Videogame: a coisa mais importante entre as menos importantes
Então, você já viu algumas edições da Quarta Indie por aqui. Já descobriu qual seu maior evento, algumas de suas filosofias, alguns jogos que têm chamado a atenção, além de ler sobre o desenvolvimento de jogos no Brasil. Até mesmo já viu como os desenvolvedores independentes estão afetando o mercado. Mas você ainda não está convencido de que deveria gastar alguns minutos do seu dia jogando algo independente ou descobrindo algo novo a esse respeito, ou alguns reais da sua carteira incentivando esses criadores.
Se esse é o seu caso, clique logo no continue porque o artigo de hoje é para você.
6» Se você quer aprender a programar ou modelar, fazer jogos é um bom incentivo
Como bom geek, você resolveu seguir a área de Design ou a área de Informática, sonhando com seus modelos 3D fantásticos ou com o seu super programa de dominação mundial. As aulas começam, e você se vê envolto por UMLs, gestão de projeto, shaders e contagem de polígonos, e de repente você nem lembra mais porque queria fazer aquela faculdade. As aulas se tornam tediosas.
Bom, que maneira melhor de se motivar para aprender essas coisas do que se perguntar “como eu posso usar isso para criar um jogo?” Vamos lá, se você nunca fez isso, experimente: na próxima aula tediosa que você tiver, imagine-se usando aquele conhecimento na criação de um jogo, nem que seja Ultimate Atirador de Bolinhas de Papel no Professor: Championship Edition ou qual do tipo. No mínimo, a aula passará bem mais rápido. E quem sabe o próximo jogo interessante pode ser feito por você, não é mesmo?
Um polígono, dois polígonos… 1000 polígonos… agora é só girar essa perspectiva e…
5» Aquelas idéias malucas, que seriam rejeitadas em qualquer grande produtora, podem se tornar jogos legais
Há tantos jogos para ilustrar este ponto que fica difícil escolher só um. World of Goo? Audiosurf? Synaesthete? Crayon Physics? Every Extend? The Misadventures of P.B. Winterbottom? São dezenas, centenas de jogos que, se fossem depender de coisas triviais como lucro, jamais sairiam de um caderno de idéias. Mesmo que depois as pessoas gostem tanto do jogo que as grandes produtoras resolvam dar uma chance a eles, pouquissimas desenvolvedoras investiriam em alguns jogos que acabaram se tornando verdadeiras manias entre os jogadores.
Novamente, às vezes as desenvolvedores acabam aprendendo que pode ser melhor dar uma chance aos jogadores de mostrarem o que eles querem.
OK, Katamari é a prova de que mesmo grandes desenvolvedores investem em idéias absurdas de vez em quando….
4» Eles ressuscitam seus estilos favoritos de jogos
Não importa se o seu gênero favorito é o de plataforma 2D, ou dos adventures point-and-click, dos puzzles bizarros, dos jogos de navinha, ou dos jogos de luta 2D: você andava se sentindo meio que abandonado nos últimos tempos, não é mesmo? As grandes desenvolvedoras parecem ter decidido que alguns gêneros são do passado e praticamente não têm investido mais em certos gêneros.
R-Type? The Pandora Directive? Mario Bros 2? Tudo isso parece coisa do passado.
Até conhecer jogos como Uwabami Breakers (se um dia eu descobrir mais informações sobre ele, pode ter certeza que vai surgir algo aqui ou no meu blog. Nem que seja para dizer “YES, passei da primeira fase!”), Fate by Numbers, Platform, Blocksum.
Praticamente um Phoenix Down em gêneros que parecem ter sido abandonados pelas grandes corporações. Ter a chance de voltar a conhecer novos jogos de seus gênero favorito é um dos melhores motivos para dar uma chance ao jogos indie.
Afinal, eu pessoalmente não dou muita atenção se vejo outro jogo-3D-de-gráficos
3» Há tantos jogos sendo feitos e distribuídos de maneira gratuita, que você pode jogar algo novo todos os dias, sem pagar nada por isso e sem quebrar nenhuma lei de direito autoral
Tá, você é um jogador. Desses que zeram jogos como quem acaba com a caixinha de leite da geladeira. Você é apaixonado pelo assunto, adoraria seguir esse ramo profissional. E, obviamente, você precisa de… jogos. Muitos deles.
Infelizmente, provavelmente você é um adolescente que não tem dinheiro para comprar 10% dos jogos que você gostaria de jogar. O que fazer, então?
Não serei hipócrita – eu já usei pirata. Ainda uso, para certas coisas, apesar de ter uma coleção linda de jogos originais de Wii. Mas isso não quer dizer que eu ache isso uma coisa boa — eu sei que isso é errado, e por isso tento evitar ao máximo, além de sempre procurar alternativas gratuitas (e legais) para o que eu preciso.
Mas, com sites como o Kongregate, você deveria realmente começar a pensar que talvez não seja necessário ter uma coleção de uma centena de piratões para o seu PS2 para se divertir – existem tantos jogos disponíveis de maneira gratuita neste site, que é praticamente impossível você não gostar de alguns deles. E com o dinheiro que você economiza em mídias para gravar piratas, você pode comprar um original a cada dois, três meses, ou mesmo aproveitar que alguns jogos de PS2 estão a 50 reais em algumas lojas.
No Kongregate, você tem até mesmo pontos e Badges (o equivalente aos Achievements da Live) que pode exibir para os seus amigos, sem medo de ser banido repentinamente por não estar pagando para ter o jogo.
Não que você vá abandonar os jogos das grandes corporações, claro, mas não é legal dar uma chance para jogos diferentes sem aquela vozinha na sua consciência reclamando que você está fazendo algo errado?
2» Portal não existiria se não houvesse desenvolvimento de jogos indie.
Portal não existiria sem Narbacular Drop. Aliás, acho que alguns de vocês já cansaram de me ver mencionando esses jogos por aqui, não é mesmo? Bom, o que eu posso fazer, se um dos melhores jogos do ano passado surgiu de uma iniciativa indie?
Você, meu caro leitor bem informado, pode argumentar que Narbacular Drop foi desenvolvido como projeto de conclusão de curso da graduação na Digipen — oras, quem estuda nessa faculdade costuma ser contratado por grandes empresas, como a Nintendo, que fica logo ali do lado. O que há de indie nisso, então?
Bom, Narbacular Drop foi desenvolvido sem a ajuda de nenhuma grande corporação, o que o caracteriza como jogo independente. Mais importante do que isso, não fosse a imensa comunidade de pessoas que apóiam os jogos indie, seja desenvolvendo, escrevendo artigos a respeito ou simplesmente jogando, Narbacular Drop teria passado despercebido. E, se fosse assim, a Valve não teria contratado aquela equipe para fazer Portal.
1» Aquele sonho de ser Game Designer parece mais próximo quando você descobre que pessoas como eu e você estão por aí, fazendo jogos legais.
Se você é um gamer de carteirinha, daqueles que já jogou todo tipo de jogo e vive devorando artigos e notícias a respeito disso, você provavelmente já teve (ou tem) o sonho de ter como profissão “Game Designer”. Como eu, quando lhe perguntavam o que você queria ser quando crescer, ao invés dos usuais “modelo”, “bombeiro”, “astronauta”,”atriz/ator”, a sua resposta era um “eu quero fazer jogos!” seguido de um imenso sorriso triunfante.
Aí nós crescemos, começamos a entender melhor sobre o mercado e sobre o país em que vivemos, e de repente aquele sonho parece tão distante quanto aquele de ser astronauta.
Isso até você descobrir que existem pessoas como você, que começaram a brincar com jogos nos horários de folga, que conseguiram fazer jogos legais. Talvez gratuitos, talvez não. O grande vencedor do IGF desse ano era um projeto simples — sem gráficos absurdos, sem cinquenta mil inimigos com uma inteligência artificial super avançada. Ainda assim, ele é tão completo dentro do que se propõe que é difícil não se impressionar.
E é o tipo de jogo que você olha e pensa “ei, se eu tentasse, se eu realmente tentasse, eu poderia fazer algo assim”. Quer dizer, você precisaria ter uma idéia tão interessante quanto, mas é muito menos assustador pensar que o maior desafio está dentro da sua cabeça e não em quanto dinheiro e tempo você tem para investir nisso.
E para vocês? Quais são as melhores razões para se gostar de jogos independentes?
Ah, e se você leu até aqui se perguntando “mas por que seis razões, e não cinco ou dez?”, eu lhes digo: iam ser cinco, mas eu não consegui escolher tão poucas! E com dez o artigo ficaria em proporções gigantes de novo, como aconteceu na última coluna, e eu não queria isso.
O que obviamente não impediu este artigo de também ficar exageradamente grande.
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