava de ter, jogando, a mesma reação que as pessoas em geral têm assistindo filmes como Em Busca do Cálice Sagrado ou Se Beber Não Case, ou ainda seriados como Seinfeld ou The Office.

O gênero era o Point-And-Click Adventure, como você já deve ter adivinhado, e tem entre seus clássicos jogos como Day of The Tentacle, Sam & Max Hit The Road, The Secret of Monkey Island e Grim Fandango (só para limitar aos que eu joguei, ainda que brevemente). Como não havia muito o que se inventar dentro do gênero point-and-click no que diz respeito à jogabilidade, tudo que um título poderia oferecer de diferente em relação aos outros eram as situações e diálogos colocados à frente do jogador, e aparentemente rolava uma disputa entre as equipes de desenvolvimento para ver quem conseguia bolar as premissas mais estapafúrdias e divertidas para as andanças dos personagens.

grim-fandango2Em Grim Fandango, o humor extrapolava o próprio jogo. O manual de instruções continha o seguinte aviso: “Todos as pessoas que aparecem fumando neste jogo estão MORTAS. Pense nisso”. O jogo era sobre esqueletos, e muitos deles fumavam.

Mas os adventures não eram o único gênero que fazia graça. Entre os próprios jogos da era 16 bits, muitos se utilizavam do humor absurdo e nonsense para dar um tempero no desafio. Quem não se lembra das hilárias cenas pós-corrida da série Road Rash, quando alguma situação engraçada sempre ocorria seja com você (quando você perdia a corrida) ou com os oponentes (quando você ganhava)?

ToeJam & Earl, do Mega Drive, tinha um power-up que fazia chover tomates. Tinha um NPC viking que cantava algo como um trecho de ópera e matava todos os inimigos da tela. Tinha Papai Noel.

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E como falar de jogos engraçados sem citar Conker’s Bad Fur Day? Pra mim não há a menor dúvida de que este é o jogo mais hilariante jamais produzido, porque o humor, além de muito bem executado, é a sua razão de ser. Ao contrário dos absurdos dos adventures ou das ceninhas de Road Rash, em Conker’s BFD o destaque não era o enigma a ser resolvido ou a prova a ser vencida. O jogo era simplesmente uma incrível sucessão de piadas absurdamente engraçadas, quase como um gigantesco episódio moderno de Monty Python’s Flying Circus estrelado por um esquilo bêbado, que eram por si só a razão de prosseguir no jogo. Apesar de existir um enredo bem legal — e sem noção — você não jogava porque queria saber mais sobre o seu desenrolar, mas sim porque queria ver mais piadas, rir mais.

Onde estão os jogos assim hoje em dia? Apesar de eu ter consciência de que eles são uma minoria, eu me recuso a acreditar que não existam. Eu é que talvez não os conheça. Se você conhece algum jogo cujo principal objetivo seja fazer o jogador rir sem parar, não deixe de citá-lo nos comentários.

Ou melhor: se puder, cite o nome e escreva um parágrafo curto sobre o jogo. Se pessoas suficientes participarem, talvez eu compile tudo e monte uma lista com os jogos mais engraçados na opinião dos leitores do Continue. Assim, a próxima pessoa que quiser escrever sobre isso e procurar no Google, vai encontrar algo.

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  1. Ops, nenhum post relacionado. Este post deve ser bem único!