resenha-uncharted-abre

Sabe, eu tinha um certo preconceito contra Uncharted: Drake’s Fortune. Preconceito bobo mesmo, admito. Na minha cabeça, as pessoas só falavam que Uncharted era bom, must have, killer app, AAA, isso e aquilo, pela falta de jogos realmente bons no PS3. Pelo desespero de poder dizer que algum jogo era realmente bom. “Na falta de falta de algo que preste, qualquer Uncharted vira jogo do ano”, pensava eu.

Eu era mesmo um babaca nintendista.

Agora eu mudei. E melhor: pude jogar a aventura de Nathan Drake no PS3 para avaliar sem babaquices fanboyistas.

O fato de eu estar escrevendo essa resenha mesmo tendo se passado tanto tempo do lançamento do jogo significa duas coisas: 1. Eu me surpreendi com ele (continue lendo para saber o quanto); e 2. eu sou um oportunista que quer aproveitar o hype de Uncharted 2 pra atrair alguns paraquedistas do Google para o Continue.

É, ainda sou um pouco babaca. ;)

»

Uncharted: Drake’s Fortune foi desenvolvido pela Naughty Dog, que fez também os três ótimos Crash Bandicoot para PS1 e os três supostamente ótimos Jak & Daxter para PS2 — segundo me disseram, porque eu nunca joguei. Notam-se dois padrões: uma trilogia por console (ou seja: Uncharted 3 CONFIRMADO pela lógica), e sempre jogos considerados muito bons.

(Outra coisa confirmada pela lógica é que teremos uma espécie de clone de Mario Kart depois de Uncharted 3, já que no PS1 a Naughty Dog fez também Crash Team Racing, e no PS2 foi a vez de Jak X: Combat Racing. Chuto que vá se chamar Uncharted: Drake’s Combat Team Kart Racing Awesome.)

resenha-uncharted-screen1

Os primeiros minutos de jogo me confirmaram a tradição de qualidade da empresa: personagens com dublagens incríveis, ângulos de câmera cinematográficos, clima de filme mesmo. Clima de filme bom, que fique claro. Aliás, não só o clima, mas também os valores de produção. Você imediatamente repara que Uncharted foi um jogo desenvolvido com um grande e bem utilizado orçamento.

Pena que a primeira impressão praticamente perfeita durou só até o primeiro tiroteio. Talvez buscando um pouco mais de realismo, o jogo usa uma mecânica de combate que se parece muito com o padrão estabelecido por Gears of War (esconda-se atrás de alguma coisa, daí atire quando puder), só que com armas mais fracas e menos variadas, mira menos precisa, menos munição e mais frustrações.

As partes de tiroteio não são exatamente ruins, só que também não são a melhor parte do jogo. Isso não seria um problema se elas não fossem tão frequentes. Os trechos de exploração e plataforma são muito mais legais, no entanto o jogo é cerca de 70% tiro e 30% aventura. Pra mim esse é definitivamente o grande defeito do jogo. E praticamente o único, ainda bem.

resenha-uncharted-screen2

A história, por outro lado, está longe de ser considerada um defeito. Bem resumidamente, é a história do arqueólogo Nathan Drake, que, seguindo as pistas do seu antepassado Sir Francis Drake segue em busca de encontrar um tesouro que ele não encontrou: o El Dorado. Junto com o aprendiz de Indiana Jones, temos os sidekicks Sully, um velho — e canastrão — amigo, e Elena, a jornalista gatinha que é surpreendentemente durona, mas que mesmo assim precisa ser salva ou auxiliada em diversos momentos.

Pode não ser uma das melhores histórias que eu já vi num videogame, mas certamente é uma das mais bem contadas. Eu ficava realmente feliz quando aparecia uma cutscene, porque era o momento dos ótimos personagens se expressarem de alguma forma mais substancial, com diálogos bacanas e por vezes engraçadinhos, reviravoltas ocasionais e um show de atuação dos dubladores.

resenha-uncharted-screen3

Aliás, um grande destaque, pra mim, foi justamente algo tão simples como a dublagem. Seguindo a dica do nosso amigo Caio — que me emprestou o PS3 e o jogo — deixei a dublagem em português de portugal (há vários idiomas para a dublagem, mas não há português brasileiro). Inicialmente eu fiz isso só pela farra, pra ouvir eles falando “gajo”, “raios” e coisas assim, mas no final acabei deixando o jogo o tempo inteiro no idioma lusitano. As partes dramáticas não foram comprometidas, enquanto as partes cômicas ficaram ainda mais engraçadas. Sem contar as risadas histéricas que eu dava quase todas as vezes que, no meio do combate, alguém jogava uma granada perto de Nathan, e ele exclamava um desesperado “oh não, porfavornão!” com aquele sotaque engraçado.

Às vésperas do lançamento de Uncharted 2: Among Thieves, eu certamente recomendo que, quem puder, jogue a primeira aventura de Nathan Drake. Não porque a história seja necessária — de fato, o jogo me surpreendeu por terminar sem nenhum gancho para sequências –, mas porque é um ótimo jogo.

É foda!

[+] Um filme jogável, e dos bons
[+] Ótimos personagens e situações
[+] Dublagens, especialmemte a lusitana
[+] 60 tesouros bem escondidos pelos cenários, para os colecionistas

É foda…

[- -] Partes de tiroteio são muito frequentes e cansativas
[-] Não tem multiplayer, para os que consideram isso essencial

Posts relacionados:
  1. Uncharted 2 + Twitter: Tudo a ver!
  2. [Tube do Dia] Se ainda restava alguma dúvida de que Uncharted 2 seria incrível…
  3. [Resenha] LittleBigPlanet
  4. [Resenha] Flower
  5. Resenha: Assassin’s Creed (Xbox 360)