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A E3 é o evento não-competitivo mais competitivo do mundo. Assim que termina a última das três maiores conferências do ano, todo mundo (imprensa inclusive) se põe a apontar o “vencedor”, aquele que mostrou mais e mostrou melhor. Aquele que empolgou mais. Na E3 2004 este vencedor não ficou muito claro.

Boa parte das pessoas declarou como vencedora a Sony, a exemplo do ano anterior. O PSP, já previamente anunciado, foi finalmente demonstrado no palco por Kaz Hirai, e impressionou o mundo. Com uma tela daquele tamanho e gráficos como aqueles, era literalmente como ter um PS2 na palma da mão. Além do mais, a Sony já era a líder mesmo, então estava mais cotada para ser vencedora da E3.

A Nintendo mostrou aquilo que todo mundo queria ver: Miyamoto empunhando ridiculamente uma espada e um escudo de brinquedo o primeiro trailer daquele Zelda “adulto” que todo mundo esperava desde 2001, e mais ainda depois do anúncio do Zelda cartunizado para GameCube. A empresa também deixou todo mundo de boca aberta com o anúncio do seu contra-ataque ao PSP — um portátil bem feio e com cara de brinquedo, mas lotado de idéias diferentes (sensores de toque, microfone, canetinha stylus, duas telas) que que poderiam torná-lo um sucesso ou o novo Virtual Boy. O nome “Revolution” foi citado pela primeira vez, mas ninguém teria a mínima idéia do que ele significaria pelos próximos vários meses.

A Microsoft teve a apresentação mais previsível das três, mas também mostrou — e mostrou bem — o que se esperava: vários minutos in-game de Halo 2. Só isso já foi suficiente para acalmar os fãs, que pela primeira vez tiveram certeza absoluta que a série que salvou o Xbox da irrelevância estava evoluindo a contento.

O PC, depois de alguns anos de bolas dentro, teve alguns jogos interessantes mas ficou mesmo em segundo plano.

Este foi mesmo o ano dos portáteis na E3. Quase todas as capas de revista do mês seguinte mostravam o DS e/ou o PSP. Mas digamos que nenhum dos dois teve mesmo uma apresentação muito boa. O PSP foi demonstrado com estardalhaço na conferência da Sony, quando Kaz Hirai o testou e exibiu na frente de milhares de jornalistas, mas durante a feira, quando seria a hora desses milhares de jornalistas testarem com seus próprios dedos, todas as unidades em exibição estavam desligadas e presas aos estandes. Ficou meio a impressão de que aquilo poderia ser só um protótipo bem diferente do que viria a ser na realidade. Enquanto isso…

…o DS impressionou e assustou na mesma medida. Depois da apresentação da Nintendo, ninguém sabia exatamente o que pensar além de “esses caras são loucos”. Um portátil com duas telas? Microfone? Tela de toque? Era muito bizarro. Poderia dar certo, mas tinha a mesma chance de dar tão errado quanto o último “portátil” bizarro que a Nintendo trouxe ao mundo, o Virtual Boy. Para se distanciar dele, aliás, a Nintendo pôs Miyamoto para assegurar a todos que estava envolvido com o DS, tanto em nível de projeto da máquina quanto em fazer jogos para ele — o que não aconteceu com o Virtual Boy.

Se você acha que é coisa de hoje em dia ou exclusividade da série Zelda ser anunciado e demorar anos até o lançamento, pode esquecer. Nem DOOM 3 nem Half-Life 2 haviam sido lançados ainda quando aconteceu a E3 2004, e nem mesmo apareceram muito durante o evento. O mesmo pode ser dito sobre Gran Turismo 4, mas este até que teve uma boa demonstração no estande da Sony.

Sony esta que, aliás, fez barulho com a primeira aparição pública de God of War e também com Grand Theft Auto: San Andreas — que foi citado e prometido, mas não mostrado. Dois dos jogos mais bem sucedidos do PS2 “nasceram” no mesmo lugar e ao mesmo tempo. Não é lindo isso? :P

Pode parecer difícil de acreditar pra quem não viveu essa época, mas houve um tempo em que a Electronic Arts, a toda-poderosa EA, não era toda-poderosa. Era apenas mais uma desenvolvedora multi-plataforma, sem grande destaque. A E3 2004 marcou o início da era em que a EA deixava de ser “apenas” uma grande produtora para se tornar A grande produtora. O seu estande foi super concorrido e tinha de The Sims 2 a Muhammad Ali (sim, o boxeador).

Foi durante a conferência da Nintendo daquele ano que Miyamoto fez a sua célebre aparição de semi-cosplay de Link. Não sei como os olhos do designer não saltaram para fora das óbitas a fim de se esconder nos bolsos do japonês, de tantos flashs fotográficos disparando em sua direção. Ainda não sei e eu achei ridículo ou incrível. Acho que preciso ver o vídeo abaixo mais vezes pra decidir. O fato é que em 2006 ele faria uma outra aparição muito melhor.

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